Marca SóBahêa

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O jogo a que assisti (Bahia x Colo Colo)

Prezados tricolores, reproduzo o texto de  Joca Neri – Membro da Embaixada Tricolor de Aracaju, sobre o jogo contra o Colo-Colo.

Para conhecer mais textos de Joca, acessem http://embaixadatricoloraracaju.com.br/

Meus amigos,

“A sorte me acompanha, tenho corpo fechado à inveja, a intriga não me amarra os pés, sou imune ao mau-olhado” (Jorge Amado, in “Navegação de Cabotagem”).
Nada mais justo que homenagear aquele que divulgou e imortalizou a aprazível cidade litorânea de Ilhéus/BA, palco onde se realizou a partida de futebol entre o Colo-Colo e o Bahia.
Pena que a partida em si, o estádio, o gramado, a FBF, o trio de árbitros, os comentários televisivos (…) não merecem tamanha homenagem. Jorge Amado deve estar se revirando no túmulo de tanta vergonha, ou não, acostumado que era a criar e conviver com todo o tipo de personagem, a quem dava vida, em suas belíssimas obras.
Pois é, o jogo não foi bom.
Apesar de movimentado, pela quantidade de gols se extrai, a qualidade da partida deixou a desejar. Jogo truncado, recheado de faltas, muitas bolas aéreas, ligação direta e algumas trombadas. Erros grotescos de arbitragem. Gramado péssimo. Não era jogo para uma equipe mais técnica como a do Bahia, contudo prevaleceu a melhor qualidade técnica dos jogadores, com uma boa pitada de sorte.
Um horror de arbitragem. Quase complicou o jogo modificando o resultado final da partida.
Não gosto muito de falar de arbitragem, mas é impossível não comentar sobre tal. Somente no primeiro tempo, um assistente nominado Bregalda, este sobrenome me lembra um árbitro muito ruim de décadas passadas, que vivia fora de forma física, do Rio de Janeiro, chamado de Pedro Bregalda. Capaz até mesmo de ser parente. O xará da Bahia (nem sei se é da Bahia mesmo) assinalou três impedimentos inexistentes em claro prejuízo ao Esporte Clube Bahia. Afirmo sem medo de errar, pois vi e revi os lances, em câmera lenta e parada, para verificar o posicionamento de quem fez a recepção dos lances e o momento exato dos lançamentos. Fez mais, fez vistas grossas à falta sofrida por Luisinho, bem embaixo de seu nariz, além de ter marcado uma saída de bola inexistente em contra-ataque puxado por pelo lateral Tinga. Não satisfeito com tudo isso, podem observar, a sua visão de “lince” só não serviu para detectar irregularidade no gol de empate da equipe ilheense, posto encontrar-se em posição irregular, no lance havia dois jogadores impedidos, incluindo o zagueiro que fez o gol.
O árbitro central, para ser castigado, ainda que Jorge Amado tenha afirmado não acreditar em mau-olhado, foi quem, involuntariamente, deu o passe para que Rômulo acertasse o cruzamento para o segundo gol do zagueiro Robson (em tarde inspirada e feliz), como a compensar pelo pênalti ridiculamente assinalado em desfavor do Tricolor de Aço.
Frise-se que a invencionice do péssimo árbitro  (já observei muitas lambanças dele pelo Brasil afora, mas que, inexplicavelmente, continua a merecer a confiança da CBF) estaria a prejudicar não apenas o clube, mas também a atuação do jovem defensor Robson que fez o corte limpo, na bola.
Dessa vez, desculpe-me, Jorge, o mau-olhado do torcedor tricolor funcionou.
Para finalizar sobre a arbitragem, no segundo tempo, com o jogo em 2 x 0, desta feita, o outro assistente – o menos irregular do trio – assinalou espantosamente um impedimento do atacante do esquadrão, o qual partiu sozinho em direção ao gol, quase da linha que divide o campo, porém, ao receber a bola, estava posicionado bem atrás do zagueiro adversário.
Embora faça um esforço para entendê-la como um mero acaso ou infelicidade desse trio de arbitragem, a atuação deve ser duramente contestada pelo Esporte Clube Bahia junto à Federação Baiana de Futebol. Em sendo a partida contra uma equipe mais forte, contra o nosso rival, por exemplo, o Esporte Clube Vitória, uma arbitragem desse tipo pode destruir todo o trabalho de uma temporada.
Enfim, indecente a arbitragem. Não há como enxergar de outra maneira.
Quanto ao futebol e à qualidade do jogo.
