Marca SóBahêa

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Para que (quem) serve o Esquadrãozinho?

Todo mês de janeiro é a mesma conversa, acompanhar a montagem de elenco no profissional e observar a garotada na Copinha, o mais tradicional, respeitado e importante torneio disputado pelas divisões de base no Brasil. Este ano, o torneio voltou a ser Sub-20, mas o Tricolor foi com um time sub-17, estratégia ousada, mas que pode render bons frutos, pois jogando contra atletas mais velhos, a molecada tende a amadurecer mais rapidamente. Vi o primeiro jogo e os gols do segundo, achei o centroavante Giovani Itinga a maior promessa. A cada Copinha renovamos a esperança do surgimento de novos craques que poderão, não só vestir, mas honrar o manto tricolor, em especial na realidade atual, onde qualquer perna de pau ganha salários astronômicos. inviabilizando a contratação de bons jogadores já formados.
Enquanto isto, o sub-20 passa a ter um calendário igual ao dos profissionais, espero que além do calendário os treinos sejam integrados e a forma de atuar seja a mesma do time de cima, o que poderá facilitar a sempre complicada passagem do juniores para o profissional no Bahia, sendo este um fato que sempre me intrigou, por que o Bahia revela tão pouco? Onde erramos nesta passagem? Por que nossa torcida é tão impaciente com os moleques? Por que só ganhamos o baianinho?
Me lembro do início da década de 80, quando o Bahia passava por cima do Vice sem piedade, da empolgação da muquequinha quando Pedro Aroldo e Julinho entravam nos bavices, parecia gol. Já do nosso lado, nenhuma empolgação com a molecada, mesmo sendo nosso time dominante também na base e nossos jogadores constantemente convocados para a seleção da categoria. Veio o final da década, o Bahia perdeu Nilton Mota para o rival, e conta a lenda, ou seria história, que antes de sair NM convenceu Maracajá a liberar diversos atletas que saíram direto da reserva da nossa base para o time titular deles. Para muitos, este fato é um dos motivos que nos levaram a viver momentos sombrios na décadas de 90 e 2000.
Com relação às nossas revelações, da década de 80 me recordo da eterna promessa Dico Maradona, mas principalmente das realidades Maílson, João Marcelo, Zé Carlos, Ronaldo e Charles; na de 90, tivemos a promessa Paulo Emílio, mesmo estilo e porte de Romulesma, e Juninho,  e as realidades Marcelo Ramos, o pesadelo dos vices, Uéslei, Jean e Fabão, aquele que segundo a música pegava a mulher de Bebeto Chorão; na década passada revelamos Daniel Alves, o jogador mais bem sucedido de todos os revelados no Bahia, Nonato, Jorge Wagner, Cícero, extremamente mal aproveitado no Tricolor, Bruno Cesar,  "roubado" pelos Bambis ainda com 17 anos, Clébson, e Ávine, mas também convivemos com promessas como Danilo Rios; na década atual, veio Gabriel, Talisca, Felipe, trocado por uma viagem, e Bruno Paulista, tivemos também as promessas Rafael Gladiador e  Romulesma.
Em uma primeira leitura parece um número significativo de revelações, mas com exceção dos trios de 88 e 94, os outros foram pontos isolados no meio de uma mediocridade de doer e fazer o torcedor sofrer, nem quero fazer a lista aqui para não trazer de volta os maus momentos.
Vejo nossa torcida como um dos grandes responsáveis por esta situação, pois se a torcida não apóia e tem paciência com a garotada, o técnico resiste a lançar e a diretoria acaba contratatando para suprir a carência. Adicionalmente, os jogadores mais promissores resistem em vim para o Bahia, pois sabem que terão dificuldade para subir. Só para exemplificar, pego o caso de Gabriel, em 2011 quando surgiu, foi chamado até de namorado de MGF pela torcida tricolor, por ser um garoto de boa cabeça persistiu e virou ídolo em 2012, quando foi muito bem escalado por Falcão. Outro que sofreu na nossa mão foi o limitado Madson, mas depois da saída dele do Bahia, só tivemos jogadores piores na LD, com exceção de Galhardo, mas que no Bahia jogou no meio.
A imprensa também tem sua parcela, pois enquanto enaltece os moleques do Vice, malha sem dó os do Esquadrãozinho.
Porém a maior culpa recai sobre a diretoria, que nunca se preocupou em dar as condições adequadas para os moleques treinarem ou o apoio necessário na mudança de categoria, alguns jogadores são lançados sem ter a menor condição, se queimando facilmente com a torcida. Por várias vezes, o Bahia perdeu jogadores por falta de pagamento das questões trabalhistas, como o FGTS, brecha usada pelos Bambis para levar Bruno César. Pior ainda é quando utilizam a base para favorecer amigos, o caso de Felipe é um exemplo, ou de vitrine para empresários, Talisca e Vítor são exemplos disto. A Diretoria atual chegou com um discurso diferente, prometendo inovações no tratamento dos meninos da base como alimentação diferenciada para cada atleta e exames físicos iguais ao dos profissionais, e uma gestão adequada das questões administrativas. Torço para que não seja só um discurso vazio de campanha, como estamos acostumados no Bahia, mas sim uma nova postura que renda frutos no futuro próximo, como atrair garotos de qualidade e não apenas meeiros que sonham em ser jogador de futebol, mas que não possuem as condições mínimas para tal.
Um complicador recente é a concorrência dos times com maior poder aquisitivo pelos atletas da base, em caso recente, perdemos uma revelação para o Flamídia, infelizmente, entendo ser esta uma tendência que será cada vez mais adotada pelos times do S e SE.
Por fim, dos jogadores da base que se encontram no profissional, consigo ver futuro em Jeanzinho e GB Ninho, cabendo a nós torcedores apoiar e, principalmente, à Diretoria lançar a molecada no momento certo, sem queimar etapa, e não expondo o jogador como fizeram com o arqueiro em 2015, por causa da vaga na seleção olímpica, como diz o ditado, "quem muito quer, nada tem".


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