Marca SóBahêa

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quarta-feira, 4 de maio de 2016

O que fazer para levar o TRI

É inegável reconhecer que o Rival de Canabrava (VCB) vive um melhor momento dentro de campo, seu time se mostra mais ajustado taticamente, seu treinador se mostra mais experiente e com maior capacidade para ler e modificar o andamento do jogo, e suas peças individuais vivem um melhor momento técnico e, em especial, emocional. Entretanto, nos dois últimos jogos, onde o VCB alcançou merecidos triunfos, esta superioridade só apareceu após eles estarem na frente do placar.

Na primeira partida do ano, o primeiro tempo foi equilibrado, eles tiveram mais domínio da bola, mas, o Bahia foi mais perigoso, teve e desperdiçou as melhores chances. Depois do gol inicial, numa falha individual da nossa retaguarda, eles cresceram e passaram a dominar o jogo. No segundo, até o momento do erro crasso do juiz, o jogo estava equilibrado, com os dois setores defensivos levando vantagem sobre os ataques, nada tinha sido criado até este lance, depois, vimos novamente o VCB superior em campo., perdendo chances de fazer mais gols e decidir o campeonato. Ressalto que nos dois jogos, o crescimento do VCB se deu muito em função do abatimento emocional e da queda de produção individual e coletiva da nossa equipe, mas isto é um problema nosso, eles tiveram competência para se aproveitar.


No aspecto tático, entendo que o X da questão está na disposição dos times no meio campo. Com a posse de bola, os dois jogam no 4-3-3, entretanto enquanto o Tricolor joga com Feijão isolado na saída da bola, com Danilo Pires e Juninho mais na frente, pela direita e esquerda, respectivamente; o VCB joga com dois volantes na saída e Leandro Domingues mais na frente na armação. A disposição dos times é como se fosse dois triângulos invertidos.


Quando nossa zaga pega na bola, os avantes encostam nos nossos laterais, impedindo a saída pelos lados; Leandro Domingues encosta em Feijão que acaba se escondendo; enquanto os volantes colam em Juninho e DP, como nossos meias são volantes de origem, acabam facilmente anulados, pois falta qualidade no deslocamento e no drible. O que vimos no primeiro tempo do último jogo é o retrato deste esquema, nosso time se limitando a dar chutão para frente, sem nenhuma capacidade de articulação.

No primeiro BAxVCB do ano, Paulo Roberto jogou no lugar de DP, com isto nosso triângulo do meio ficou muito parecido com o deles, com Feijão e PR na base e Juninho à frente. Lembro que mesmo com a boa partida de Tiago Real, eles pouco criaram pelo meio, nosso problema naquele jogo, foi a fragilidade de nossos laterais (Hayner e João Paulo) na marcação. No último, após a entrada de Gustavo Blanco, o meio do Bahia melhorou um pouco, pois GB entrou se movimentando bem, o que confundiu a marcação deles.

Assim, tendo como base uma das premissas básicas do futebol, o jogo se ganha no meio, eu entraria com um trapézio no meio. Deixaria Feijão ou PR mais plantados, Juninho como segundo volante (posição que ele deverá ocupar com a entrada de Cajá no time), entendo que mais recuado ele terá uma marcação mais frouxa e poderá ter mais espaço para fazer lançamentos, podendo também aparecer como homem surpresa para concluir no gol, como Amaral no segundo gol deles no último jogo. Na frente DP e GB teriam a função de carregar a bola, se movimentando e trocando de posição o tempo todo. Ademais, com dois volantes, nossos laterais poderiam subir mais, pois os volantes cobririam as subidas dos "pontas" deles.

No ataque, entraria com Hernane e Thiago Ribeiro, tendo ThR a função de se movimentar nos dois lados do ataque, em especial nas costas de Diego Renan. Para esta disposição com dois atacantes dar certo e pressionar a defesa deles, seria necessário que nosso meias e laterais se apresentassem para triangular com ThR. No último jogo, ficou nítida a precária adaptação de José Wellisson na lateral direita deles, por ali chegamos duas ou três vezes no segundo tempo, temos de insistir nesta jogada. HB precisa aparecer mais fora da área para puxar a zaga deles abrindo espaço para quem vem detrás. Estou sentindo falta do HB que tabelava com os atacantes de lado, ficar na área esperando é muito pouco neste momento de decisão. A palavra chave do nosso esquema ofensivo é movimentação, se ficar estático como no último jogo, nada acontecerá.

Sem a posse de bola, formaria um ferrolho com duas linhas de 4, com HB e ThR mais à frente, todos posicionados do meio para trás. Quem acompanha o futebol europeu viu recentemente o Atlethic de Madrid parar os poderosos ataques do Bayern e Barcelona com este esquema defensivo, o velho e obsoleto, para alguns, 4-4-2. É imprescindível que estas linhas joguem compactadas, sem espaço entre elas, alternando momentos de pressão na defesa adversária, buscando recuperar a bola perto do gol deles, com momentos de retranca mesmo, para recuperara bola e sair rápido no contrataque.   Na parte defensiva, o que vale é a atenção, falhas como as que aconteceram nos últimos jogos, não podem se repetir no domingo.
 


