Marca SóBahêa

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segunda-feira, 18 de julho de 2016

EC Bahia: soluções simples para problemas complexos

Este é o tipo de post que não gosto de fazer, prefiro escrever sobre os jogos, pois são disputados na frente de milhares de pessoas, milhões se contarmos os telespectadores, sob as luzes dos holofotes ou do sol, e com dezenas de microfones e câmeras gravando o que acontece, mesmo assim, me prendo aos aspectos táticos e técnicos da partida, pouco falo sobre arbitragem, por desconhecer o que se passa nos bastidores. Contudo, o jogo sobre o qual pretendo tecer alguns comentários neste post, é disputado nos bastidores, nas sombras e penumbras dos imensos salões, sem registro auditivo ou fotográfico, falo da guerra surda e suja pelo poder no Bahia, ou como prefere o torcedor, da saída de Marcelo Santana.


Recentemente li no blog contribuições e travessias (http://cctt77.blogspot.com.br) o excelente texto "A mentirosa e demagoga verdade simples", uma boa e profunda análise da situação política nacional. Logo de cara, o trecho abaixo me chamou atenção:
Conta-se que um secretário de Estado do presidente Kennedy recebeu dois projetos para levar o homem à Lua. Um apresentava-se em quatro ou cinco volumes e outro numa fina brochura. Ele teria dito ao assessor, sem mesmo lê-los: ­pode descartar aquele menor, verdades simples não resolvem os problemas que temos aqui.

A partir daí, os autores demonstram como os brasileiros adoram soluções simples para problemas complexos, como nos iludimos e nos deixamos levar por falsos Messias e salvadores. É a mesma sensação que tenho hoje quando leio sobre o meu amado Bahia. Pouco tempo atrás, a solução era muito simples, tira Doriva que vamos deslanchar e brigar pelo título da B com o Vasco, afinal de contas, temos o elenco mais qualificado da Série B, era o que pensávamos. Doriva se foi, mas junto com ele não foi o nosso péssimo futebol, pelo contrario, está cada vez mais presente, enquanto nossas principais peças estão cada vez mais ausentes ou escondidas durante as partidas.

Depois, Éder Ferrari foi pego para Cristo, sendo o causador do mal estar entre os jogadores e da indisposição dos mesmos. Foi defenestrado, melhorou o clima no elenco? Pelo que entendi das palavras do Brocador, não, o clima continua pesado e nada amistoso entre os atletas.

Agora, a solução já é um pouco mais complexa, mas continua simplória e enganadora, vamos depor MS e tudo se resolve, pois, como dizem, ele é fraco, sem comando e sem preparo para ser Presidente desta grande Nação. Concordo que MS vem demonstrando despreparo para ser nosso comandante, a fala após a derrota para o Vila quando comparada ao que foi feito, mostra claramente isto. Reitero o que já disse aqui, a torcida está certíssima em centrar as maiores cobranças na Diretoria Executiva do clube, mas, pergunto, será que a saída de MS fará nosso futebol reaparecer? O Bahia voltará a ser respeitado no cenário nacional? Tenho minhas dúvidas, acho que o buraco tricolor é mais fundo, e não vai se resolver em pouco tempo ou com soluções mágicas.
Peguem como exemplo o Vasco, tudo passava pela saída de Eurico Miranda e de seus velhos métodos. Eurico caiu, veio Dinamite, jogador respeitado e pessoa experiente e conhecedora do meio futebolístico, fracassou. Voltou Eurico e com ele o respeito, foi rebaixado. O problema era o presidente ou a estrutura arcaica que reina no Vasco? Um grupo minou o outro?

Posso estar falando besteira. Como já disse, esse jogo é jogado nas trevas, sendo quase impossível perceber os lances tramados pelos participantesMas, entendo que a luta pelo poder no Bahia vai muito além dos resultados dentro do campo, passa inclusive por questões partidárias, repito partidárias, entre grupos que tentam ter nas mãos o clube de maior representatividade do NE brasileiro. Por que será que neste momento de crise não aparece ninguém para estender a mão? Cadê os caras que amam o Bahia? Cadê a oposição do Bahia, ninguém tem nada a falar, a propor, a colaborar? Será que estamos diante de uma luta pelo bem do clube ou de projetos de poder? Será que esquecemos do nosso passado recente quando berramos devolva meu Bahia ou apoiamos o Bahia da torcida?
  