O Bahia voltou a desenvolver um futebol apenas razoável, pois salvo pela qualidade de alguns jogadores e pela atuação destacadas de outros atletas. Como que por obra do destino, dois dos mais contestados atletas que ascenderam da base: Robson e Zé Roberto.
Dessa feita, porém, posso relacionar vários fatores que, entendo, prejudicaram sobremaneira a atuação do conjunto, a iniciar pelas péssimas condições do gramado, como se pudéssemos chamar aquilo de gramado.
Na verdade, um pasto, como o que temos visto nos estádios onde se pratica futebol no interior da Bahia. Uma vergonha. A bola lá quica, não corre livremente. Impossível a prática do futebol de qualidade ali. O toque de bola, que já estávamos percebendo no Bahia de Doriva, deixou de existir. Um pasto desses consegue nivelar por baixo as equipes.
O outro fato impeditivo da prática do bom futebol já foi exaustivamente comentado em tópico específico, logo acima: a arbitragem.
Os constantes erros praticados em face do Tricolor de Aço não permitiam que o Bahia encontrasse e jogasse seu melhor futebol. Some-se a tudo isso a ausência do perigosíssimo atacante Hernane, o Brocador, embora o seu substituto, Zé Roberto, tenha realizado uma excelente partida.
Por outro lado, a destacar a grata surpresa pela atuação individual de alguns jogadores.
Chamou-me a atenção especialmente a de dois atletas oriundos da base, mas que, amiúde, vêm (ou vinha) sendo duramente criticados por boa parte da torcida tricolor. Trata-se dos atletas oriundos da base: Zé Roberto e Robson.
Quem já não mais esperava de Zé Roberto – com suas inúmeras e incontáveis chances de mostrar algo, porém sempre a decepcionar – imagino, deva ter ficado satisfeito com a atuação dele no dia de ontem, ainda mais porque substituía um dos mais importantes jogadores do elenco, Hernane, o Brocador.
Até os 20 minutos iniciais, mostrou-se apagado. A partir daí parece ter acordado, pois até o final do primeiro tempo já havia executado quatro ou cinco lances importantíssimos não apenas para o resultado, mas para atuação do time e sua própria, a saber:
-No primeiro lance, em jogada rápida pela direita, livrou-se do defensor e bateu para o gol, com o arqueiro adversário fazendo uma bela defesa.
-No segundo lance, colocou Luisinho em posição clara de gol, que finalizou, indo a bola chocar-se contra o travessão superior do arqueiro do Colo-Colo.
-No terceiro, executou papel de verdadeiro atacante que joga de costas para o gol, como um pivô no Futsal, servindo o bom atacante Luisinho que, desta feita, não perdoou, marcando o seu 2º gol com a camisa tricolor, mas sem que, antes, o Bigode tenha deixado de executar um belo drible no zagueiro.
-No quarto lance, preferiu o arremate de fora da área ao passe. Recebeu de Juninho uma bela bola. Livrou-se do zagueiro e chutou para o gol, colocado, que visava a parte superior da meta do Colo-Colo. Talvez, um lance de individualidade, pois poderia ter passado para Luisinho, mas diante de tantas bolas que serviu para consagrar outros jogadores (Luisinho e Edigar), entendeu que tinha o direito. E acho que tinha.
-No quinto, deixou Edigar Júnior, na cara do gol, que não teve a categoria necessária (a frieza de um Romário, por exemplo) para encobrir o goleiro. Ainda teve oportunidade para deixar Edigar, mais uma vez, em excelente oportunidade para marcar, tendo este novamente desperdiçado a chance.
Furado o bloqueio da equipe da terra de Gabriela e do cacau, Zé Roberto recomeça a sua odisséia na temporada. Ontem, sob nova ótica, pois se mostrou mais confiante. Partiu para praticar mais peripécias contra a defesa adversária. Com uma visão de jogo mais apurada, esquecendo-se, momentaneamente, da característica individualidade, fez-se mais importante para equipe, para o conjunto, apesar de alguns deslizes. Como fato negativo, nomeio o lance bobo em jogada de ataque, sem qualquer perigo, em que cometeu infração, do mesmo modo, desnecessária. Findou por levar um cartão igualmente bobo. Aliás, ele é vezeiro em tomar cartões desnecessários. Faça-se um alerta.
Em suma, Zé Roberto, com uma inesperada, mas excelente apresentação, tornou-se um dos maiores destaques da partida.
