Marca SóBahêa

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

O Bahia ainda é dono da sua casa? - Parte 1

Historicamente, o Bahia era conhecido como um time muito difícil de ser batido em seus domínios, pois os jogadores se enchiam de brio e superavam suas deficiências com muita garra e vontade de vencer, não importava quem estava do outro lado, o Bahia partia para cima e fazia valer seu mando, não existia jogos perdidos, em vários momentos o triunfo ou o resultado desejado veio após os 40 minutos do segundo tempo.

Nossa torcida também sempre foi respeitada e temida pelos adversários, todos sabiam que enfrentariam na Fonte não somente os 11 jogadores do Esquadrão, também lutariam contra uma multidão de vibrantes apaixonados  que sabiam como pouco incentivar e levantar o time nos momentos difíceis.

Infelizmente, este cenário vem mudando, o Bahia já não assusta quando joga em casa, nossa torcida poucas vezes nos últimos anos fez seu papel e segurou as pontas quando o time precisou. Nossos jogadores jogam em casa inseguros, sem confiança e perdem jogos que teríamos todas as condições de vencer e alcançar as metas desejadas. Nossa torcida, cada vez em menor número no estádio, parece que desaprendeu a torcer. Sinto falta daquele entrosamento time-torcida de 1985, quando com um time limitado, mas com uma torcida vibrante e apaixonada que levava o time no ritmo da magia das palmas, fomos os melhores da primeira fase do Brasileirão.



Este é o tipo de post que me incomoda muito escrever, contudo esta reflexão se faz necessária para tentarmos aprender com nossos erros, causas em comum devem existir na sequência de jogos que descreverei nesta série de Post sobre o desempenho do Bahia quando joga em casa. A pergunta central é por que na hora de decidir estamos falhando tanto dentro dos nosso domínios? Por que na hora do vamos ver incorporamos o amarelo ao tricolor ?

Este primeiro post traz uma série de jogos realizados entre 97 e 2004. Nesses jogos, o Bahia enfrentou adversários sem a nossa tradição no futebol brasileiro e fracassou em momentos cruciais.

Vamos começar nossa fatídica história em 1997, ano da nossa primeira queda, o Bahia jogava por um simples triunfo contra o Juventude/RS na última rodada da Série A, ganhando se safava do rebaixamento. O que vimos foi um duelo particular entre Lima, O Canhão do Fazendão, contra Emerson Ferreti, com o último levando vantagem. Pessoalmente, este é um jogo marcante, pois foi o último que assisti na Fonte antes de me mudar para Brasília. Lembro que o jogo foi num sábado à noite, eu estava na Ilha de Itaparica, mais precisamente em Coroa, comendo água com meu saudoso Tio Bira, e sob protestos do mesmo, peguei o Ferry e fui para a Fonte. Quando o jogo acabou, fiquei uns 10 minutos olhando para o campo sem querer acreditar no que tinha acontecido. Depois saí com um colega e fomos para a casa de um amigo, na época Flu de Feira, hoje pombo sujo, cheguei em casa 3:00 da manhã, muito puto da vida. 



Sobre o jogo, não lembro de detalhes, mas lembro claramente que nossa única esperança era Lima acertar um torpedo e decidir a parada, mas isto não aconteceu. O fracasso começou a se esboçar com as contratações de Jair Pereira e de um bando de jogadores encostados nos times do RJ, ademais era um elenco que só se unia na hora de comer água, em campo era cada um por si.

O Bahia jogou com: William Andem (goleiro camaronês, depois fez boa carreira na Europa); Bruno Carvalho (um dos cariocas); Fabão (cria da casa, aquele da musiquinha de Bebeto Chorão) ; Grotto (não tenho a menor ideia de quem seja) ; e Odemílson (lateral no máximo esforçado) (Giuliano Pariz (começou no Bahia, foi roubado pelo Vice, onde barrou Vampeta, e retornou ao tricolor, onde não fez nada));  Nei Santos (outro Maxi da vida, veio do Vice cheio de pompa e foi um fracasso no tricolor, a camisa pesa); Lima Sergipano (marcou seu nome no Bahia, não preciso falar nada); Róbson Luís (cria da casa, um Ananias dos anos 90); Nixon (ponta que veio do Juazeiro); Edmundo (nos salvou em 96, e ajudou a nos afundar em 97) (Juninho (irmão de Zé Carlos, ficou só na promessa)) e Guga (apesar dos pesares, fez sua parte). Neste campeonato, entendo que só Lima honrou a camisa tricolor, os outros demais atletas, no máximo fizeram a obrigação.

