Marca SóBahêa

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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Ladeira abaixo

Salvador é famosa por suas belezas naturais, mas também pelo seu relevo, temos a Cidade Baixa e a Cidade Alta, e haja ladeira para subir e descer. Infelizmente, não é incomum um caminhão ou um ônibus perder o freio e descer a ladeira desgovernado, causando um razoável estrago. Sei que isto não tem nada haver com futebol, mas é a única metáfora que me vem à cabeça para descrever o que está acontecendo com o Bahia, são impressionantes e vergonhosas 6 derrotas em 7 jogos, sendo 2 em casa para time que acabaram de subir da Série C.

Desde a derrota para o Cricíuma que o Bahia perdeu o freio e embicou na ladeira, nada para ou consegue frear a desgovernada máquina tricolor. Trocamos de técnico, testamos novos esquemas, enfrentamos times medíocres, mas continuamos despencando na tabela e se afastando do G4, deixando o sonho do acesso cada vez mais distante, ou seria cada vez mais parecido com um pesadelo.

Temos estrutura, os salários estão em dia, temos elenco mais qualificado do que os dos oponentes, temos um treinador que vem de um bom trabalho na Série A, entretanto não dá liga, o tico e o teco não conversam e o time fica acéfalo e incapaz de produzir em campo. Tenho colegas que conhecem funcionários do departamento de futebol do clube, e são unânimes em dizer que não há nada errado internamente, então não vou ficar fazendo ilações, vou tentar falar do jogo.

No início do jogo, Guto Ferreira disse que não tinha tido tempo para treinar a equipe, que tinha sido na base do papo e da lousa, mas pelo que se viu em campo ou ele fala e escreve em javanês ou os jogadores do Bahia estão cegos e surdos, pois desde o primeiro minuto fomos um bando em campo, a bola parecia um meteorito, pegava fogo nos pés dos nossos atletas, ninguém parava a bola ou raciocinava, era só na base do bumba meu boi. 

Mais uma vez, nosso meio não existiu, o Vila adiantou a marcação, deixando nossos zagueiros livres para tocar a bola, mas nossos volantes Feijão e Juninho, e nosso meias Danilo Pires e Cajá estavam bem marcados e foram incapazes de se livrar da marcação para criar alguma coisa. Nossa única chance no primeiro tempo, foi numa bola roubada por Feijão que lançou para DP, após o cruzamento na área Cajá chutou na zaga e no rebote Juninho chutou bem, mas a bola desviou e foi para a fora, este foi também o único lance que os 4 do meio participaram de forma conjunta.

Mas, a porra começou a pegar mesmo foi após os 35 minutos, o Bahia sumiu em campo e o Vila criou duas chances. Entendo que o Bahia estava perdendo o meio, precisava reforçar este setor, mas GF voltou com Thiago Ribeiro no lugar de DP, o resultado foi um time acuado, sem capacidade de passar da linha intermediária. Vendo isto, Guilherme avançou seus avantes, assim nossos zagueiros já não tinham liberdade para tocar a bola, e foi justamente assim que nasceu o gol deles, Éder saiu errado, a bola foi parar na esquerda do ataque, e num cruzamento fechado dentro da pequena área tomamos o gol, não culpo Jean, mas ficou evidente sua baixa estatura.

GF me lembrou Doriva nos seus piores dias, não conseguiu enxergar e alterar o panorama da partida. Depois do gol deles, fomos para o tudo ou nada, a torcida injustamente vaiou Hayner, acertadamente vaiou Cajá e ThR, perdemos duas chances com Edigar Junio, novamente nulo pela direita, corremos e tentamos em vão. Não acho que faltou raça e vontade, faltou qualidade técnica e postura tática. O Bahia se tornou passageiro da sua própria agonia.



Reconheço que sou extremamente otimista, inclusive o último post era nesta linha, porém já não tenho mais a certeza que tinha dias atrás do acesso tricolor, agora é esperar os dez dias de treino em Porto Seguro, pelo futebol apresentado os caras deveria passar estes dias no Cafundó do Judas, os reforços, as dispensas, e a tão propalada competência de Guto para ver o que acontece nos 4 últimos jogos do turno.

4 comentários:

  1. Miguel,

    Eu não tenho estômago para descrever algo sobre o jogo que assisti ontem. Uma vergonha, falta de comprometimento e de responsabilidade o que foi apresentado por todos envolvidos no jogo. Só nos resta orar para que a ladeira não seja uma da Água Brusca ou uma do Funil para nos levar de volta à série C. Estamos caminhando para fazer um segundo turno de luta para nos manter na série B apenas.

    Urgentemente, tem que ser instalado um gabinete de crise no Bahia. A diretoria tem que acabar com vaidades e apego ao poder e chamar tricolores com experiência e independente de corrente política para tentar estabilizar o ambiente deteriorado do futebol.

    Marcelo Santana disse o seguinte em entrevista no final do jogo:

    "Estávamos conversando, fazendo uma metáfora, estamos todos no mesmo barco. Para esse barco chegar em segurança, se precisar cair alguém, vai cair. Mas o barco tem que chegar em segurança."

