Marca SóBahêa

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quinta-feira, 12 de maio de 2016

Incinerar a base é sempre mais fácil

Não assisti ao empate do Bahia contra o Coelho mineiro, atual campeão das alterosas. Deitei com meu filho e acho que apaguei antes dele, porém sonhei que o jogo tinha sido empate. Quando acordei pela manhã, fui me atualizar no zap e lá estavam mais de 650 mensagens nos dois grupos de tricolores que faço parte. Impossível ler tudo, mas dei uma zapeada, e lá estava o velho tiroteio sobre a base tricolor, Zé Roberto era execrado, Gustavo Blanco massacrado, sobrou até para Rômulo que nem no avião entrou e Róbson.

Na hora do almoço, vi os melhores momentos, de fato ZR perdeu um gol que peladeiro faz e GB outro que não se pode perder. Porém, Thiago Ribeiro e Luisinho também tiveram e desperdiçaram suas chances, entretanto não vi a mesma "fúria" em relação aos últimos. Não quero aqui defender o quarteto da base citado acima, nem criticar quem os criticou, pois concordo com muito do que foi dito, mas quero fazer algumas reflexões sobre o tema:
 

1-  para se ter uma base forte, além de, dentre outras coisas, fornecer a estrutura física adequada, alimentação, cuidados médicos e salários dignos aos jogadores, se faz necessário aproveitar os moleques no time de cima. Reflitam comigo, algum pai ou empresário vai por um jogador de qualidade na base de um time sabendo que ele não vai ser aproveitado? Vejam o exemplo do Santos, quantos jogadores limitados foram e são aproveitados no time de cima para que possam surgir Diego, Neymar, Ganso e Robinho? Só para ficar nos 4. 

A política de aproveitar a base é certíssima, nos últimos anos revelamos Feijão, hoje o jogador mais querido do elenco, Pará, e Talisca, para isto tivemos de aguentar os testes com eles e vários outros que não vingaram. Este ano, já testamos 18 no time de cima, já temos uma realidade, Éder, e uma boa promessa Luiz Fernando. A quantidade trará a qualidade que esperamos.


2- Com relação aos jogadores citados, concordo que ZR, Róbson e Rômulo já tiveram várias oportunidades e mostraram que não podem ser titulares ou até mesmo reservas imediatos; GB teve poucas chances. Está claro que os 4 nunca serão grandes jogadores, mas também é evidente que estão longe de ser as perebas descritas pelo nosso torcedor. 

Pegando o exemplo de Róbson, falhou e falhou feio no gol do Santinha, mas 3 outros jogadores (Edigar Júnio, Danilo Pires e Paulo Roberto) estiveram com a bola antes dele e não ouço ninguém culpá-los. Lembro que Róbson entrou em duas fogueiras este ano, jogos contra o Fortaleza e o Santa fora de casa, e saiu sem se chamuscar, mas cometeu um erro e precisa ser sacrificado.

3-  A Série B é um campeonato longo, precisaremos de um elenco de qualidade, mas também de quantidade. É impossível termos 3 Hernanes, 3 Jacksons ou 3 Cajás por posição, e se tivermos, o treinador não conseguirá controlar o elenco, vejam o exemplo do Palmeiras. Assim, além do titular e reserva para cada posição, precisaremos de mais jogadores para compor o elenco e serem aproveitados no banco quando um dos dois estiver impedido de jogar por contusão ou cartão, desta forma entendo que é melhor aproveitar os meninos da base do que trazer apostas, em geral quase todas erradas, de fora e ganhando mais. 

Por exemplo, ZR está longe de ser um grande jogador, mas tem uma qualidade importante para compor o elenco, pode atuar nas 3 posições do ataque, ademais já se mostrou muito mais útil do que Jones Carioca ou Wallisson de tristes lembranças. Na relação custo x benefício quem foi mais caro para o Bahia, Róbson ou Gustavo? GB ou Léo Gago? Rômulo ou Marco Aurélio? Hayner ou Cicinho?

