Marca SóBahêa

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O culpado de sempre cada vez mais culpado

O culpado de sempre cada vez mais culpado





Acompanho a seleção desde a Copa de 74 na Alemanha, lembro muito pouco, lembrança clara na minha cabeça, só a derrota para a Polônia, gol de Lato um ponta direita carequinha, na disputa do terceiro lugar.

Depois, veio o fracasso de Osvaldo Brandão, e a efetivação de Cláudio Coutinho, um treinador sem currículo expressivo quando assumiu a seleção, para a Copa de 78. As lembranças já são maiores, lembro que o treinador foi crucificado por preterir Falcão, levando Chicão; das suas falas sobre o overlap, a famosa passagem do lateral; do nosso título moral, que não serve para nada, apenas de desculpa; do bom futebol de Dirceu; e de algumas decepções como Zico, Rivelino em fim de carreira, e Reinaldo sempre contundido.

Lembro que Telê, este sim um treinador de verdade, assumiu a seleção em 80, de cara, tomamos 2x0 da Rússia em pleno Maraca, com direito a um olé de 1 minuto sem o Brasil tocar na bola.Depois, o time se acertou e jogou um belo futebol, mas não ganhou nada, perdemos o mundialito do Uruguai em 81 e a Copa de 82. Lembro claramente das cobranças que Telê sofria por não jogar no tradicional 433, a imprensa e a torcida sempre cobravam a escalação de um ponta direita, na época Nilton Batata do Santos, mas Telê com visão à frente do seu tempo, armava o time no 442. Não ganhamos, mas demos show e somos saudados, até hoje, no mundo todo como uma das melhores seleções de todos os tempos.

Com a derrota, veio uma invenção da CBF, Parreira, que nunca tinha ganho nada, assumiu a seleção, obviamente fracassou, e voltou Telê. Novamente no 442, fizemos mais uma boa copa, mas longe do brilho de 82, ademais o que mais se comenta desta época foi o corte de Leandro e Renato Gaúcho que pularam o muro da concentração. O time, pela primeira vez, contava com vários “estrangeiros”, estava envelhecido, Zico voltando de contusão, e Telê jogou com um cabeça-de-bagre no meio, Ézio do Galo, repetindo esta fórmula nos Bambis, foi bi mundial. Mais uma vez, ficamos pelo caminho, agora nos pênaltis contra a frança de Platini.

Aí veio a preparação para a Copa de 90, lembro que vários treinadores passaram pela seleção, todos fracassaram, até assumir mais uma invenção da CBF, Lazzaroni, um inexpressivo treinador do Vasco, time de Eurico, Diretor da CBF. Apesar de uma excelente geração de atacantes e de defensores, o meio não tinha um grande nome. Ganhamos a Copa América, aquela que a torcida do Bahia rompeu com a seleção por causa de Charles, mas fracassamos na Copa. Foi nossa primeira experiência no 352, só fizemos um bom jogo, justamente o da derrota para os hermanos. Esta seleção foi alcunhada erradamente pela imprensa de Geração Dunga, devido ao futebol pragmático e sem brilho, uma injustiça com Dunça que sempre foi um volante acima da média.

Como a Alemanha foi campeã com um ex-jogador elegante dentro e fora de campo como treinador, a Globo e a CBF tiraram Falcão da cartola, como treinador, até hoje, não passa de um razoável comentarista. Começamos tomando 3x0 da Espanha e enterrando a carreira de Veloso na seleção. Falcão teve como mérito revelar Mauro Silva, Raí, Luís Henrique e outros, mas não resistiu às críticas e voltou Parreira. Com um time focado em defender e contando com a genialidade da dupla de atacantes, fomos campeões depois de 24 anos, mas não convencemos ninguém. Parreira era muito criticado pela imprensa, principalmente após a primeira derrota em eliminatórias para a poderosa altitude de La Paz.

A CBF volta no tempo e atrás o aposentado Zagalo para nos guiar até 98, duramente criticado pela imprensa, o treinador marcou época com o número 1, meia que fazia a ligação meio, ataque, Rivaldo desempenhou e bem o papel na Copa; e pela famosa frase “vocês vão ter de me engolir”, após ganhar a Copa América e cansado do massacre da mídia. Perdemos de forma justa a final para a França, mas entendo que jogamos um belo futebol.