Em 1999, depois do fracasso do estrelado time de 1998 (também perdeu um jogo chave em casa contra o Ceará), fizemos uma boa campanha na Série B e nos classificamos para o quadrangular final. Na 3ª rodada do quadrangular final, viemos a Goiânia e empatamos de 4x4 com o Goiás num jogo espetacular  (https://www.youtube.com/watch?v=5VtnpaVoj40&ebc=ANyPxKopMtZb_Rt-D5ZoP2LJL_AsLuxnU65VI_7XDOijMw8pL-Lpl0g8fSQyFsaiKTBQW8zcqSnPWV3swZuz4eV1YqeILowJ7A). Assisti este jogo no Antártida, cercado de goianos No jogo seguinte, um triunfo contra o mesmo Goiás era praticamente o carimbo no acesso, mas perdemos numa Fonte Nova lotada (64.327 pagantes), naquela época 20.000 era público de amistoso, fracassamos e caímos de 1x2 contra o Esmeraldino. O triunfo era tão certo que fui bater o baba, só vi o resultado depois.

O Bahia jogou e amarelou com Alex Guimarães (goleirinho fraco, no jogo seguinte tomou um peru contra o Santinha), Clébson (bom lateral, veio a falecer em acidente de carro quando jogava pelo Vasco), Alex Pinho (zagueiro que veio do Vasco, lembro que era limitado), Vágner (não lembro ao certo, mas acho que era o famoso Vágner Bigode, bom zagueiro)  (Nonato (começando sua trajetória no tricolor, dispensa comentários)) e Jefferson (bom lateral); Isaías (não tenho a menor ideia de quem seja), Bebeto Campos (hoje, era titular mesmo com o problema cardíaco que encerrou precocemente sua carreira) e Luis Carlos Capixaba (bom meia, um Danilo Pires dos anos 90); Dauri (vou ficar devendo) (Jorge  Wagner (cria da casa, dispensa comentários)), Alex Mineiro (fez boa dupla com Uéslei) (Luis Cláudio (centro avante estilo Jardel, alto, bom de cabeça, mas limitado com a bola no chão)) e Uéslei (o craque do time). Técnico: Joel Santana. Veja os gols em https://www.youtube.com/watch?v=pDDtka14jRE

Em 2003, no último jogo da Série A, ocorreu a humilhante derrota para o Cruzeiro, nossas chances de salvação eram remotas, por isto nem vou gastar tempo com este jogo. 

Em 2004, o Bahia chegou novamente ao quadrangular da Série B, depois de uma excelente campanha. Começou perdendo para o Brasiliense no Serejão, eu estava lá, dois golaços de Iranildo e Fabrício decidiram o jogo para eles. No jogo seguinte, demos o primeiro mole na Fonte, empate de 1x1 com o Avaí. Mas, o pior estava reservado para a última rodada, o Bahia jogou contra o Brasiliense em SSA, precisava ganhar e torcer contra o Avaí que enfrentaria o Fortaleza, o Jacaré já estava classificado. Não assisti o jogo, preferi bater o baba, o Bahia foi derrotado de virada por 3x2, e nossa torcida deu um dos maiores vexames da sua história, promovendo um quebra-quebra no final da partida. 

O Bahia jogou com Márcio (até hoje na ativa pelo Atlético/GO); Ari (nem no Google achei referência deste jogador), Leonardo (se não me engano é o Leonardo Silva que joga no Atlético), Reginaldo (não lembro de nada deste jogador) e Bruno (apaguei da memória); Neto (William) (não lembro de nada dos dois), Cícero (cria da casa, muito mal aproveitado no Bahia), Rodriguinho (outro que apaguei da memória) (Luís Alberto (cria da casa, recentemente jogou no Vice)) e Robert (para muitos, o último meia que vestiu nossa 10); Rena (atacante rápido, só isto) (Ygor(????)) e Neto Potiguar (promessa, parou aí). Técnico: Oswaldo Alvarez, o Vadão. Vejam detalhes do jogo em http://www.esporteclubebahia.com.br/faltou-o-dever-de-casa/.

No próximo post desta série serão abordados os jogos da última década.

3 comentários:

  1. Se seu texto é uma beleza, o tema escolhido é perfeito, e a forma que colocou a questão é digna de parabéns, no entanto, quero dizer que nem me preocupo com as derrotas em casas, afinal, eles acontecem com todos os clubes, veja o exemplo do Vitória, que das vezes que foi rebaixado, acho, repito, acho que foram todas dentro de casa e num local chamado por eles sem explicar os motivos de santuário.

    O problema maior, no meu entendimento é a redução absurdamente significativa da torcida, hoje, o Bahia virou Confiança de Sergipe ou time do tipo ou deste ramo. O importante é saber por que e quais os caminhos que precisam serem trilhados para barrar este decréscimo.