4- É inegável que o trabalho feito na nossa base começa a aparecer, a postura tática e técnica dos jogadores que entraram este ano no time principal é totalmente diferente de anos anteriores, vejam o exemplo de Luiz Fernando e Júnior, comparem com Patrick, Carlos ou Jeam e percebam o que estou falando

Porém, não podemos queimar etapas, vejo vários torcedores pedindo Itinga e Jacó no time de cima, tenho sérias dúvidas se estão preparados para o desafio, Itinga não foi testado nem no Sub-20, precisam de mais cancha, devem ser testados no primeiro semestre, no Baiano e Lampions, não na Série B. Cito Cristiano como exemplo, subiu precocemente para o profissional e só fez se queimar.

5- Vender jogador da base é a melhor forma de se fazer dinheiro no futebol, vejam quanto faturam Inter e Grêmio com a venda de seus talentos para a Europa, nos últimos anos, os dois juntos venderam mais de 15 atletas para o Velho Mundo. 

O Bahia vendeu ou deu 4, este é um canal de negociação que precisa ser ampliado e só será se tivermos uma molecada com qualidade na base e botarmos na vitrine do time de cima.

Talvez, o erro de avaliação que cometemos, é esperar que a meninada suba e dê resposta de imediato, alguns poucos, os acima da média, conseguem; entretanto a maioria necessita de tempo para maturar e dar a resposta que a torcida espera. Sobre o trio Róbson. Rômulo e Zé Roberto entendo que a Série B é a última oportunidade, se não demonstrarem condições, precisarão respirar novos ares em 2017.

Já tomei muita porrada por ser um otimista inveterado pelo Bahia, mas entendo que temos de ter muita paciência com os jogadores da base, pois bons frutos podem aparecer e este é um ciclo virtuoso, o Bahia revela, mais jogadores de qualidade procuram nossa base, revelaremos mais no futuro. 

Antes que me batam, encerro dizendo que precisamos contratar ainda alguns jogadores para a Série B, pelo menos mais um lateral direito, um zagueiro, um volante e um centro avante, e temos de usar a base sim, só que com calma e no momento certo. 

Um comentário:

  1. Miguel,

    Eu sou a favor de uma política de divisão de base que renda frutos ao clube, porém a diretoria atual já demonstrou que não possui essa política, pelo menos com a geração atual de jogadores da base. Encher o elenco profissional com jogadores da base não é valorização na minha opinião. O Bahia subiu 14 ou 15 jogadores de vez ano passado e, o hoje, o próprio vice-presidente admitiu em entrevista que se empolgou com o elenco no primeiro semestre e não o avaliou para o resto do ano.

    Na minha visão, jogador da base para compor o elenco profissional tem que ter todo um preparo físico, emocional e psicológico antes de ser lançado mesmo que seja em um fraco campeonato baiano. E não vi esta disposição na diretoria atual. Ela assumiu o clube no início do ano passado e não tinha um diagnóstico preciso da situação do clube para impor na tora uma "valorização da base". O Plano de Gestão exigia esta subida desmedida da base.

    Entendo que a paciência para com a garotada da base tem que ser maior do que com um medalhão, mas não eterna. Com diz aquele velho ditado: "jogador bom a gente conhece no arrear das malas." Portanto, a diretoria tem que ter o "feeling" para saber a hora de lançar uma promessa. E jogador que tem personalidade, entra, veste a camisa e se apruma independente de crítica ou elogio. Podemos citar o exemplo de Talisca, última revelação da base de destaque, que sofreu duras críticas no início, porém soube aguentar a pressão e foi o craque do baiano de 2014 e foi vendido para um time de ponta da Europa.

    Não quero ser estraga prazer, mas, desta safra atual da base do Bahia, poucos terão sucesso na carreira. Talvez a precipitação da diretoria tenha encurtado a paciência da torcida e colocado os jogadores sob pressão precocemente.

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