Marca SóBahêa

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Um jogo para marcar

 





Esta semana teremos mais um jogo entre Bahia e Santa Cruz, sem dúvidas, os times das duas mais fiéis torcidas do NE, que mesmo nos momentos mais difíceis nunca abandonaram e sempre incentivaram seus times.



É inevitável lembrar do histórico 5 x 0 que o Tricolor enfiou na Cobra Coral no Campeonato Brasileiro de 81, na época este era o maior clássico do NE, e os dois tricolores eram os maiores times da região, tanto que em 86, o Bahia foi um dos fundadores do Clube dos 13, e o Santa um dos 3 convidados, ao lado de Coritiba e Goiás, para formar os 16 do módulo verde do Brasileirão de 87. Ao contrário do que muitos dizem, este confronto não se deu numa fase de mata-mata, era um grupo de 4 formado também por Ponte, a famosa Macaca, e o Corinthians. No jogo de ida, no Arruda, o Santa ganhou de 4x0, porém na última rodada do grupo, o Esquadrão precisava e conseguiu fazer 5x0 passando para a terceira fase do campeonato, esta sim um mata-mata, fomos eliminados pelo Flamídia, empate 0x0 na Fonte e 2x0 para eles no Maraca.

Antes de falar do jogo, peço licença para abrir uma chave, um colchete e um parêntese para contar minha experiência neste clássico. Todo torcedor tem seu jogo inesquecível e nunca apaga da memória sua primeira experiência num estádio. Mas, estar na Fonte, em 04/04/81, apagou da minha mente qualquer lembrança de experiência anterior em uma campo de futebol, tenho certeza que já tinha ido ao Lomantão algumas vezes e até mesmo na Fonte, contudo quando falo sobre o futebol, a primeira lembrança que me vem é o 5x0.

Na década de 70 em Conquista, era mais fácil saber o resultado de Olaria x Madureira pelo Cariocão do que o de um BaVice pela final do Baianão, canais de TV eram dois ou três que transmitiam os jogos do Rio, a rádio local quando não passava o jogo do Conquista, passava os jogos do Rio, também não era fácil sintonizar uma rádio de SSA, somente a Globo, a Tupi e a Nacional, adivinhem o que elas transmitiam. Mesmo assim, eu já torcia para o Bahia, mas dividia minha atenção com o Fluminense. Em 80, fui morar em SSA, ficou mais fácil acompanhar o tricolor, assim a paixão foi crescendo e fui abandonando o Flu, o que aconteceu definitivamente na semi de 88.

Veio o Brasileirão de 81, e o histórico jogo, ao qual fui acompanhado por meu pai e meu irmão, lembro que a Fonte não estava cheia, mas com um bom público, e sentamos atrás do gol da ladeira. Infelizmente, 34 anos depois, não lembro de detalhes, mas lembro que meu pai me tirou do estádio após os 4x0, devido ao meu estado de nervo, quando subíamos a ladeira, o quinto veio, e lá fora mesmo, eu comemorava como um louco. Posso afirmar que este confronto marcou minha vida, e transformou meu amor pelo Bahia, nesta paixão que dura até hoje.

Com relação ao jogo, o mesmo começou no desembarque da Cobra Coral, quando o irreverente Dadá afirmou que faria o gol baianada, provocação que teve o efeito contrário, pois inflamou a massa tricolor. O Bahia entrou pilhado, logo aos 4 minutos, o excelente ponta esquerda Gilson Gênio, um dos atacantes do meu Bahia dos sonhos, marcou, repetindo a façanha aos 13 com uma bomba da entrada da grande área, golaço. No final do primeiro tempo, o limitado centroavante Dirceu Catimba fez o seu, num excelente cruzamento do Craque, com C maiúsculo, Léo Oliveira.

Diz à lenda que no intervalo a Fonte encheu, eu que estava lá não lembro disto, mas cada torcedor passou a vibrar por dois, e a torcida Povão que sempre ficava à direita das cabines de rádio, gol do Dique, se mudou para a esquerda em frente às cabines, pressionando Wendel, o goleiro deles. A vibração e a pressão da torcida deram resultado, antes de marcar o 4º, metemos uma na trave, depois em uma jogada de gênio de Gilson, fazendo jus ao apelido, o Bahia marcou com Toninho Taino, bom meia direita.

Na sequência, Gilson, sempre ele, quase marca de voleio, mas Wendel salvou. O jogo se aproximava do final, o clima ficava tenso, meu pai me tirou do estádio, mas nada evitou o quinto que veio numa braga da defesa coral que tentou deixar nosso ataque em impedimento após um lançamento/chutão de Zé Augusto, Léo Oliveira e Toninho Taino apareceram livres na cara do gol, e após conclusão do primeiro, Taino pegou o rebote e marcou o quinto gol, mostrando que para o Tricolor nada é impossível, fazendo nossa estrela brilhar. No final, como era tradição naquela época, a torcida invadiu o gramado e comemorou junto com seus ídolos.

Alguns jogadores daquele time seriam titulares com o pé nas costas do atual Bahia, destaco os craques Léo Oliveira, um meia clássico daqueles que não se encontra mais no futebol brasileiro, e Gilson Gênio, um ponta que entortava os laterais com a mesma facilidade e categoria que concluía ao gol, além de fazer o impensável, substituir à altura o inesquecível Jesum. Vale lembrar também do inteligente Emo, jogador que encaixava em qualquer esquema tático, fazendo como poucos o papel do 4º homem do meio-campo. Fecho com Toninho Taino, meia direita goleador, com breve, mas marcante passagem pelo esquadrão.

Para encerrar, relembro os 11 que entraram em campo: Renato (bom goleiro), Edinho Jacaré (este tem história), Zé Augusto (zagueiro limitado, mas que caiu nas graças da torcida), Edson Soares (zagueirão estilo passa a bola ou o jogador, os dois juntos nunca), e Ricardo Longui (não deixou saudades); Washington Luis (jogava com razoável desenvoltura nas 10), Léo Oliveira (craque, jogador de nível europeu), Toninho Taino (rápido, goleador e lutador) e Emo (jogador que todo técnico gostaria de ter no elenco); Dirceu Catimba (um Roger da década de 80) e Gilson Gênio (já falei e repito, craque, jogaria fácil em qualquer time da Série A). Treinador Aimoré Moreira, campeão mundial em 1962, e irmão de Zezé Moreira. Os dois juntos com Titio Fantoni formaram a tríade de velhinhos que muita alegria deu à Nação Tricolor.

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