Marca SóBahêa

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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Acho que já deu para Doriva

O maior patrimônio e a maior força do Bahia é a sua apaixonada e vibrante torcida. Com ela ao seu lado, o Tricolor conseguiu títulos inesquecíveis como os Baianos de 81 e 94, foi quase imbatível na Fonte Nova como em 88 e 90, e fez campanhas memoráveis com time e elenco limitados como em 85 e 2010. Ou seja, com a Nação ao seu lado, o Bahia é poderoso e quase invencível em casa; sem a Nação ao seu lado, o Bahia se torna um time comum e suas fragilidades ficam evidentes. Não por acaso o clube lançou a campanha #juntosvoltaremos, reconhecendo o que sempre defendi neste blog, mesmo quando critiquei duramente a postura da nossa torcida me tornando persona não grata na ABC (leiam: http://www.sobahea.net/2016/03/o-insuportavel-pessimismo-da-torcida-do.html e http://www.sobahea.net/2016/04/ha-razoes-para-reclamarmos-tanto-do.html), em suma o Bahia só voltará para a Série A se a massa tricolor estiver ao seu lado.


Mas, por que estou gastando tempo, espaço e teclado com a torcida, se o foco do texto, como exposto no titulo, deveria ser nosso treinador? Porque Doriva perdeu a confiança  e o apoio da torcida, porque com ele no comando a união Nação e time não existirá, e o #juntovoltaremos não passará de uma mal sucedida campanha de marketing.

Destaco que sempre defendi e preguei aqui no blog a contratação de Doriva para treinador do Bahia, explico os motivos:

1- a contratação de um medalhão para treinador só é garantia que gastaremos uma baba de dinheiro com salário, não é nenhuma garantia de desempenho dentro de campo. Vejam os casos recentes de fracasso de Felipão no Palmeiras, Muricy no Flamídia e vários de Luxa e Autuori. Então, trazer Abel como parte da torcida pede pode não ser a solução, se não me engano, em 98 ele era o treinador do Bahia que fracassou de forma retumbante na Série B, mesmo tendo o melhor elenco da competição.

2- Na contramão do citado no item anterior, treinadores novatos vêm dominando o cenário, Roger é líder do Brasileirão com o Grêmio, Jorginho, apesar de não poder ser considerado novato, mas está longe de ser um medalhão, lidera a B com o Vasco. Por fim, o Santinha com Milton Mendes surpreende e Fernando Diniz é a sensação do momento. Sem falar que o salário desta galera é infinitamente inferior ao dos medalhões. Desta forma, analisando estes dois itens, entendo que o Bahia acertou ao trazer um treinador iniciante

3- Doriva tem 4 ou 5 anos como treinador, não sei o tempo exato, neste período passou sem destaque no Furacão (por sinal, ano passado fez um bom início de campanha com Milton Mendes e hoje pena com Autuori); e fracassou vergonhosamente no São Paulo, neste caso defendo o treinador, pois o ambiente são paulino era péssimo, só melhorou este ano após a saída de alguns indivíduos que embaçavam o vestiário. Por outro lado, foi campeão paulista com o Ituano em cima do Santos, campeão carioca pelo Vasco, quando foi cortejado pelo Grêmio, e fez uma boa campanha na Série A com a Ponte, quando errou ao sair para o São Paulo. Ou seja, para um treinador iniciante, é um currículo que inspira confiança, quantos alcançaram os títulos paulista e carioca de forma seguida e com menos de 10 anos de carreira? Não lembro de nenhum, se alguém lembrar, posta nos comentários.

O conjunto dos motivos acima foi que me fez defender a vinda de Doriva.



No Bahia, Doriva começou o ano com um elenco limitado,  recém formado e recheado de jogadores da base, mesmo assim, obtivemos nosso melhor início de temporada da história. Ademais, recuperou Feijão e revelou Éder. Sobre o padrão de jogo tão criticado pela torcida, por não existir na opinião da maioria, Doriva varia do 4-2-3-1 e 4-1-4-1 quando está sem a bola e 2-2-3-3 e 2-1-4-3 quando está atacando, em alguns jogos estes desenhos são claros, como já demonstrei no post http://www.sobahea.net/2016/02/o-4-1-4-1-comeca-encaixar-mas.html

Porém, na hora da onça beber água, nosso time fracassou, fomos eliminados pelo Santa Cruz na semi do NE, o confronto foi equilibrado com leve predomínio do time pernambucano, treinado por um iniciante, e decidido pelo um erro; fracassamos também na final do baiano, quando fomos dominados pelo VCB na primeira partida e dominamos a segunda, confronto decidido pelos árbitros gaúchos; e fomos eliminados pelo Coelho, treinado pelo veterano Givanildo, outro desejado por parte da torcida, em dois jogos que dominamos completamente o adversário, sendo decidido pela incompetência do nosso ataque. Sem dizer que tomamos o maior sufoco da nossa história na Fonte no jogo com o Fortaleza, treinado por Marquinho Santos, outro pedido por parte da torcida e criticado por outra.

