Marca SóBahêa

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Nenhuma surpresa

Nenhuma surpresa




Quem é espectador assíduo de esportes já viu e continuará vendo exemplos fantásticos de superação, como esquecer da maratonista nas Olimpíadas de 1984, vencendo todos seus limites até alcançar a linha de chegada, ou de R9 e sua luta para jogar a Copa de 2002; de triunfos no apagar das luzes, como é bom lembrar das cestas de Jordan nos últimos segundos de jogo, ou do gol de Raudinei em 1994; de viradas históricas, como o 4x3 do Vasco sobre o Palmeiras; e de triunfos considerados impossíveis, como o 5X0 do Bahia em 1981. Entretanto, todos estes fatos foram protagonizados por atletas com gana, vontade de vencer, capazes tecnicamente e que puxavam a responsabilidade para si, ou por equipes bem preparadas por técnicos capazes de enxergar e mudar o jogo. Ou seja, exemplos de conquistas impossíveis existem, mas o Bahia atual não preenche nenhum dos requisitos para tanto.

Ontem, o jogo foi mais um exemplo de um time sem sangue nos olhos, até que correu e demonstrou vontade, mas sem aquela confiança de uma equipe vencedora. O jogo parecia uma pelada, muita correria, repleto de contrataques, pois os dois times se lançavam de forma desordenada ao ataque e deixavam as defesas expostas, assim os atacantes chegavam na maior facilidade na cara do gol, mas com qualidade técnica baixíssima. A cobrança dos dois toques por TR demonstra bem o que foi o Bahia no jogo, afobação e improvisação mil, articulação e paciência zero. Como é que se explica um time que luta para subir tomar dois gols do limitado e rebaixado ABC em casa.

Para finalizar sobre o jogo, Charles mais uma vez mexeu errado, primeiro porque cedeu à pressão da torcida e colocou Railan, por pior que Cicinho estivesse, não se pode gastar um substituição para por Railan em campo; tirar Roger quando o time precisava pressionar e ir para o abafa foi outro erro crasso, apesar de Romulesma ter entrado bem; e tirar Eduardo Fantasminha, mesmo que cansado, na sua melhor partida pelo time, foi no mínimo sacanagem, era mais sensato recuar TR e tirar o apagado e inútil Yuri.

Finalizando, já disse aqui neste blog que a profissão mais fácil do mundo é a de comentarista, eu poderia neste momento criar um post sobre os 10 motivos que levaram ao fracasso tricolor, ou entenda porque o Bahia corre o risco de não subir, ou algo similar. Entretanto, prefiro republicar na íntegra, sem nenhuma edição, o primeiro texto que fiz exclusivamente para este blog, publicado em 25/08/2015.



O que esperar do Bahia na Série B


A confiança que frustra




A Série B de 2015 é uma das mais fracas da história, apesar da presença de Bahia e Botafogo, dois times com títulos nacionais e presença marcante na Série A. Entre os demais, temos times acostumados a participar sem nenhum destaque da Série A, o Vice e o Criciúma; alguns que sobem, mas logo voltam à Série B, como Náutico e América/MG; e o resto, me desculpem, é resto, apesar de reconhecer a tradição local de times como Santa Cruz, Ceará, Payssandu e Sampaio Corrêa.

Com esta configuração de times, e considerando a campanha no primeiro semestre, o Botafogo foi vice carioca, e o Bahia campeão baiano e vice do NE, era de se esperar que ambos sobrassem no primeiro turno da competição. Mas, não foi isto que se viu, a competição se desenrolou de forma equilibrada entre os 6 primeiros colocados, sem que nenhum time conseguisse se desgarrar. Poderia aqui tentar explicar o porquê de tal equilíbrio, mas o foco é o Bahia.

Dividindo a análise da atuação tricolor em 4 partes, vamos começar pela diretoria que vem fazendo sua parte, com os salários em dias, contratações pontuais, profissionalização e valorização da base, e escolha acertada do treinador. Pesam ainda favoravelmente, o bom papel exercido na administração das finanças do clube, e o fortalecimento do programa sócio torcedor. Por outro lado, olhando de fora, sinto a diretoria bem confiante com a subida da equipe, o que a tem deixada acomodada com as atuações pífias da equipe. A falta de garra e vontade em alguns jogos, como exemplo contra o Atlético/GO, é gritante, não vi nenhuma manifestação ou cobrança mais forte da diretoria sobre os jogadores, nem sobre o técnico. É preciso acordar e cobrar mais comprometimento da galera.