Outra surpresa agradabilíssima foi a atuação do zagueiro Robson.
Não digo apenas pelos gols que proporcionaram o triunfo do Bahia, mas pela atuação em si, sem falhas. Bem que o árbitro central tentou prejudicá-lo ao assinalar um pretenso pênalti cometido pelo criticado defensor, pois este fora limpo na bola, tendo desviado a bola e o atacante simulado o penal. O árbitro estava bem perto do lance, porém, para surpresa geral, resolveu punir o Bahia e o zagueiro com a marcação indevida da penalidade.
Para fechar com chave de ouro a sua atuação, o zagueiro ainda fez dois gols. Coisa rara de se ver no futebol, um defensor marcar dois gols em apenas uma partida. Oxalá consiga recuperar a confiança que tinha ao ser lançado nos profissionais.
Parabéns aos dois atletas da base que ontem, finalmente, fizeram boas apresentações.
Com relação ao jogo em si, os momentos acima relacionados, já podem traduzir que, mesmo sendo uma partida sofrível, teve o domínio quase que completo do Esquadrão de Aço. Foram muitas chances perdidas, especialmente pelo atacante Edigar júnior. Uma bola na trave e vários impedimentos mal marcados que implicavam em reais chances de gols.
Não pode passar ao largo um fato, corriqueiro no Bahia, mas que preocupa. Frise-se, o Bahia parece não conseguir jogar contra uma equipe inferiorizada numericamente. A equipe cai de produção vertiginosamente. Incrível como isso acontece. O Bahia vencia por dois gols de diferença, mas não conseguia emplacar contra-ataques estando nessa situação.
Deve ser corrigido urgentemente, caso contrário, vamos torcer para que jogador adversário não seja excluído do jogo. A pressão do adversário se inicia a partir da inferioridade numérica. Ainda que tenha havido irregularidade nos lances de gols tomados, trata-se de fragilidade que fica exposta.
O pênalti mal marcado foi crucial para que o Bahia se perdesse em campo.
Por seu turno, o gol de empate, além de também irregular, contou com a falha do volante do Danilo Pires que rebateu muito mal a bola cruzada, devolvendo-a ao adversário. Friso que o volante em questão, na tarde de ontem, estava muito pouco inspirado. Desligado, visivelmente fora de jogo. Foi bem substituído.
As substituições, por sua vez, não surtiram o efeito esperado, ainda que Rômulo tenha sido o assistente, todavia foi lance de pura sorte, uma vez que a bola lhe foi devolvida pelo árbitro, involuntariamente. Não entendo, todavia, que as substituições foram errôneas. Ao contrário, os substituídos mereceram sair, com exceção de Juninho, creio que este poupado, para a entrada de Rômulo. Danilo Pires e Edigar Júnior em jornadas infelizes. O segundo – Edigar Júnior – até que se apresentou para o jogo, recebeu várias bolas, mas desperdiçou incríveis oportunidades de “matar” o jogo. Se  quiser um lugar ao sol, que treine bastante finalização, pois um atacante não sobrevive com tantos gols perdidos.
O final do jogo nos fez lembrar tempos áureos, quando se ouvia junto ao grito de gol, marcado aos 49’ do tempo derradeiro, interjeições de alívio e gritos de alegria. Implosão da raiva contida diante da desastrosa arbitragem. Mas não se pode comemorar muito um jogo que estava nas mãos e quase o entregou de bandeja.
Em resumo, apesar de um jogo ruim, foi bem movimentado.
Valeu pelo resultado e pela qualidade individual de alguns atletas.
Permissão apenas para pensar nos três pontos; na manutenção da liderança isolada; na tranqüilidade que vai ter para viajar aos EUA e participar de uma partida amistosa contra a equipe de Kaká, o Orlando City.
Na oportunidade, vamos ensinar aos americanos o nosso grito de guerra já anunciado ao mundo e, quem sabe, convencer Kaká a vir jogar no glorioso Tricolor de Aço (Rss). Bem, se pretenderem uma tradução literal do grito, ou uma versão da baianidade, poder-se-ia ensinar aos gringos: “C’mon Baêa My Blood” ou “C’mon Baêa Cum of Mine” ou ”Let’s go, Baêa, My Squad”, todavia, se soar estranho,  simplesmente, ensinamo-los a pronunciar, em bom “baianês”, a nossa marca registrada:
BORA BAÊA MINHA PORRA!
Enfim, vamos às avaliações individuais:

