Marca SóBahêa

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terça-feira, 16 de agosto de 2016

O espírito olímpico não contagiou o Bahia

O tricolor entrou em campo sabendo que o nosso desempenho no campeonato a partir de agora tem de ser digno de Michael Phelps, temos de ganhar o ouro em praticamente todas as provas, no mínimo uma prata ou bronze precisa ser conquistada em cada disputa. Bastou o arbitro dá o sinal de Hajimê, o Bahia mais rápido do que o recordista mundial dos 400 metros livre do atletismo deu uma estocada de esgrimista e conseguiu o primeiro Knock dow no Dragão. Alano parecia até Usain Bolt e chegou tranquilamente na frente do marcador e tocou por baixo do goleiro, Hernane com a determinação de Isaquias Queiroz chegou na proa da canoa e empurrou para dentro.

Até os 15 minutos, nossa armação no 4-3-3 funcionou, e o Bahia continuou procurando o combate com a vontade do nosso medalhista Conceição, porém nossos punches eram típicos de um eliminado na primeira etapa da competição e não foram capazes de prender o adversário nas cordas. Destaco uma arrancada de Moisés lembrando o sprint final de Mo Farah nos 10.000 metros, mas não deu em nada. 

Cabe lembrar que uma partida de futebol está mais para uma maratona aquática, não se pode parar, porém o Tricolor mostrou a mesma irregularidade da seleção brasileira de basquete masculino e passou a evitar o combate, se fosse uma luta de judô tenho certeza que os dois times levariam um shidô pela falta de combatividade. Nosso meio com apenas 3 jogadores não conseguia fazer a transição tão necessária no esportes coletivos, não tivemos um armador no estilo do handebol ou basquete que carimba todas as bolas, Cajá mais uma vez sumido.



Somente aos 35 minutos, fizemos uma jogada digna de registro, um contrataque no estilo da seleção americana de basquete, porém na hora da bandeja Cajá foi travado e Alano chegou atrasado para pegar o rebote e enterrar, não conseguiu nem um mero tapinha para empurrar a pelota para o fundo da cesta.

O Bahia mais uma vez mostrou um futebol com pouca criatividade, pragmático e com pouco brilho, muito diferente das apresentações de Diego Hipólito, Arthur Nory e Arthur Zanetti na ginástica olímpica que vimos nos últimos dias, fomos incapazes de encantar nossa torcida, mesmo depois de 15 dias de treino. Lembramos um time de pólo aquático, muito passe para o lado, só esquecemos que mesmo lá, as vezes tem chute a longa distância. O gol de empate do Atlético, em uma despretensiosa cobrança de falta ensaiada, mostrou que nossa defesa está longe da eficiência tática da defesa sueca no futebol feminino, ou do paredão de uma seleção de handebol. Não somos Hope Solo, mas tomamos uma merecida vaia na saída do primeiro tempo.

Voltamos com os mesmos 11, eu tirava Edigar Junio, que teve uma apresentação digna das piores noites de Fabiana Murer e reforçava o meio, mais uma vez sumido. Mas, quase deu certo, pois Alano logo a 1:03, um pouco mais do que uma prova feminina dos 100 metros peito, ganhou bem da zaga, porém o goleiro com a agilidade de Bárbara evitou o gol. Voltamos a ter uma oportunidade aos 15, mas o Brocador lembrou a displicência da dupla Larissa e Talita na semifinal do volêi de praia e perdeu o gol. Aos 19, tomamos um susto num chute diagonal que honraria Serena Willian, mas a bola foi out.

Aos 20, Professor Guto provou que as confederações brasileiras de atletismo, basquete, handebol, pólo aquático, entre outras, estão certíssimas em apostar em treinador estrangeiro, se limitou a trocar 6 por 1/2 dúzia, tirando EJ e colocando Luisinho, mantendo Alano na direita e Luisinho todo torto pela esquerda, até fez uma boa jogada aos 27, mas ganhou apenas um escanteio Aos 28, Alano, melhor jogador em campo, lembrou as assistências de Kevin Durant, deixou Eduardo, enfim apareceu, em boas condições, o cruzamento saiu com boa pontaria, mas Cajá cabeceou com a leveza de uma peteca de bandminton facilitando a defesa.