Será que nós torcedores não estamos fazendo papel de fantoches? Não acho que a ruptura do processo democrático, um avanço trazido pelos atuais detentores do poder, é a solução, prefiro esperar pelas novas eleições e lá, como sócio que sou, escolher um candidato que represente a torcida do Bahia, e não grupos que querem o clube para proveito próprio. Mais uma vez recorro ao texto citado anteriormente para finalizar este post, pois ilustra bem a reflexão que a Nação Tricolor precisa fazer:

Enquanto a política no Brasil [o Bahia em campo] se esboroa e apodrece, alguns agem como vermes ao se locupletar com os espólios da carniça. É preciso, ao contrário, valorizar a responsabilidade democrática. Se pretendemos chegar à Lua, é preciso ser consequente, ser honesto com os problemas e com a diversidade da sociedade. Não é de aventureiros verdadeiramente sem escrúpulos e falsamente santos que precisamos, mas de gente que compreenda que na política há um diálogo de pessoas que devem ser respeitadas e questões reais que devem ser tratadas com consequência. O demagogo é um oportunista, que se aproveita da política para benefício próprio e estiola a energia cívica. Demagogos devem ser repelidos. 

Enfim, como se pode notar, tenho muito mais mais dúvidas do que certezas, entretanto não serão com soluções simplistas que visam somente o curto prazo que resolveremos nossos problemas. Temos sim, é de tirar o Bahia da mão dos grupos que só pensam em si e pouco na paixão do torcedor, mas tudo tem seu tempo, e este chegará, afinal, como dito em uma das campanhas anteriores "O BAHIA TEM DONO, O SEU TORCEDOR".

3 comentários:

  1. Também acho que a simples retirada de MS e sua equipe não trarão o bom futebol de resultados, de volta, pelo contrário corre-se o risco de ter que recomeçar todo um planejamento no meio de uma temporada e com a competição mais importante para o clube, em andamento. Os verdadeiros torcedores e apaixonados pelo Bahia, tem é que se associar e cobrar da Diretoria atual, transparência e providências, o próprio conselho deliberativo tem que atuar mais e cobrar providências. E os verdadeiros torcedores, críticos e insatisfeitos que se organizem, apresentem propostas e comecem a campanha democrática para a próxima eleição presidencial. Até lá, a solução é cobrar da Diretoria, atitudes, e no mais, apesar de todos os erros de MS e cia, respeitar a democracia, pois soluções milagrosas para esse status quo tricolor não virão, conforme você afirma com toda propriedade, Miguel, da noite para o dia. Avanços são progressivos, não podemos apostar no quanto pior, melhor, pois o que está em jogo e acima de tudo, é a grandeza do clube Bahia e não, os seus dirigentes atuais.

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  2. O Esporte Clube Bahia é um clube de futebol. Daí já podemos concluir que nele existe naturalmente uma disputa partidária pelo poder. Assim também é no Vasco, no Vice, no Inter, no São Paulo, no Palmeiras, no Galícia, etc...

    Certamente grupos de oposição a MS promovem barulho e incentivam torcedores a pedir a sua saída (principalmente o do seu xará ladrão), mas esperar que estendam a mão ou proponham soluções é mais complexo. Componentes destes grupos também são torcedores, e os torcedores em geral encontram-se (como o blogueiro) com muitas dúvidas e uma certeza: o barco vai mal.

    Eu discordo da saída de MS agora (e espero que mesmo com o Bahia melhorando a torcida não se esqueça desta fase na próxima eleição). Mas ele deu um sinal positivo com a demissão de Ferrari, reconhece finalmente que estava mal assessorado, e que clube de futebol negociando diretamente com jogador e chamando empresários de bandidos é para times da série D ou abaixo.

    MS vinha conduzindo razoavelmente bem o Bahia. Contratou Soares e depois Pimentel. Tocou esse projeto com Ferrari, e só depois Alexandre Faria foi contratado. Durante aquele ano (2015) MS e Ferrari endureceram o jogo com os empresários do futebol, mas o discurso deles (de torcedores vinculados ao clube) não teve o tom profissional exigido por uma equipe do porte do Bahia.

    Assim aos poucos o projeto tricolor foi ruindo, iniciando pelo fato de Soares ter que se virar para criar um esquema sem Pittoni, depois sem Maxi, depois sem Tite...

    Não deu certo: Demite Soares, bota Charles.
    O time não subiu: Demite Alexandre Faria e Charles, bota Nei Pandolfo e Doriva.
    MS e Ferrari deveriam ter se dado conta das falhas neste modelo de gestão quando levaram uma "rasteira" de empresários que levaram Raylan e Vitor sem dar nenhuma satisfação ao tricolor, que negociava diretamente com os atletas.