Na Série B, em 5 rodadas, temos 8 pontos conseguidos com 2 triunfos e 2 empates, aquém do que desejamos e podemos, ademais o time vem alternando um tempo ruim e outro bom. No jogo de ontem, fizemos um primeiro tempo bom, dominamos o adversário e desperdiçamos chances. Na minha opinião, o domínio era tão evidente que Feijão se tornou uma peça decorativa em campo. Por isto, não estranhei quando Danilo Pires voltou no seu lugar no final do intervalo, porém DP entrou muito mal, errava tudo e era incapaz de reproduzir o bom papel do jogo contra  o Vasco, quando também atuou recuado. Isto somado ao cansaço de Cajá fez com que perdêssemos o meio-campo, aí Doriva fez a leitura e a substituição erradas, entrou com Zé Roberto, mais um atacante, quando era necessário retomar o controle do meio. O resto todo mundo já sabe.

Encerrando, a torcida tem razão para pedir a saída do treinador, mas discordo daqueles que têm a saída de Doriva como um fim em si mesmo, como lembrou o colega Chico da Embaixada de Brasília, no intervalo do jogo de ontem, vários já bradavam pela saída do treinador e afirmavam para isto que o Bahia tem o segundo melhor elenco do torneio. Como vimos no cenário político nacional e em vários times, a simples troca do comando não resolve os problemas de imediato, milagres e soluções mágicas não caem do céu por isto.

A Diretoria está numa encruzilhada, tem obrigatoriamente de escolher entre Doriva e a Nação, eu já tomei meu lado, #tchauquerido.

7 comentários:

  1. Miguel,

    Tenho a opinião que a saída de Doriva seja inoportuna no momento, pois o maior problema do Bahia é a gestão do futebol na montagem do elenco. Este ainda está desequilibrado e não oferece opções para que o técnico seja cobrado efetivamente pelo que o time produz em campo.

    Em diversas partidas, Doriva improvisou jogadores em todos os setores porque não tinha jogadores especialistas da posição. Qualquer técnico terá dificuldade em trabalhar com um elenco sem peças de reposição adequadas.

    Acho que elenco do Bahia carece de reforços ainda para fazerem sombra aos titulares, principalmente um goleiro, um zagueiro, um lateral ambidestro, um frente de zaga e um atacante de área.

    Nunca achei Doriva com perfil para treinar o Bahia depois do fracasso de 2015. Fui a favor que o Bahia investisse em um técnico mais cascudo antes de formar o elenco de 2016. O Bahia sempre se deu bem com técnicos mais experientes (Zezé Moreira, Aymoré Moreira, Orlando Fantoni e Evaristo de Macedo são exemplos) e acredito que, após as experiências recentes com Marquinhos Santos, Gilson Kleina, Sérgio Soares e Charles, o ambiente tricolor exigia um treinador que imponha respeito e traga os jogadores para o seu lado.

    Se for para trazer uma nova aposta tipo Ederson Moreira, Cristovão Borges ou Marcelo Martelotte, é melhor qualificar mais o elenco e avaliar Doriva até a 15º rodada. Um novo técnico agora necessitaria de tempo para implantar suas ideias e, com certeza, não alcançaria resultados no curto prazo.

    Portanto, a minha cobrança pela instabilidade do time vai para a diretoria, que já disputou 7 campeonatos desde que foi empossada e teve sucesso em apenas um. Começou a disputar o oitavo campeonato e os mesmo erros persistem na formação do elenco.


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  2. Antônio José,

    Mais uma vez concordo com praticamente tudo que vc disse. Só tenho uma discordância, não sei se um treinador cascudo resolveria o problema, pois os que estão disponíveis no mercado adoram elencos numerosos e recheados de estrelas, o que não encontrariam no Bahia.

    Tenho sérias dúvidas se a saída de Doriva resolve todos nossos problemas, até citei sutilmente isto no texto, mas entendo que o clima criado com a torcida demonstra que ele não tem mais ambiente para continuar. Os jogadores já começam a se manifestar e criticar os colegas, mesmo sem citar nomes, publicamente, o que demonstra que já perderam parte do respeito pelo treinador.

