Marca SóBahêa

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terça-feira, 12 de julho de 2016

Lições da Eurocopa

Mais uma vez a Europa deu um show com a Eurocopa, jogos extremamente parelhos e disputados, resultados imprevisíveis, torcida vibrante, jogador emocionado, ou seja, todos os ingredientes que fazem do futebol o esporte mais apaixonante. Entendo que o futebol brasileiro e osulamericano têm muito a aprender fora e dentro do campo com a galera do velho mundo, inclusive com os erros. Neste post, levantarei alguns pontos que acho importante, começando com os de fora do campo:


1- calendários diferenciados para seleção e clubes: como vimos, a Eurocopa foi disputada após o término dos campeonatos nacionais e da Champions, ou seja, nenhum clube teve de abrir mão de seus atletas enquanto a seleção jogava o torneio. Situação completamente distinta dos clubes que disputam o brasileiro e tiveram de ceder atletas para a disputa da Copa América. Por lá, pelo menos nos principais centros, se a seleção joga, os times param, atitude factível no Brasil, basta uma adequação de calendário.

Ademais, a disputa de atenção entre as competições nunca é interessante, é difícil se concentrar e torcer para a seleção com seu clube do coração jogando na mesma época.

2- Jogo único e isolado para a final das Copas nacionais e internaçionais: não sei se tecnicamente esta é a melhor situação, ou a mais justa, afinal decidir tudo em uma só partida pode dar chance ao imponderável. Porém, futebol é um negócio, e por este ângulo não tenho a menor dúvida que o jogo único é muito melhor. Explico, imaginem uma final de Copa do Brasil marcada para Natal com um ano de antecedência, para um sábado à tarde e sem nenhum outro jogo por campeonatos nacionais no final de semana, todas as atenções voltadas para a final, assunto único nas meses de bares e dos programas esportivos. Sem dúvidas o mercado de turismo, compreendendo o aéreo, hoteleiro, transporte urbano e demais serviços vão bombar e ter uma grande up grade nos números. Basta ter as semifinais com um mês de antecedência, viabilizando o deslocamento das torcidas, que é garantia de casa cheia. Também proponho copiar o modelo americano, os times precisam ir para a cidade sede da final com uma semana de antecedência e fazer toda sua preparação lá, tirando uma manhã ou uma tarde para visitas as escolas locais e contato com o público em treinos abertos, este é o modus operandi da NFL, que dá muito certo.

3- Afastar definitivamente os baderneiros dos locais de disputa: os hooligans russos e ingleses quase conseguem seu intento que era manchar a Eurocopa, nos primeiros dias, esses baderneiros, travestidos de torcedores, causaram diversos tumultos e arruaças nas cidades francesas. Neste ponto, a organização foi falha e poderia ter consequências graves. Infelizmente, esta situação se repete cada vez mais em nosso País, onde hordas de marginais se travestem de torcida organizada e causam terror dentro e fora dos estádios. A própria Europa, em especial a Inglaterra, já mostrou como minimizar tal problema, o bando de desordeiros precisa se apresentar duas horas antes e só ser liberado duas horas depois das partidas de seus times em uma delegacia, além de terem o passaporte apreendido quando seu time joga fora do País. Sinceramente, nunca trabalhei na área de segurança pública, mas acho esta medida muito mais efetiva que a tal torcida única que estão adotando, vide o último jogo do São Paulo pela Libertadores.

Dentro de campo, várias outra lições precisam ser aprendidas por nosso jogadores, treinadores e até marketeiros. Vamos a algumas:

1- Ocupação do espaço: vi poucos jogos, mas nos que vi, não percebi nenhuma tática inovadora ou revolucionária, constatei a morte do tiki-taka da Espanha e a manutenção do velho estilo italiano. Mas, o que me chamou atenção foi a ocupação de espaço por todas as equipes, como se diz por aqui, cada um no seu quadrado. Enquanto França e Alemanha buscavam ocupar o campo ofensivo e sufocar o adversário na busca incessante e incansável pelo gol, o que muitas vezes conseguiram no final da partida. A Islândia sem nenhum jogador de expressão e a Itália mostraram como se armar um esquema defensivo, buscando as rápidas saídas para os contrataques, o segundo gol da Islândia contra a Suíça é um exemplo claro do que estou dizendo.

