Marca SóBahêa

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terça-feira, 10 de maio de 2016

Qual a verdadeira face do Bahia?

No famoso livro O médico e o monstro de Robert Louis Stevenson publicado em 1886, Dr Jekyll, o médico, tem como teoria que
"o homem, na verdade, não é apenas um, mas dois. Todo ser humano é dotado de duas naturezas completamente opostas equilibradas de acordo com sua saúde mental. Uma é boa, aquela que traz admiração das pessoas, compaixão dos mais velhos, elogios dos amigos e da esposa ou namorada; outra é má, aquela que é violenta, agressiva, mal-educada, feia e temida por todos. Quando bem distribuídas, com pequenas alternâncias de estado, o homem pode ser considerado normal, mas há os casos em que uma natureza se sobrepõe a outra, tentando se libertar. O problema torna-se grave quando quem alcança a liberdade é o lado negativo, gerando as fatalidades que estamos acostumados a presenciar nos noticiários." Fonte: http://www.passeiweb.com/estudos/livros/o_medico_e_o_monstro



Sei que o livro em questão trata-se de um conto de horror e suspense nada tendo haver com o futebol, o único ponto de interseção entre os dois é a origem, ambos são originários da Inglaterra do século XIX. 

Contudo, esta foi a melhor expressão que encontrei para definir o Bahia do primeiro semestre, tivemos nossa face boa que trouxe admiração da torcida, respeito dos adversários, e elogios da imprensa e cronistas. Nestes jogos, existiram bons momentos quando transmitimos segurança ao torcedor, jogamos um futebol convincente e conseguimos bons resultados, destaco o primeiro tempo da partida de ida contra o Fortaleza, a etapa inicial do primeiro BaVice do ano, a recuperação no Arruda na semi do NE, e especialmente os 90 minutos da segunda partida da final do Baiano. Nestas partidas, o Bahia se postou de forma adequada em campo, o esquema tático encaixou, os jogadores demonstraram qualidade técnica e comprometimento tático, e Doriva mostrou ter conhecimento e controle sobre o elenco.

Por outro lado, tivemos nossa face feia e temida por todos os torcedores, nesses dias quem alcançou a liberdade foi o lado negativo, gerando as fatalidades e vexames que presenciamos nos campos e noticiários. Destaco a goleada sofrida para o Orlando, o jogo da volta contra o Fortaleza, o segundo tempo do jogo na Fonte contra o Santa, a etapa final do primeiro BaVice do ano, e especialmente, a primeira partida da final do baiano. Nestes jogos, nossos jogadores foram apáticos e sem confiança, o esquema tático ruiu, e Doriva assistiu passivamente e impotente ao lado de campo o desastre que acontecia dentro das 4 linhas.

Assim como na "teoria" do Dr. Jekyll o segredo está em encontrar o equilíbrio entre as duas faces, sem dúvidas convivemos e conviveremos com ambas no Bahia, a que nos transmite segurança e nos empolga, e com a que nos assusta e desperta nossos piores pesadelos. 

Entendo que apesar de transitar entre o belo e o feio, e conseguir resultados piores do que os do ano passado, saímos de um segundo lugar e um título, para uma semi e uma derrota na final,   as circunstâncias da perda do Baiano e o bom futebol e a garra apresentados no último jogo trouxeram de volta o que mais belo existe na nossa história gloriosa, o eterno casamento e a paixão sem limites entre a torcida e o time do Bahia.

Não sei qual Bahia verei na Série B, claro que torço para ver o do último jogo, e temos elenco, treinador e condições para isto, entretanto sei que só conseguiremos nossos objetivos, se a magia e a interação entre time e torcida permanecerem como no domingo, assim ninguém segura o Esquadrão. 

2 comentários:

  1. Excelente sacada Miguel. Tivemos o Bahêa Médico e o Bahêa Monstro. Ambos. Se analisado apenas pelos resultados e considerando que não ganhamos nada (muito menos que no ano passado), daí o "monstro" andou solto demais. Porém, sem dúvida, houve virtudes, tanto administrativas, quanto no futebol. Aí o lado "médico" deu suas caminhadas. Penso apenas, com sua permissão, que não devemos buscar o equilíbrio, mas, sim, dar mais liberdade ao lado positivo e continuamente melhorar. Parabéns. Belo texto.

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  2. Miguel,

    Realmente, passeamos entre o otimismo e o pessimismo nestes primeiros meses do ano. Culpa dos frequentes insucessos em campo ao longo dos anos que fizeram a nossa torcida sofrer de transtorno distímico. Acredito que a torcida passou a ser mais crítica e razinza em relação ao time por ver a hegemonia estadual e regional fugir do seu controle. É difícil ficar imune ao pessimismo quando o time morre na praia em campeonatos, especialmente o estadual, que eram favas contadas em outras épocas. Irregularidades e armações à parte, o Bahia, em campo, pouco convenceu que estava tudo encaminhado para ganhar o Nordestão e o Baiano. Ficamos na dúvida até o último minuto.

    Concordo com Nilton que não devemos buscar o equilíbrio, mas alternar mais momentos positivos para minimizar os momentos pessimistas. E para isso, eu tenho a opinião que a devemos dar força a duas palavras: ousadia e ambição. Falta ousadia à diretoria para acreditar mais em um time competitivo desde o início do ano e ambição para não se conformar apenas em chegar às finais ou ser um dos quatro da série B. Claro que ambos sentimentos devem estar amparados na responsabilidade e na legalidade. Certamente, a ousadia e a ambição são grandes estímulos para alçar o clube a outro patamar que não seja servir de coadjuvante para os Ednaldos e Mundicos se vangloriarem no final.

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