    Entendo que o papel do treinador vem sendo bem feito por Doriva, que é colocar o time na cara do gol, o gol de Luisinho perdeu é o exemplo, qual a culpa do técnico ali? Como disse no post, só discordei da entrada de ZR, o resto ele foi bem ontem.

    Mas, o que me fez escrever defendendo a saída de Doriva é a crença que tenho que só subiremos com a torcida ao lado do time como foi em 2010. Era empolgante assisti os jogos do Bahia em Pituaço, mesmo o time jogando mal, a torcida estava ali apoiando, e acredito muito que este apoio foi fundamental para nosso acesso. Infelizmente, entendo que a questão da torcida com Doriva já é pessoal, e nada fará a maioria mudar de ideia, mesmo uma sequência de triunfo. Por fim, entre ele e o apoio da Nação ao time, fico com o último.

    Abraços,

    Miguel

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  3. Miguel,

    Qualquer mudança de técnico hoje vai apenas acobertar as falhas da diretoria de futebol na montagem do elenco. Porém, se for pra mudar, que seja com um técnico que coloque a barca nos eixos. Há pouco tempo, Marcelo Oliveira estava desempregado e era um excelente nome. Já foi técnico na 2ª divisão (Coritiba) com sucesso, tem um currículo vencedor nos últimos anos e impõe respeito.

    A torcida está com um pé atrás com Doriva porque foi vendida a ilusão que o elenco está entre os melhores da série B e este não atende a expectativa. Fica mais fácil trocar o treinador para justificar erros de contratação. Olhando para a composição do banco de reservas do Bahia dá vontade de chorar. Não tem um jogador que a torcida acredite que ele vai mudar o panorama da partida se ela pedir em coro.

    Acredito que o descrédito da torcida não seja apenas em relação à Doriva. Vai mais além. Ele está sendo a válvula de escape da torcida. Existem jogadores que caíram de produção nitidamente (Hernane e Thiago Ribeiro são os maiores exemplos) e não temos peças que substituam eles a contento no elenco. Aí o técnico é forçado a mantê-los por falta de opção ou, então substituí-los, por Henrique ou Zé Roberto. Qualquer técnico causará impaciência na torcida se não tiver um elenco qualificado em mão.

    Abraço e saudações tricolores

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  4. Amigos tricolores,

    Vou aqui expressar minha opinião, discorrendo ponto a ponto algumas questões.

    1- Doriva de fato foi mal no jogo de ontem. A primeira alteração foi uma tentativa absolutamente aceitável, tendo em vista o domínio do jogo e o fato de Feijão estar participando muito pouco da dinâmica do time. Além disso uma dupla de volantes com Juninho e Danilo Pires sempre foi defendida por uma grande parcela de torcedores, que preferem um estilo mais ousado.
    Acontece que, ao menos nessa partida, a dupla não funcionou. Não demonstraram entrosamento algum e Danilo ficou absolutamente perdido em campo, sem conseguir executar as funções defensivas e se movimentando desordenadamente ao ataque.
    Com isso o Bahia perdeu o meio e o setor se desconectou completamente do ataque, o que foi agravado pelo declínio físico de Cajá.
    Na segunda alteração, no entanto, quando chegou a hora da substituição, provavelmente já programada, de Cajá, Doriva errou ao deixar de preencher o meio campo com um jogador da posição e acabou colocando um Zé Roberto que até hoje só se mostrou minimamente produtivo jogando muito próximo da área, para não dizer centralizado como 9.
    Assim agravou-se o problema da conexão entre a defesa e o ataque e o Bahia ficou completamente sem meio e não conseguiu ordena praticamente nenhuma ação. Foi ai que a impaciência da torcida atingiu seu ápice, com o sem numero de erros que o Bahia cometeu.
    No final do jogo o Bahia conseguiu chegar algumas vezes, na base da vontade do jogadores, mas cabe lembrar que Doriva perdeu outra oportunidade de recuperar certa consistência no meio na terceira substituição, quando tirou um cansado Edgar Junio e colocou um totalmente improdutivo Henrique.

