Marca SóBahêa

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A sina dos seis

A sina dos seis




A Série B está chegando ao final, e mais uma vez o Tricolor fracassa nos últimos 6 jogos em busca do acesso, infelizmente um filme que se repetiu várias vezes nos últimos tempos. Vamos voltar no tempo para melhor entender esta história.

Se na década de 80, o Esquadrão contabilizou jogos históricos, campanhas memoráveis e títulos nos campeonatos nacionais, como em 81 com o 5x0 no Santa, em 85 com o time que jogava no ritmo das palmas da torcida, em 86 com o time da alegria do trio Zanata, Bobô e Cláudio Adão, com o título de 88, e o honroso terceiro lugar de 90, destaco que vi e vivi de perto estes momentos de alegria; não podemos falar o mesmo da décadas de 90, quando começou nossos eternos vexames, de bom, só lembro da campanha de 1994 quando ficamos entre os 8, sendo derrotados pelo imbatível Palmeiras de Roberto Carlos, autor do golaço que decretou nossa eliminação. No campeonato de 1996, nos salvamos na bacia das almas, ganhando de 3x2 do Vasco, em um jogo suspeito, e vencemos o Flamídia por 1x0 em São Januário, nossos salvadores foram Juninho, irmão do craque Zé Carlos, e Edmundo, um clone do Animal, jogadores que representam bem o baixo nível do nosso futebol.

Em 1997, começa nosso declínio, com um time limitado, sendo o ataque formado por Edmundo, Guga (andou fazendo uns golzinhos) e Zinho, fracassamos e caímos, destaca-se que chegamos nos últimos seis jogos, gravem este número, praticamente livre do rebaixamento, mas acumulamos derrotas e caímos ao empatar por 0x0 com o Juventude em plena Fonte, em um duelo particular entre Lima, o Canhão do Fazendão, e Emerson, posteriormente contratado pelo Bahia. Lembro que estava na praia de Coroa em Itaparica, tomando uma com meu saudoso Tio Bira, mas mesmo sob protestos dele, peguei o Ferry e fui para a Fonte, depois do jogo, completamente atordoado, fui para casa de um colega e só cheguei em casa às 3:00 da matina, sendo recepcionado por meus primos e com minha cama coberta de roupas pretas.

Veio 1998, ano da minha mudança para BSB, o time de “estrelas” fracassou na fase de grupos, só assisti, cercado por torcedores do Gama, à derrota por 1x0 no Bezerrão. No jogo seguinte, o Vovô ganhou de 2x1 do Bahia em plena Fonte e complicou nossa passagem de fase, por pouco não fomos parar na Série C. Detalhe, o Flu do Rio caiu para a Série C e o Gama foi o campeão.

Em 1999, fizemos uma campanha excelente na fase classificatória, Uéslei só faltou fazer chover e foi o artilheiro do torneio, fomos para o quadrangular final, com seus SEIS jogos, na 3ª rodada empatamos com o Goiás em Goiânia, eu e Maca assistimos cercados por Esmeraldinos no Antártida, bar da Asa Sul, mas no jogo seguinte, o Tricolor é derrotado em casa pelo mesmo Goiás e praticamente dá adeus à Série A, ainda ganhamos o último jogo, mas o empate “providencial” entre Goiás e Santinha subiu os dois.

Subimos com a virada de mesa, e fizemos uma campanha razoável em 2000, sendo eliminado em dois jogos equilibrados pelo Vasco de Eurico, que disputou a final com o então poderoso São Caetano, final esta marcada pela queda do alambrado de São Janu, quando o SC dominava o jogo, e pelo logotipo do SBT na camisa vascaína no jogo remarcado, em retaliação à Globo que defendia punição severa ao Vasco após a queda do alambrado. Depois, em 2001, fomos eliminados pelo São Caetano, tendo a chance de passar de fase no final do jogo. Em 2002, fomos mal e quase caímos. No ano de 2003, primeiro campeonato por pontos corridos, fomos muito mal, e descemos após sermos goleados pela Raposa em plena Fonte. Talvez a desilusão com a péssima campanha de 1998, a decepção de 1999, e minha mudança para BSB, apagaram quase por inteiro o período 2000-2003 da minha memória, só me lembro do Bi-campeonato do NE, em especial os 3x1 no Sport na final de 2001, eu estava lá. Por isto, parte das lembranças aqui contadas não são minhas, mas de Fábio Corneta e Marcão, membros da Embaixada Bora Bahêa Brasília.

Em 2004, tivemos um meia-esquerda de verdade, Robert, que levou o time nas costas e chegamos mais uma vez no quadrangular final, e seus SEIS fatídicos jogos, começamos sendo derrotados pelo Jacaré no Cerejão, eu estava lá, e chegamos na última rodada precisando ganhar do Jacaré e torcendo para um tropeço do Avaí no Castelão contra o Leão do Pici, resultado, perdemos de 3x2, nossa torcida protagonizou um dos maiores vexames da sua história, e o Leão ganhou do Avaí, subindo com o Jacaré. Detalhe, não perdemos nossa classificação neste jogo, mas sim num empate contra o Avaí em nossa casa.

Em 2005, mais uma vez com um elenco repleto de estrelas, entre elas Uéslei (repatriado da Ásia e recebendo em dia), Viola e Dil, mas com um time rachado e que perdeu vários jogos para derrubar Jair Piccerni, caímos e fomos para a Série C.

Na Série C, fracassamos em 2006, depois de boas campanhas nas primeiras fases e de uma medíocre na fase final. Subimos em 2007, campeonato marcado pelo gol salvador de Charles aos 50 minutos do segundo tempo contra o Fast, na segunda fase do torneio, e pela queda da arquibancada da Fonte no jogo da subida contra o Vila Nova, nosso adversário em 2016. Eu iria para este jogo, já estava orçando as passagens, quando o tricolor empatou na Fonte com o fantático Barras do Piauí, tomando dois gols do craque Pantico, nosso atleta, de triste lembrança, em 2008, com isto abortei os planos da viagem.

2008 e 2009, nada a acrescentar campanhas marromenos e nem passamos pertos de subir. Voltamos para a Série A em 2010, mas nos limitamos a lutar pela permanência nos 3 anos seguintes, até a queda em 2014.

Vem 2015, numa Série B marcada por times ruins e irregulares, o Bahia aos trancos e barrancos foi se mantendo dentro ou próximo do G4. Quando faltavam SEIS rodadas, éramos 4º com uma vantagem de 4 pontos para o quinto, mas a “maldição” dos SEIS jogos se abateu novamente no Esquadrão, perdemos a decisão em casa contra o Santinha, e vamos terminar o campeonato de forma melancólica em um vergonhoso 9º lugar.

Como visto neste texto, o Tricolor da Boa Terra é incompetente para conseguir o acesso para a Série A, até o momento, só obtivemos em campo uma única vez, em 2010. Em pelo menos 3 vezes, 1999, 2004 e 2015, fracassamos nos últimos seis jogos, e com derrotas em casa nos jogos decisivos, espero que em 2016, a história não se repita.

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