Agora sobre a comissão técnica. Reputo que foi uma decisão acertada a vinda de Sérgio Soares, treinador barato, com experiência de Série B, que aproveita a base e com características ofensivas. Há muito tempo não vi o Bahia tão soberano no Campeonato Baiano, goleando os rivais mais fracos e sendo respeitado por todos, claramente devido à postura do treinador que escalou o time em um claro 4-3-3, com meias mais preocupados em atacar do que marcar. Veio a Série B, e alguns resultados inesperados, sobretudo a goleada do Vice, começaram a mostrar as fragilidades de SS, a insistência com alguns jogadores, Tiago Real é o maior exemplo; a indefinição do esquema tático, agora o Bahia alterna entre o 4-3-3 e 4-3-1-2, mas sem mostrar firmeza e segurança em nenhum dos dois; e as alterações erradas.  Entretanto, o que mais preocupa foi o comodismo levando a uma suposta perda de comando sobre o elenco, não é aceitável o time jogar sem garra como já dito aqui, o treinador tem seu papel de motivador e isto precisa aparecer. Por sinal, cadê o resultado do trabalho do coacghing? Encerrando a análise sobre a comissão técnica, temos de ficar atento ao preparo físico da equipe, mesmo com o rodízio feito, o time vem constantemente caindo de produção na segunda etapa, além de seguidas contusões.

E o elenco? Entendo que temos a mescla certa, com jogadores mais experientes (Pittoni, Max e K9) e com boas promessas (Yuri, Vitor e Zé Roberto, dentre outros), um time sem medalhões e com cara de Série B. Sem dúvidas, por mais que se contrate ou aproveite a base o elenco ainda tem carências nas laterais (volta Ávine), meia de ligação e homem de área. No geral, é um elenco equilibrado e com opções de mesmo nível em todas as posições, exceção ao centroavante que só temos o atrapalhado tanque Alexandro.

Só reforçando minha posição, em 98, nossa primeira experiência na Série B, o elenco era de primeira, tínhamos vários jogadores que tiveram papel de destaque no Brasileirão em times do eixo S-SE, só relembrando alguns: Jean, Fábio Baiano, Jorge Luiz, Axel, Marquinhos, Wesley e Sílvio. O time jogava pensando na Série A e achando que a volta era questão de tempo, o resultado foi outro, ficamos em quarto em um grupo de cinco times e quase caímos para a Série C.

Já em 2010, com um elenco limitado, montado nas coxas, a vontade foi outra, e o time armado pelo limitado Moraes, com a inspiração de Ávine, com a boa fase de Adriano, e com Jael puxando a responsabilidade, subiu. Era um time guerreiro, mas imprevisível, na mesma semana que brocou Ponte e Sport longe de casa, se engasgou com o fraquíssimo Vila Nova em casa; goleou a Lusa no Canindé, mas foi goleado pelo Icasa em Pituaço.

O elenco de 2015 tem as condições técnicas parecidas com o de 2010, e o espírito de 1998, combinação perigosa.

Para encerrar a torcida, presente mas sem a invencível vibração, está sendo levada pelo time, ao invés de carregá-lo como é nosso costume. Colocar 20 mil pessoas no estádio de nada adianta se não for para empurrar o time e pressionar o adversário, se é para assistir o jogo, fique em casa. Aqui também sinto um olhar de superioridade como se uma vaga da Série A em 2016 já fosse nossa.

É isto, o clube reúne todas as condições de subir, entretanto o excesso de confiança da diretoria, comissão técnica, elenco e da torcida, pode frustrar a todos no final de novembro. Este time já mostrou que tem condições de jogar com mais garra e dedicação, a torcida também já mostrou como se ganha um jogo, infelizmente este espírito só apareceu quando enfrentamos um time de Série A, a velha leoa da Ilha.

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