    2 - Sobre o trabalho do time até aqui, acho que o time tem um volume de jogo muito grande, e que apesar de criar varias chances, elas ainda são poucas em relação ao domínio que o Bahia geralmente exerce no campo ofensivo. Pra piorar, a concretização dessas chances em gols é pífia.
    Acho que o trabalho de Doriva, nesse sentido, é bastante razoável, afinal segundo as estatísticas o Bahia é o time que mais finaliza, mais da assistência para finalizações e que mais cruza em toda a competição. Isso demonstra que a movimentação e a forma de jogar da equipe estão corretas, mas que falta aprimorar a sintonia fina entre os jogadores e/ou que estes estão falhando muito individualmente. Acho que o treinador tem sua parcela de culpa nesses aspectos negativos, mas acredito que a equipe está muito ansiosa, inclusive porque falhou nas competições disputadas ate aqui, sobretudo pela cobrança da torcida. Também acho que melhoras efetivas no futebol demandam tempo, e que a tendência é a equipe ir melhorando nesses aspectos. Lembremos que muitos jogadores importantes são recém chegados

    3 - Quanto ao elenco, discordo de António José. Não que o elenco do Bahia seja um primor, de fato não o é. Mas, com todo respeito a opinião do colega tricolor, dizer que é ilusão que o Bahia não tem um dos melhores elencos da série B é uma analise irrealista. Na minha opinião, o Bahia tem de fato um dos melhores elencos da competição, talvez até o melhor. Se olharmos o elenco do Vasco, por exemplo, veremos que não tem nada de espetacular. Observe que todo jogo Jorginho mantêm a equipe titular em campo até praticamente o fim do jogo, isso porque, apesar do Vasco ter vários dos melhores jogadores da segunda divisão nos 11 iniciais, o elenco em si é bastante limitado.
    Já o Bahia tem mais opções, que embora não sejam as peças perfeitas, podem colaborar numa serie B.

    (Segue abaixo)

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  5. 4 - Não sou fã numero um de Doriva e nunca foi minha preferência para assumir o Bahia, no entanto sempre concordei que havia boas razoes para que a diretoria achasse que ele pode dar certo. Durante a curta carreira ele tem alternado ótimos trabalhos com alguns que deram errado. Além disso, acho que dar tempo de trabalho ao treinador e sua comissão técnica é a melhor receita para o sucessos.

    5 - Também acho de extrema importância o sintonia do time com a torcida e acho muito difícil que a torcida pare de pegar do pé de Doriva, a não ser que o Bahia embale uma sequência de resultados muito bons.

    6 - Diante disso, não sei se é melhor substituir Doriva agora. Prefiro torcer para que o time finalmente passe a acertar os últimos passes e as finalizações, que os novos contratados se encaixem bem e que o Bahia tenha uma sequência de resultados bons e traga a torcida pro lado de Doriva. Esse seria o cenário perfeito. Então acho melhor dar algumas rodadas as mais para ele, mas se o time não engrenar será necessário trocar de treinador para que o time não entre num ciclo vicioso de queda do desempenho e pressão da torcida.

    Abraços aos amigos tricolores e parabéns a Miguel pela qualidade do Blog.

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    1. Prezado João Severiano,

      Vimos o mesmo jogo, concordamos sobre os erros e acertos do time contra o Náutico. Também torço e muito para que o time se acerte com Doriva, mas acho que a torcida não dará trégua ao treinador, e isto é ruim para o dia-a-dia da equipe, pois acaba contaminando os jogadores.

      Obrigado pelo elogio ao blog. Reitero que este é mais um espaço para interação entre os tricolores, e até o momento, vem sendo bem sucedido, pois todos os comentários aqui postados agregam valor à discussão.

      Abraços,

      Miguel

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    2. Concordo em alguns pontos com você Miguel e demais tricolores. Durante estes 5 meses, Doriva não conseguiu implantar um padrão de jogo, não tem um time definido e não mostrou ser um estrategista que analisa seus adversários e varia a forma da equipe jogar conforme a proposta rival. Enfim, o time do Bahia é muito previsível, sob o seu comando, além do que falta a vibração e a garra, característica dos treinadores que estavam a frente do clube em suas maiores conquistas. E, sem a confiança e apoio da torcida, fica difícil a subida. Mas, por outro lado é preciso cautela neste momento ao analisar a substituição dele, visualizo duas situações específicas 1) a trocar de treinador já ambientado ao elenco e com um trabalho em formação em apenas 5 partidas, pode ser precipitado, mas por outro lado, esperar demais que o time emplaque, como aconteceu com Sérgio Soares no anos passado, pode fazer a vaca ir pro brejo. Entre essa sinuca de bico das opções acima, a minha opinião é uma terceira alternativa: 3) Dar a Doriva uma trégua até a 15ª rodada. Se os resultados não aparecerem, têm que se tomar uma providência e a mais rápida, mas nem sempre eficiente é a troca de comando. No entanto, também sou partidário da idéia do tricolor Tom Zé que se for pra trocar de técnico tem que ser um treinador experiente com um contrato de produtividade e completa autonomia. A partir do meio do campeonato, não se pode perder mais tempo.

      Abraços aos grandes tricolores Miguel e Tom Zé
      Miguel parabéns pelo seu blog e sucesso

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