No aspecto técnico, entendo que os homens chaves do VCB estão sendo mais efetivos do que os nossos, basta comparar a atuação de Marinho com a de Thiago Ribeiro no último jogo. O que Marinho fez de se apresentar para o jogo, partir para cima do adversário e concluir ao gol, é o que esperamos de ThR, mas este se escondeu e se limitou a recuar a bola quando apareceu. Poderia aqui fazer outras comparações, mas esta é suficiente para demonstrar a diferença técnica entre os dois times no momento.

Com relação à questão emocional, não é de hoje que nosso time vem fracassando em jogos decisivos, infelizmente este fato não é novo (leiam mais em "O Bahia ainda manda em sua casa?") , e não aprendemos nada com os casos passados. Estamos entrando pilhados nos jogos, quando precisamos entrar ligador. Mas, nosso time possui alguns jogadores rodados, espero que neste momento de decisão, os mesmos assumam a responsabilidade de puxar o restante do elenco e que entrem todos como se estivessem disputando o último prato de comida. Se a apatia e o medo de decidir não for superado, não existe esquema tático que dê certo.

Gostaria muito de ver a Fonte cheia com nossa torcida vibrando e empurrando o time, mas acho que isto dificilmente acontecerá, mesmo nos bons momentos da equipe não enchemos o estádio, e o Bahia fracassou nas vezes que a torcida compareceu em bom número, assim,  o torcedor tem seus motivos para estar desconfiado e ressabiado. Teremos no máximo uns 10.000 aficionados tricolores na Arena, mas farão sua parte para levantar a moral dos jogadores. 

Finalizando, sou apenas mais um torcedor, mas como todos, também tenho meu lado de "treinador", por isto insisto que é hora de Doriva alterar o modo do time jogar, nosso time está previsível e eles já perceberam a nossa forma de jogar. Como já disse, esta difícil e complicado, mas nossa história nos faz acreditar na possibilidade de comemorar o TRI no domingo. Em 2012 e 2014, eles eram os favoritos, assim como hoje, mas a festa foi nossa.

2 comentários:

  1. Miguel,

    Análise perfeita do que o Bahia precisa fazer taticamente para tentar reverter a situação no domingo. O problema é que Doriva parece que não tem variações estáticas na cabeça e o que é, pior, não estuda o adversário e não aprende com os erros. Dificilmente, veremos uma mudança na forma de jogar no próximo domingo, pois implantação de variações táticas exige treino exaustivo e tempo. E ainda ter jogadores que se adaptem às mudanças. Portanto, além de não haver tempo hábil para treinar uma nova tática, o elenco do Bahia, principalmente entre os reservas, não oferece muitas opções ao treinador.

    Acredito que o grande foco para domingo deveria ser no lado psicológico. Coloquei em outro fórum que participo que o assunto Ba x vice deveria ser tratado, pelo menos, uma vez por semana no Fazendão, independente de ter jogo ou não. E em semana de clássico, todos (Diretoria, oposição, ex-presidentes, conselheiros, ex-jogadores, torcida organizada) deveriam acampar no Fazendão. Esta pressão positiva cria um ambiente favorável e dá segurança ao jogadores e comissão técnica para entrarem 100% ligados no clássico.

    Eu percebo que falta liderança dentro e fora de campo no Bahia. Falta um dirigente experiente fora de campo para colocar a cara para bater e rebater provocações vindas do lado do time aterro sanitário. Um dirigente que imponha respeito nos bastidores e que tenha credibilidade perante à torcida e aos subordinados.

    Dentro de campo, a situação não é diferente. Está faltando um ou mais jogadores que tenham ascensão sobre o grupo e que sejam referências positivas. Um líder que não se deixe abater com um gol ou uma derrota. Tem um vídeo de um lance da Copa de 58 que exemplifica a minha opinião. Após tomar o primeiro gol da Suécia, Didi buscou a bola dentro do gol e caminhou até o meio de campo sem demonstrar abatimento. Acredito que ali ele passou para os demais que "vamos virar esta porra". Fazendo um paralelo com a nossa derrota no domingo passado, acredito que Lomba poderia ter uma atitude de verdadeiro capitão. Após o primeiro gol da cachorras badameira, ele poderia pegar a bola no fundo do gol e entregá-la diretamente ao Hernane ou Thiago Ribeiro, jogadores mais experientes e a atacantes definidores, para mostrar que o time tinha que continuar lutando apesar do pênalti inexistente marcado pelo tal Daronco. Um gesto simples e simbólico que poderia dar um ânimo a mais no time.

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  2. Antônio José,

    Concordo com seu comentário, para domingo o mais importante é trabalhar a parte psicológica. Entretanto, mesmo na base da improvisação precisamos nos reinventar, ficou claro nos dois jogos disputados que nosso meio está perdendo o duelo, por isto arriscaria algo diferente.

    Miguel

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