Sai Zagalo e vieram os fracassados Luxa, jogou no lixo a tão esperada e merecida chance, e Leão, até hoje chora a forma como foi demitido. Sobrando para Felipão conduzir o time no final das eliminatórias e na Copa. Com um surpreendente e falso, pois Edmilson atuava mais de meia do que de zagueiro, 352, o Brasil ganhou com certa facilidade a Copa. Mas, Felipão foi duramente criticado por levar jogadores como Luizão e Edílson.

Voltou Parreira e, desta vez, montou um time para frente, o futebol apresentado na Copa das Confederações foi de encher os olhos e consagrou o quarteto mágico, mas na Copa o time se perdeu e se deixou levar pela farra. Parreira tem sua parcela de culpa ao escalar R9 e Adriano juntos, o quarteto que tinha dado show era outro, com R10, Kaká, Robinho (3 jogadores de movimentação e velocidade) e Adriano mais fixo. Parreira foi duramente e justamente criticado durante a Copa. No último jogo, derrota para a França com show de Zidane, escalou Juninho como tábua de salvação, mas não deu certo.

Como a farra imperou em 2006, precisávamos de um disciplinador, assim inventaram Dunga, com sua arrogância e suas convicções. Formou um time que ganhou tudo que disputou, menos a Copa de 2010, goleou todas as principais seleções do mundo, mas se engasgou repetidamente contra times pequenos. Dunga era cotidianamente massacrado pela imprensa, apesar dos bons resultados. Até hoje, é criticado por não levar Neymar e Ganso para a Copa, preferindo os “craques” Kleberson e Grafite, falha imperdoável. Aqui nossa geração de jogadores já não correspondia ao nosso histórico, os mais veteranos se afundaram em contusões ou, infelizmente, vícios, e os mais novos não mostraram qualidade suficiente, entendo que Dunga fez um bom papel com o material que tinha em mãos.

O quartel não deu certo, tinha de ser um comandante mais amigável e simpático, Andrés Sanchez buscou no seu amado time Mano e sua renovação, mas quando começou a acertar o time, perdeu a vaga para Felipão, que decepção. Se apegou à conquista da amistosa Copa das Confederações e protagonizou o maior fracasso da nossa equipe em copa. Montou um time centrado em Neymar, quando o moleque se machucou, a seleção se afundou.

Agora, volta Dunga, posso dizer que quase tão inexperiente com da primeira vez. Desta vez, começou ganhando os amistosos, inclusive contra grandes seleções, mas fracassou com um futebol feio de ver na Copa América. Perdemos o primeiro jogo das eliminatórias, mas entendo que a mídia exagerou nas críticas, vi um time com um esquema defensivo muito bem montado no primeiro tempo, duas linhas de 3 na frente da zaga, o que impediu o perigoso toque de bola do Chile, que teve suas chances de contrataque no segundo tempo, todas desperdiçadas pelo dispersivo Oscar, e que só tomou o segundo gol após os 43 minutos da segunda etapa.Sinceramente, temos muito o que melhorar, em especial no ataque, Hulk e sua bunda fracassaram como falso 9, mas o jogo foi longe do vexame que a imprensa pintou. Aposto que subiremos com um pé nas costas, mas Neymar não pode se machucar ou fracassar nos principais jogos.

Como visto, nem mesmo Telê, o maior e melhor de todos, escapou das críticas e perseguições da imprensa e torcida. Mas, infelizmente, criar polêmica e meter o pau vendem jornal, uma crítica isenta e equilibrada não.

Por fim, cada dia que passa, o povão está mais afastado da seleção, mas isto não se deve apenas ao futebol de baixa qualidade, com os consequentes fracassos em campo. Entendo que o principal motivo é a falta de identificação dos jogadores com o torcedor brasileiro, parte significativa da seleção não teve história no Brasil, alguns não chegaram a jogar nem no profissional de um grande time. Outro motivo é o fato da seleção praticamente não jogar mais no País, os jogos agora acontecem na Europa ou EUA, o que vai afastando o público; por fim, a concorrências das seleções mundiais que se tornaram alguns clubes europeus, fica difícil para um moleque bombardeado diariamente com os grandes jogos dos clubes do velho mundo, se empolgar com uma seleção que joga de mês em mês e para valer só de 4 em 4 anos.

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