Marcelo Lomba
Sem culpa nos gols levados. Uma bela saída por cima do zagueiro e outra boa defesa. Tem se mostrado mais ativo nas saídas de bola.

Nota: 7,0
Tinga
Ele já havia estreado muito bem na partida anterior com boas investidas pelo seu lado, além de uma boa marcação e assistência para gol. Um pouco diferente neste jogo, todavia observei um detalhe que me impressionou sobremodo. Trata-se de posicionamento como um volante quando a bola está do lado inverso ou partiu para o contra-ataque. Os laterais que o antecederam não conseguiam fazer esse papel. Talvez seja o dedo do treinador, mas gostei de ver exercendo essa função. Forte na marcação. O jogo truncado não o ajudou no apoio. Boa atuação.

Nota: 7,5
Robson
Uma partida que ele jamais esquecerá. Injustiçado pelo árbitro em razão da marcação equivocada de um penal não cometido, pois foi limpo na bola. Não cometeu erros. Para coroar sua atuação, fez dois gols que deram o triunfo ao tricolor.

Nota: 10,0
Gustavo

Não foi tão bem quanto seu companheiro, mas também não foi mal. Fez algumas ligações diretas. Experiente, mas não soube esfriar o jogo quando deveria. Partida razoável. Não comprometeu.

Nota: 6,0
Moisés

Como estréia e jogo em campo ruim não decepcionou. Foi bem na marcação e alguns lampejos no apoio. Não comprometeu. Aguardemos mais jogos em campos decentes. Deu mostras de que pode ser útil. Discreto.

Nota: 6,0

Feijão

No jogo anterior, foi excelente. Nesse jogo notou-se um decréscimo na produção, mas sem comprometer no futebol. Foi mais faltoso, além de ter errado alguns passes. Ainda assim, foi superior ao seu companheiro de volância, Danilo Pires. Forte na marcação. Importante.

Nota: 7,0

Danilo Pires

Como já comentado no bojo do texto, partida apagada. Fora de ritmo. Sem muita disposição. Foi substituído com razão. E ainda foi quem rebateu mal a bola na área para o gol do empate. Espero que se condicione melhor para os próximos jogos, caso contrário, Gustavo está no encalço que, aliás, além da bela atuação no jogo anterior, entrou muito bem ontem.
Nota: 3,0
Juninho

Típico do jogador que sente demais o gramado ruim. Jogador técnico e de boa bola parada. Quase fez um golaço, mas não chegou a atuar tão bem quanto em partidas anteriores. Bola parada mais uma vez resolvendo. Cobrança de escanteio e gol de Robson.
Nota: 6,0

Zé Roberto

Até os 20 minutos iniciais estava escondido no jogo até que, finalmente, nasceu para o jogo e nasceu nova esperança. A torcida já bem desconfiada por tantas oportunidades desperdiçadas, imagino, está demorando em deglutir a belíssima atuação do jovem Zé Roberto. Claro que um joga apenas não garante o sucesso, mas pode dar um alento, confiança ao próprio jogador. É da base, se der certo, será ótimo para o Bahia. Uma atuação excelente. Serviu aos companheiros como quase nunca vemos; finalizou; fez papel de pivô e de meia. Muito boa a atuação. Merece o destaque. Ressalva apenas quanto ao comportamento infantil. Leva cartão amarelo quase todo o jogo, contudo não retira a condição de destaque. Ontem fez por merecer.
Nota: 9.0

Substitutos:

Luisinho

Jogador vibrante. Recuperado da tristeza que o abateu nos últimos dias, fez uma partida muito boa. Aguerrdiido, finalizador, driblador, cavador de faltas. Fez gol, infernizou a defesa adversária e ainda teve fôlego para ajudar na marcação.

Nota – 9,0

Edigar Júnior

Não reputo a sua atuação como muito ruim. Apareceu para os lances e demonstrou muita disposição, todavia foi somente isso. Demonstrou ter dificuldades para finalizar. Um atacante que desperdiça muitas chances, fatalmente perde o lugar ao sol. Ainda mais que Zé Roberto, o concorrente direto, no dia de ontem jogou muito.

Nota – 4,0

Substitutos

Rômulo

Não havia demonstrado nada até então. Um escanteio e a volta da bola em um passe involuntário do árbitro. Dessa vez, cruzou na medida. Valeu pela assistência.
Nota: 6,0
Gustavo Blanco

Entrou no decorrer do jogo em lugar de Danilo Pires. Entrou bem. Fez boas jogadas pela direita. Passou com um pouquinho de força para Edigar Júnior, em excelente jogada pela direita. Lutou
Nota: 6,0
Doriva

Mostra coerência nas substituições. Vê-se que o time tem treinado defensivamente. Fica na média do grupo.

Nota: 6,5
 Joca Neri – Membro da Embaixada Tricolor de Aracaju

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