Marca SóBahêa

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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Nós vamos invadir seu cerrado!!!!

Para muitos, os anos 80 foram perdidos, afinal de contas, a economia estava em frangalhos, com uma inflação superior, em alguns momentos, a 80% ao mês. Só para efeito de comparação, hoje é  o maior drama quando se chega aos 10% ao ano, a meta é 4,5% ao ano. Para quem não viveu esta época ter uma ideia do que é isto, você entrava em uma concessionária dia 1º para comprar um carro com valor de R$ 50.000,00, no final do mês este mesmo carro custava R$ 90.000,00. As maquininhas de remarcação de preço eram as grandes vedetes dos supermercados. Todo dia a galera tirava extrato do banco para ver o rendimento das aplicações, muita loucura. Na política, começamos sob uma ditadura, passamos por Sarney, com sua velha Nova República, e fechamos elegendo Collor. No futebol, perdemos duas copas  e nossos maiores jogadores, Zico, Sócrates, Cerezo, Júnior e Careca iniciaram a debandada de craques para a Europa, o que dura até hoje.  Vendo por estes lados, de fato, foram anos para esquecer.

Mas, não é bem assim, foi também nesta década que a população tomou as ruas, mostrando toda sua força, com o movimento Diretas Já,  e acabou de enterrar a ditadura militar, voltamos a ter eleições diretas para presidente, governador e prefeito de capital. No futebol, tivemos o super time de Andrade, Adílio, Júnior e Zico, a democracia corintiana e a inesquecível seleção de Telê. Na parte cultural, surgiu o axé na Bahia e no cenário nacional explodiu o rock brasileiro, primeiro com a blitz e suas músicas que pareciam piadas cantadas, depois vieram várias bandas, sendo o epicentro aqui em Brasília com a insuperável Legião Urbana (assistam: ROCK BRASÍLIA - ERA DE OURO). Tinha também a Ultraje a rigor e suas divertidas músicas, entre elas a que inspirou o título deste post.

Pessoalmente, também foi um período significante, saí no início dos anos 80 da não tão pequena e nem tão pacata cidade de Vitória da Conquista, nada a ver com Miracema do Norte, morei nos Barris (barril dobrado na linguagem atual), passei pelo Salete, São Paulo, onde fiz grandes e eternas amizades, finalizando com a formatura em engenharia química pela UFBA, profissão que larguei 18 anos atrás quando mudei para BSB. Grandes e eternos amigos também ficaram da época de faculdade. Só não digo que os anos 80 foram os melhores da minha vida, pois na minha lógica, os melhores sempre estão por vir.





Os novos leitores deste blog não devem estar entendendo nada, o Bahia tem o jogo da vida no próximo sábado, e o cara fica falando de economia, política e da vida particular de 30 anos atrás, que porra é esta? Mas, tenho certeza que os antigos já têm ideia da onde quero e vou chegar. E vamos lá.

Sem dúvida, sábado é o jogo do ano, o jogo da redenção tricolor, e a expectativa é enorme. Nestes momentos, sempre procuro passar bons fluídos para o time, e a forma que encontrei neste blog é relembrando os momentos gloriosos do nosso passado. Posso estar enganado, mas poucas décadas foram tão gloriosas para o Tricolor com a de 80, entre outros fatos:



Enquanto Dadá e Cláudio Adão davam show, a base preparava Marcelo Ramos; enquanto Paulo Rodrigues brilhava, a base preparava Bebeto Campos; enquanto Leandro mostrava maestria, a base preparava Zé Carlos; enquanto Zanata encantava, a base preparava Maílson. Ainda saíram desta academia Dico Maradona e Wesley. É por estas e outras histórias que o Bahia se tornou o gigante que é até hoje para sua imensa torcida, e não conseguimos esquecer este período grandioso do Esquadrão.

Mas, o que tem a ver isto com o jogo de sábado? Na minha opinião, a final de sábado é momento crucial para voltarmos a ser grandes dentro de campo, pois chegaremos na Série A, estando o clube estável financeiramente; com nossa base demonstrando força, visto que dominamos o cenário local, sendo campeões dos subs 15, 17 e 20. No nível nacional, brilhamos na copinha e chegamos na final da Copa do Brasil sub-20, posso dizer que enquanto Juninho brilha no principal, estamos preparando Luis Fernando; e peitamos a toda poderosa Rede Globo; pois é, chegou o momento de mostrar nossa grandeza.

Não é a toa que para a imensa Nação, o próximo jogo é diferente, por isto vamos invadir o cerradão goiano, só daqui de Brasília vão quase duzentos tricolores, de SSA vem mais uma quantidade significativa. Sobre o jogo, nem quero falar muito, só espero que Professor Guto se inspire no Mestre Evaristo e nossos jogadores incorporem o espírito dos times da década de 80, que conseguiram expressivos resultados na casa adversária, basta repetir o histórico 0x0 contra o Inter e faremos história novamente. De minha parte, como perdi o citado jogo, fiz questão de estar presente no de sábado, ajudei na organização e irei junto com a caravana da Embaixada participar desta invasão, Oxalá que Senhor do Bonfim nos proteja e Ilumine nesta jornada.

#JuntosVoltaremos

Um comentário:

  1. Brilhante Artigo, Miguel,vivi todos esses anos 80, tão conturbados na Economia, mas de grandes inovações culturais, como o axé music de Luiz Caldas e o Rock Nacional com suas letras fantásticas. Semelhante a você, só que, natural de Salvador, tenho grandes lembranças dessa época, estudei no maristas, fiz amizades que cultivo até hoje, assim como na Faculdade de Administração da UFBA e Universidade Católica, onde fiz Administração e Economia. Mas, é claro, como você relembrou tão bem neste artigo, não posso me esquecer das glórias do nosso tricolor, cujos anos 80 foram fantásticos, dignos de um time de elite. Times e jogadores inesquecíveis e, sobretudo a mística tricolor que nos dava a certeza de que nada estava perdido por antecipação. Ainda vivi, como todo cinquentão tricolor, a época do hepta campeonato baiano e anos 70, quando era garoto e pré adolescente e aprendi a amar este clube. Essas lembranças me deixam mais ansioso para a grande decisão de amanhã. A fé imponderável que estaremos após os 90 minutos, comemorando e contaminando Goiânia com a nossa alegria pelo acesso a elite. Estaremos juntos, Miguel, comendo água e torcendo pelo nosso tricolor. Espero que os jogadores incorporem a raça e a vibração da nossa torcida. E, realmente, com os avanços registrados nas finanças, apesar de que no quesito Gestão de Futebol, precisamos melhorar muito (esse é um assunto para se cobrar, já estando na Elite), o momento é bastante propício para fincar posição cativa na Série A. No mais, Bora Bahêa Minha Porra. Amanhã, a água começa cedo. BBMP

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