    Os motivos, difícil dizer, mas posso acreditar, que preço dos ingressos, times que não empolgam, presidentes que não inflamam, oferta demasiada de opções para assistir os jogos, e até rola um certo preconceito com o POVÃO, que mesmo tendo construído a história do BAHIA do piso até o telhado, passando pela escritura e o pagamentos de todos os imposto também, foram relegados e depois atirados num canto reservados aos de 2ª categoria. A meta é suprimir os torcedores para abrir espaço para os clientes na figura dos sócios. Agora é certo Miguel, monte um time BOM, FORTE, ganhe os jogos e se prepare para mandar construir outra Arena, já essa será incapaz de atender a demanda, aliás, assim como eu, você sabe muito bem disso.

    Agora é complicado, pagar 40,00 sair de casa e volta na quinta, correr o risco de ser roubado ou até morte, para assistir Hayner, Rômulo e outros jogadores que não tem qualquer qualidade para vestir a camisa do GALICIA, não estou falando de Bahia. Natural que o torcedor se afaste, corra no problema e busque outra forma de entretenimento, evitando o estádio. É triste dizer isto Miguel, MAS o ORGULHO de ser Bahia anda em baixa para aquele camada de torcedores mais críticos.

    Por outro lado, menor quantidade de torcedor menor é a força menor pressão nos adversário, maior a chance de derrota, ainda que pense que já vi a fonte nova ser silenciada completamente lotada de torcedores do Bahia, Bahia e Goiás, que citou, é um exemplo.

    O Wagner que se refere, trata-se do Wagner Basílio. Agora perdoe não concordar ( e MUITOOOOOOO) Odemilson não era apenas esforçado, no meu entender, foi um dos melhores laterais que o Bahia já teve dentro do meu entendimento, atuou em duas oportunidades no clube, ambas com sucesso, esforçado é TINGA, já que o outro é apenas um pangaré e como todos, corre muito apenas.

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  2. Em alguns posts anteriores li que a volta do brocador era uma boa oportunidade para testar o ataque formado por TR, HB e EJ...

    Seria se o ataque 100% do início da temporada não fosse EJ, HB e Luizinho... se este último não tivesse caído de rendimento após contusão de HB, e se TR não estivesse jogando uma PORCARIA.

    Naquela ocasião havia tempo para corrigir um grave erro, mas insistiu-se no mesmo.

    O torcedor "burro" da arquibancada sabe disso, e pela sua vontade TR já estaria comendo banco há muito tempo, entrando para brigar pela titularidade... mas não é ele quem escala o time... se assim o fosse provavelmente Valongo seria titular na defesa, e não um parasita consentido das finanças do clube... e muitos outros erros infantis não seriam cometidos.

    Ele pode ser "burro", mas não é otário... respondam pelo seu sumiço aqueles que COMANDAM o time, os "aventureiros egocêntricos", ou nossa marionete muda: o Doriva!!!

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  3. Miguel,

    Apesar de ser um texto extremamente cruel para o coração tricolor, relembrar estas "amareladas" dentro da Fonte Nova em anos recentes serve para refletir sobre o que está acontecendo com o Bahia outrora quase imbatível na Fonte Nova.

    Acredito que este afastamento gradual da torcida no estádios tenha relação com o produto entregue pelas diretorias ao torcedor. Querer vender algo que não condiz com a verdade é difícil nos dias atuais. Só um bom marqueteiro para reverter a situação. A globalização do futebol com a abertura dos campeonatos europeus, a comodidade de assistir os jogos pelo pay per view ou em um bar, as brigas entre organizadas, os horários dos jogos à noite e a falta de respeito para com a torcida por parte dos administradores do estádio são fortes fatores que convidam a torcida a não comparecer, mas a principal causa, na minha visão e como bem afirmou Dalmo, é a falta de um time competitivo e vencedor. Isto é o termômetro para o torcedor jogar junto. Esta faltando mais ousadia à diretoria atual para enxergar que o Bahia só ser atrativo se montar time para ser protagonista na maioria dos campeonatos que participa. Aliado a isso, a nossa torcida está carente de ídolos. Estes são indispensáveis para atrair as gerações mais novas para a nossa torcida. Medalhões do bem (Cláudio Adão, Dario, Osni, Emerson) são exemplos de jogadores que vieram já consagrados e contribuíram para alavancar a história de títulos e triunfos consagradores.

    Como contribuição para o seu texto, faltou citar a desclassificação para o Juventude nas quartas-de-final da Copa do Brasil de 1999. Depois de empatarmos em 2 x 2 lá em Caxias do Sul, jogamos por 3 placares (0 x 0, 1 x 1 e triunfo) em casa e fomos eliminados nos pênaltis após 2 x 2 no tempo normal. Por sinal, 1999 foi ano que tivemos a pior safra de goleiro na história do clube. Tivemos Ricardo (veio do Itabaiana), Gilberto (aquele que foi campeão pelo Sport em 97) e o horroroso Alex Guimarães. Três que não valiam um Douglas Pires.

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