Esta intensidade na disputa e o pouco espaço proporcionado ao adversário fez desta Euro uma das mais equilibradas e surpreendente das que já assisti, quem esperava País de Gales em uma semi, Portugal campeão, ou a Islândia (seria o mesmo da seleção do Bairro da Liberdade em SSA representar o Brasil em uma Copa América) chegar entre os 8? De parabéns os técnicos e preparadores físicos das equipes.

2- Líder dentro e fora de campo: que CR7 é craque já sabemos há muito tempo, mas que ele também era craque no exercício da liderança, para mim foi uma surpresa. Vejo CR7 no Real como um jogador mimado e egoísta, daqueles que dão chilique quando um colega antecipa a jogada e tira seu gol, ou dos que se limitam a fazer seu papel em campo, sem se preocupar com a coletividade. Entretanto nesta Euro, CR7 mostrou a todos os atletas de esporte coletivo como deve se portar um capitão e um líder. O incentivo ao colega na hora da disputa de pênaltis, seu choro no momento da contusão, seu papel de segundo treinador na final, e seu choro na hora do gol mostraram quanto é importante o jogador de referência assumir e puxar para si a responsabilidade nos momentos difíceis, mesmo que esteja "fora de combate". Vem aí as Olimpíadas, e com ela Neymar e seus "comandados", fica a interrogação, será que teremos um líder em campo ou mais um moleque no meio da molecada?

3- A interação torcida time: todas as torcidas, com exceção da Russa, Inglesa e Croata estão de parabéns. Entretanto, é impossível não destacar o show dado pelos viking islandeses, aquelas cenas pós-jogo quando o time e a torcida entoavam seus cantos em um só ritmo foram de arrepiar, mostram uma interação que dificilmente vemos por aqui, onde os atletas saem em disparada para o vestiário, como se estivessem com dor de barriga, e não fazem nenhuma saudação ao torcedor no final das partidas. Destaco que estas cenas não são inéditas na Europa, na Alemanha é muito comum os jogadores confraternizarem com a torcida no final da partida, nos jogos do Borussia Dortmund é de praxe os jogadores irem ao encontro da "muralha amarela" e entoarem cantos e hinos com seus torcedores, novamente fica a pergunta, por que não adotamos isto aqui?

4-  O ex-time de um homem só: na Copa de 1966, Portugal tinha Eusébio, seu único e solitário craque, chegou a ganhar e bem do Brasil. Na década de 90, tinha Figo, a maior referência do time, e seu jogador com  maior capacidade. Nos anos 2000, veio a transição de Figo e sua turma para CR7 e sua trupe, se não me engano chegaram a disputar uma Euro juntos. A dependência de um único jogador permaneceu, se CR7 estava mal, o time desaparecia, foi o que vimos na primeira fase da Copa em 2014, CR7 chegou baleado, e Portugal não andou.




Contudo, nesta Euro, a situação mudou um pouco, mesmo sendo a grande referência da equipe, CR7 passou ao papel secundário, pois em primeiro lugar veio o futebol coletivo. Só assim para explicar a resistência para disputar 3 prorrogações, e nas 3 ser superior física, técnica e taticamente ao adversário. A própria final, com a contusão de CR7 no início do jogo, é o exemplo mais claro que Portugal aprendeu a conviver bem com a Ronaldo dependência, mesmo sem seu grande craque, o time conseguiu manter seu padrão, fechado em busca do contrataque, durante os 90 minutos, e saindo mais para o jogo na prorrogação quando obteve seu gol e o título.

Pois é, são lições que com um pouco de interesse, profissionalismo e uma dose de persistência poderão ser facilmente adotadas pelos dirigentes esportivos nacionais. Gostaria de ver meu Bahia atuando na Fonte contra adversários mais fracos com a personalidade e intensidade ofensiva da Alemanha, e defendendo, lutando e se entregando como os islandeses nos jogos fora de SSA. Ademais, como seria de f... ver os jogadores entoando e vibrando com a torcida nos finais da partida, a nova Fonte é perfeita para isto. Podem ser sonhos, entretanto são factíveis de se tornar realidade.

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