O tempo passava e o Bahia mostrava um descontrole emocional bem característico dos atletas brasileiros no momento de pressão. Aos 35, Moisés deu um drible irregular e deu um chilique similar ao de Nacif, judoca brasileiro que lutou pelo Líbano, tomando infantilmente um amarelo. 

Assim como nas corridas de 800 metros, fomos para o sprint final, aos 38, Eduardo, lembrando o jamaicano Omar McLeod, campão dos 110 metros com barreira, deu uma arrancada soltando as barreiras da defesa Atleticana, mas cruzou sem a precisão de Felipe Wu. Aos 42, numa boa chegada de Moisés, o cruzamento foi preciso como nosso medalhista no tiro, mas a conclusão de Hernane passou perto dos 6,03 m que deu a medalha de ouro a Thiago Braz. Nos faltou o entrosamento da seleção de vôlei feminino, a persistência de Poliana Okimoto, a leveza e criatividade de Simone Biles, a disciplina e concentração das nossas medalhistas no judô, a força de um levantador de peso e o espírito olímpico e a garra das meninas do futebol, estamos mais para aquelas promessas que sempre fracassam na hora H, ou seja um típica seleção brasileira de natação, nada, nada e nada.

Nada mais a registrar, nosso desempenho agora tem de ser de Usain Bolt, medalha de ouro e recorde, um atrás do outro, caso contrário ficaremos atrás no quadro de medalhas com uma atuação digna de Pan-americano em uma Olimpíadas.

Terminando, fiquei alguns dias sem postar, pois estava me dedicando em acompanhar os jogos olímpicos, mas principalmente por me irritar com a postura da nossa diretoria que parece os políticos e seus legados dos jogos, cadê os reforços que chegariam na intertemporada? Deve ter pego os metrô e VLT prometidos para a Copa de 2014 e que ainda não chegaram nas cidades sedes.

Enfim, para ser justo, este post foi inspirado no comentário de Sérgio Xavier que foi ao ar no dia 15/08 na Bandnews às 8:05 da manhã.



Um comentário:

  1. Miguel,

    Excelente análise do desempenho dos atletas olímpicos com o jogo do Bahia de ontem. Só não dou nota dez ao seu texto porque a maioria dos atletas, especialmente os brasileiros, encontram dificuldades extremas de preparação e treinamento para chegar, ao menos, a uma seletiva olímpica e tentam desempenhar a sua especialidade com a máxima eficiência, mesmo quando o insucesso é iminente. Por isso, acho que as comparações não podem ser a ferro e fogo com os jogadores do Bahia porque, simplesmente, não há doação por parte deste elenco montado pela diretoria este ano.

    Já afirmei anteriormente que este elenco é, sem medo de errar, o mais "nem fede, nem cheira" da história do Bahia. Nunca assisti um Bahia tão sem alma e vontade como o deste ano.

    É extremamente preocupante o que nos reserva neste segundo turno da série B. Eles foram para resort em Porto Seguro, tiveram 3 paradas para se encontrar em campo e continuam a apresentar um futebol abaixo da crítica. A troca de treinador involuiu o padrão tático do time e as contratações recentes foram mais do mesmo.

    O jogo de ontem, o tal do Guto Ferreira entrou num 4-3-3 e conseguiu piorar com as substituições. Não sei que preferência é esta por um esquema que não emplacou e que se mostra improdutivo desde 2015. Parece até que é uma decisão passada em cartório e que todo treinador tem que cumprir.

    Resta só lamentar e aguardar que, pelo menos, os jogadores, comissão técnica e diretoria não repitam o ano de 2005, quando brigas e indiferenças nos levaram à série C.

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