    Ele tem que se incluir nesta possibilidade de alguém cair para o barco chegar em segurança. Ele tem que começar a refletir sobre a possibilidade de renunciar para o bem do clube. Tem que ter a hombridade e ética para reconhecer que falhou no sonho de ser presidente do Bahia.

    Ele já conseguir muitos objetivos pessoais nesta empreitada como presidente: divulgou a monografia de MBA dele pela mídia, conseguiu passear nos Estados Unidos, viu uma final de Champions League e até ganhou um campeonato.

    Agora chega. O Bahia não é instituição assistencialista para acolher pessoas frustradas com a profissão que escolheu. Se na época da corja, o nepotismo era quem dava as cartas no clube, onde cunhado , irmãos, filhos e amigos de infância foram brindados com cargos no clube, agora é a vez do corporativismo. Estamos vendo jornalistas, advogados e ex-jogadores colegas de mídia com sérios problemas de vocação profissional sendo colocados dentro do clube para exercerem posições-chaves no futebol.

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  2. Pois é Antônio, dias atrás também falei do barco a deriva que estava o Bahia. Não gosto muito de falar dos bastidores, pois sempre fica no nível da suposição, no campo estou vendo o que acontece,mas claramente houve erros na montagem do elenco, inclusive da personalidade de alguns atletas,e parte deste erro tem de ser assumido por nós torcedores.Mas, de fato, o Presidente cada vez mais se mostra inexperiente para o cargo.

    Abraços,

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  3. MS de sangue quente após o jogo falou besteira (mais uma vez) para a imprensa e certamente se viu acuado por suas próprias palavras horas mais tarde diante de seu espelho.

    "...muitos atletas não jogarão mais pelo Bahia." Ele disse.

    Thiago Ribeiro comemora. Morria de inveja do Maxi mantendo a forma na academia e recebendo salário sem precisar nem treinar. Agora está sonhando em abraçar essa boquinha...

    O Brocador também só tem a comemorar. Saiu xingando a torcida depois de fazer sua obrigação contra o Oeste, e ainda incitou o garoto ZéRo a provocar a torcida depois de também cumprir sua obrigação no mesmo jogo. Agora pode sair dizendo que seus números na série B são RIDÍCULOS
    porque o time todo está mal, escondendo assim sua própria incompetência.

    Até o garoto Hayner pode se dar bem..., sacrificado pela torcida, pode desenvolver seu bom futebol em algum clube que lhe dê a tranquilidade necessária para isso, certamente com um departamento de futebol envolvido com as questões emocionais que interferem no rendimento dos atletas.

    Outros também devem ter muito o que comemorar. O falastrão Presidente recolhido em seu silêncio do dia seguinte já sentiu que virou o foco da torcida e da imprensa, e refém das próprias palavras, tentará resolver em alguns dias um problema que vem sendo criado há muitos meses (para piorar, é ele mesmo o autor de toda esta lambança).

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  4. 10 lições de como contaminar um ambiente de um clube:

    1 - Coloque um amigo e jornalista em uma função-chave no departamento de futebol para tratar com os jogadores, que, até dois anos atrás, era um severo crítico de jogadores e da administração do clube, soltando o verbo sem censura pelos blogs e jornais da vida.

    2 - Após emprestar um jogador já desgastado com a torcida, reincorpore-o ao elenco mesmo contra a vontade dele, dê a faixa de capitão e tente impô-lo como ídolo novamente com parte da torcida contra.

    3 - Recontrate um jogador que chamou de traíra por ter abandonado o clube e espere que o tempo apague a sacanagem de ambas partes.

    4 - Contrate um ex-jogador com fama de desagregador para ser o elo entre os jogadores e a diretoria. Tente impô-lo como uma pessoa que tem bom trâmite entre os jogadores mesmo sabendo que grupo, respeito ao colega e boa convivência nunca foram virtudes fortes deste ex-jogador.

    5 - Encha o elenco com uma geração de jogadores da base, pulando etapas e sem suporte necessário, e arrote que está fazendo política de valorização.

    6 - Justifique uma viagem a passeio com amistoso internacional bom sendo para alavancar a marca do clube, jogue os jogadores às feras depois de uma viagem extenuante e você, como principal mandatário, esquive-se para justificar o fiasco.

    7 - Com um jogo importante do principal campeonato disputado no ano, abandone o clube e vá curtir a final de outro campeonato do outro lado do planeta com a camisa de um clube que não está representando na viagem paga por patrocinadores.

    8- Demita um técnico que o grupo apoiava na calada da noite e pague uma fortuna por outro que já chegou chutando o balde, dizendo que há problemas na administração de elenco, de estrutura e na preparação.

    9 - Só queira falar de frente com a torcida nos bons momentos e quando for para divulgar os conhecimentos adquiridos no seu MBA. Rotule a impaciência da torcida como grande vilã dos fracassos e bote o seu vice, integrante do grupo que o apoiou, para ser a vidraça nos momentos difíceis.

    10 - Quando o jogador que você repatriou para ser ídolo e capitão inventar desculpas e contusões momentos antes de viajar para uma partida, escanteie o jogador que estava escalado como reserva imediato e dê a titularidade para outro que foi chamado às pressas.

    Solução para os problemas: Liderança, humildade para assumir erros e pedir a ajuda de pessoas experientes e mais competentes.



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