    Finalmente, sem acordo com Maxi e Valongo, decidiram afastar estes atletas com todas as mordomias, deixando uma aparência que o Bahia é o clube ideal para o jogador estressado, que precisa relaxar um pouco, dar um tempo, e cair fora.

    Até então só falei de 2015. Os planos de MS com Ferrari para 2016 eram outros, mas a filosofia permaneceu a mesma e não vou perder tempo comentando as lambanças deste ano. Quando se viram acuados pela torcida sobrou para Doriva, mas àquela altura a troca por Gordiola não despertou o interesse nem de jogadores nem de (bons) empresários.

    Sei que Ferrari e MS são amigos e torcedores como nós, mas torcer é uma coisa e gerenciar é outra. Deve ter sido fácil para MS escolher uns jogadores e atirar na fogueira, mas duvido que tenha demitido Ferrari com convicção. Nesta demissão sim, pode ter havido certa "colaboração" de setores da oposição.

    Agora precisamos de um bom gerente de futebol e a tarefa não é fácil. Nem temos tempo para isso. Espero que MS tenha como se recuperar rapidamente destes fiascos e que tente fazer alguma coisa para profissionalizar a gestão de futebol no Bahia, salpicando um pouco de dignidade em seu mandato.

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  3. Miguel,

    Mais uma vez o parabenizo pelo excelente texto.

    "Será que estamos diante de uma luta pelo bem do clube ou de projetos de poder?"

    Pincei esta frase do seu texto para definir o que penso sobre Marcelo Santana e outros candidatos que se apresentaram nas eleições como salvadores da Pátria. Diante de tanta coisa que já li e ouvi sobre a "democracia" no Bahia, digo sem medo de errar: Marcelo Santana é fruto da politicagem enraizada no clube e que transformou o processo democrático em fim e não meio para gerir o clube. Os grupos políticos utilizam a democracia para atingir seus projetos de poder. Ninguém está preocupado em unir ideias e experiências para o bem do clube. O que importa é fazer com que as ideologias e pensamentos próprios sejam implementados por meio do voto. Ganhar a eleição é o passaporte para colocar o projeto de poder em prática, mesmo que isso prejudique a atividade-fim do clube. Eu já tive a oportunidade de participar de algumas reuniões e debates promovidos pelos grupos políticos do Bahia e percebi que há uma briga de egos muito grande. A caminhada democrática do Bahia ainda vai sofrer muito para se consolidar. Ainda vão aparecer muito candidatos com perfil de donos da verdade.

    Com relação à administração de Marcelo Santana, eu concordo contigo e com Avena que a retirada na tora de Marcelo Santana não irá resolver os problemas do Bahia no curto prazo. Porém, eu já comentei anteriormente que ele tem que começar a pensar na possibilidade de renúncia para o bem do clube. Isto não tem nada a ver com pensamento antidemocrático ou golpista. Até porque a renúncia é uma atitude de cunho íntimo. O Bahia está passando por uma crise de gestão no futebol que não dá para entender. Falam que os salários estão em dia, que a estrutura melhorou, que a relação entre os funcionários x diretoria é a melhor dos últimos anos e que o Bahia é um clube que voltou a ser atrativo para o mercado da bola. Melhor do que isso é impossível para um ambiente fraterno de trabalho. Será que a postura laissez-faire da diretoria acomodou os envolvidos no futebol? Será que o tal projeto que os jogadores tanto falam após serem contratados tem metas pouco agressivas ou é uma farsa? Será que a inexperiência de Marcelo Santana está sendo explorada negativamente pelos envolvidos no futebol? É difícil chegar a uma resposta objetiva e plausível sem que alguém, internamente, dê uma pista.

    Os resultados de Marcelo Santana em campo tem sido ridículos. Vários campeonatos disputados e sucesso apenas em um, mesmo assim questionável por não ter sido ganho contra o rival do aterro sanitário. Estamos falando de um clube que almeja o profissionalismo em todos os setores e, principalmente, no futebol, que é o carro-chefe. No meu ponto de vista, uma boa gestão traduz-se pelos resultados em todos os campos e no que deixou de substancial quanto à agregação de valor a marca da instituição. Não percebo avanço nesta área. A administração de Marcelo Santana não está conseguindo valorizar a marca Bahia como ele idealizou. Títulos, triunfos contra o maior rival, formação de ídolos, campanhas dignas do investimento e de apoio da torcida são exemplos de como ter sucesso no futebol. Marcelo Santana pecou muito e acho difícil a torcida ter a paciência necessária para suportar a outra metade do mandato dele. Por isso que a renúncia é um instrumento válido no ambiente democrático para aqueles que tem a hombridade de reconhecer erros e que coloca o interesse geral acima dos pessoais.



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