Marca SóBahêa

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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Cabeça nas nuvens, pés no chão

Vai recomeçar a Série B para o Bahia, foram 10 dias de seca e espera para sua apaixonada e cada vez mais ansiosa torcida. Neste período, o clube passou por uma turbulência digna de tempestade aérea; o elenco foi isolado no paraíso de Porto Seguro, onde deve ter se dedicado a dias de treino intenso;  o Presidente, MS, sofreu um duro, merecido, porém exagerado, processo de execração pública por parte da imprensa e torcida; jogadores foram justa e injustamente dispensados; e contratações foram realizadas ou encaminhadas.


Os torcedores do Bahia adoram relembrar suas glórias do passado, é sempre bom falar de 59, 2010 e, em especial, 88, pois vivi de perto esta história. Mas, em momentos como o atual, precisamos também lembrar e refletir sobre os anos que fracassamos, pois como dizem "a derrota e o fracasso servem como aprendizado". 


Infelizmente, não vejo esta reflexão por parte da diretoria e da torcida. Cobramos um time recheado de estrelas e jogadores caros, mas esquecemos que em 98 quase fomos parar na terceira com um time repleto de jogadores tarimbados e conhecidos, mas pouco comprometidos. Alguns com salário na casa de R$ 40.000,00, quase 20 anos atrás. Para quem não se lembra, tínhamos jogadores como Jean (dispensa apresentação), Fábio Baiano (lateral ex-flamengo), Jorge Luiz (zagueiro que jogou em diversos clubes do S e SE), Marquinhos (excelente meia que jogou no Flamengo), Axel (volante que atuou no São Paulo), Uéslei (ídolo da nossa torcida) e Sílvio (centroavante que jogou no Fluminense), tinha ainda boas revelações da base como Clébson e Róbson Luiz, treinados por Abel  Braga. 

Só sei que este time formado por jogadores com vasta experiência na Série A, jogava com a certeza que a volta era questão de dias, era só cumprir aquela enfadonha rotina contra times menores, contudo a soberba nos fez amargar um quinto lugar em um grupo de seis, sendo eliminados na primeira fase. Para a galera que gosta de falar que a B de 2015 foi uma das mais fracas da história, na qual me incluo, o quadrangular final de 1998 contava com as potências: Gama, Londrina, Botafogo/SP e Desportiva/ES, subindo os candangos e os paulistas.


O que falar de 2005, quando contratamos o treinador sensação da época, Jair Picerni. Não teve quase, fomos parar na Série C. Apesar de contar com alguns bons jogadores (Uéslei, Viola, Dill, e Cícero) o time fez uma campanha lamentável. Pelo que me lembro da época, o problema maior foi a desavença dentro do elenco relacionada à questão financeira, apenas alguns jogadores recebiam em dia, enquanto outros penavam para receber; além da total incompatibilidade entre treinador e atletas.
Por fim, o recente fracasso de 2015, no primeiro post que fiz exclusivamente para este blog (O que esperar do Bahia na Série B: A confiança que frustra: http://www.sobahea.net/2015/12/o-que-esperar-do-bahia-na-serie-b.html) lembrei que o excesso de confiança poderia impedir o acesso, infelizmente acertei, pois era evidente o discurso otimista e irresponsável que reinava no Fazendão.
Fiz questão de lembrar dessas histórias infelizes do Bahia, pois o clima de otimismo exacerbado da torcida, pé no chão galera; a ilusão de termos o melhor elenco da Série B; pé no chão galera; a conversa sobre colocar ou não a estrela pela conquista da segundona, pé no chão galera. Cenário vivido após o terceiro triunfo consecutivo, reviveu em minha cabeça os filmes destes 3 anos citados, em especial o de 1998, ano que reputo como um dos maiores fracassos da nossa história.
Depois das seguidas derrotas, fomos do céu para o inferno: passamos a ter o pior presidente da nossa história, menos galera; o elenco passou de melhor para muito ruim, ou seria lixo, menos galera; e os profetas já nos colocam na Serie B em 2017, menos galera.

Hoje, vejo o Bahia mais próximo do time de 2015 do que de 2010. Nos jogos contra Tupi e Londrina, nosso comportamento em campo era típico de quem acredita que sua superioridade no papel é suficiente para garantir o triunfo, duas porradas na cara que parecem não ter acordado os atletas do Esquadrão, espero que as mais recentes contra Ceará e Vila Nova tenham efeito contrário; ainda acho que falta comando e mais experiência ao nosso Presida, aquele arroubo de rigor, dizendo que mudanças viriam em 48 horas, confrontado com a "vergonhosa" lista de dispensa, mostra que MS usou o fígado e não o cérebro para falar; ou seja, ainda existem diversos entraves em diferentes níveis a serem enfrentados no caminho do acesso.
Por outro lado, entendo que foi bom os problemas estourarem já agora, os dias em Porto Seguro devem ter servido não apenas para entrosar o time dentro de campo, mas principalmente fora, os jogadores não precisam ser amigos, mas precisam se respeitar e lutar um pelo o outro em campo; direção, comissão técnica e atletas precisam estar na mesma sintonia, o dion do rádio precisa ficar na mesma estação, aquela que toca o mantra, Séria A é obrigação; os pés precisam estar fincados no chão, as cabeças não podem estar nas nuvens, precisam estar focadas no objetivo, com humildade e sem devaneios. Faltam 69 pontos, precisamos de 45, temos time para tanto, basta confiar e focar. Posso ser um irresponsável otimista, mas pelo nível que vejo na Série B, temos totais condições de ganhar 15 jogos, ou fazer outra combinação de resultados para obter 45 pontos.

Da minha parte e de boa parte da torcida, sempre estaremos com a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Vamos sonhar e acreditar em dias gloriosos para o eterno Bahia, mas seremos cientes das dificuldades, tolerantes e continuaremos ao seu lado nos fracassos.

 Mas não precisamos saber pra onde vamos
Nós só precisamos ir



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