Marca SóBahêa

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domingo, 13 de novembro de 2016

Série A, pode se preparar, o Bahia está voltando

Entre 31 de março de 1964, alguns historiadores dizem que foi 1º de abril, e meados da década de 1980, o Brasil viveu sob uma pesada ditadura militar. As vozes dissonantes, sejam elas de políticos, cidadãos comuns ou artistas, eram caladas e vários brasileiros foram obrigados a se exilarem no exterior, dentre eles, os bons baianos Caetano e Gil. Desta época, lembro do onipresente termo "Censura", nada, músicas, filmes, jornais e revistas, chegava ao público sem antes passar pelo crivo da comissão de censura. Para burlar, os artistas recorriam à metáforas e à criatividade geral, foi assim que Chico Buarque fez a famosa música Cálice (quem nunca ouviu ou cantarolou "afaste de mim este cálice de vinho tinto de sangue"?) e Roberto Carlos homenageou Caetano com a bela música "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos". Desta época também vem o sambinha, imortalizado na voz de Simone, "Tô voltando", composição de Maurício Tapajós/Paulo César Pinheiro, um dos hinos da anistia política e música perfeita para o atual momento vivido pelo Tricolor da Boa Terra que está saindo da Série B para voltar ao seu devido lugar na Série A.


Mas, assim como o Brasil penou para sair da ditadura, o Bahia também vem penando neste caminho de volta, ontem foi mais um dia de dureza e sofrimento para a Nação Tricolor, conseguimos complicar e quase perder um jogo que se desenhava fácil após a expulsão de um adversário aos 4 minutos do segundo tempo. O Bahia começou o jogo com uma alteração na forma de jogar, Guto enfim se convenceu que o 4-3-3 não vinha dando certo fora de casa e entrou no 4-4-2 ou 4-3-1-2 como queiram, com Feijão mais centralizado na frente da zaga, Luis Antônio pela Direita, Renê Júnior pela esquerda e Régis mais na frente fechando o losango. Na frente, Edigar Junio começou pela direita, mas caía pela esquerda em alguns momentos, e Hernane enfiado (lá ele) no meio da zaga. 

Mesmo com 3 meias de marcação, o Bahia não conseguiu conter o bom toque de bola da Luverdense, em especial pelo lado direito da nossa defesa, tanto que antes do 5 minutos, Thiago já estava amarelado por fazer um falta dura na cobertura de Eduardo, por sinal, na cobrança desta infração, Muriel já demonstrou que não estava num bom dia. Com o passar do tempo, o Esquadrão foi se ajustando em campo e equilibrou a partida, já conseguíamos prender a bola no ataque e chegar algumas vezes, em especial pela direita. Pouco chegamos pela esquerda, a sensação que tive foi que Moisés ainda sente a contusão na virilha, e está nitidamente se poupando. 

Quando o jogo se encaminhava para um modorrento 0x0 no primeiro tempo, Eduardo mostrou que faltou algumas aulas da escolinha e foi de vez no adversário, tomando uma caneta, o meia deles avançou pela meia-esquerda, Thiago ficou com medo de dá o bote e o meia tocar para o atacante que passava pela esquerda, e foi recuando, dando espaço ao adversário que aproveitou e chutou colocado da entrada da grande área. Muriel foi outro que andou matando aula, pois esqueceu da lição básica que não pode se rebater para dentro da grande, em especial para a frente do gol, mas foi isto que ele fez, e a Luverdense abriu o placar.



Guto de imediato voltou ao velho esquema 4-3-3, na minha opinião de forma precipitada, sacou Feijão e colocou Misael, a Luve recuou e o Baha chegou algumas vezes, mas sem levar perigo ao goleiro adversário. Logo no início do segundo tempo, Misael fecha na diagonal da esquerda para a direita e toca para EJ, o chute foi rasteiro no canto direito do goleiro, estava decretado o empate. Logo na sequência, o volante deles, em um lance típico de baba, esquece a bola e dá no meio de HB, sendo justamente expulso. Com isto, o Bahia cresceu em campo e passou a dominar o baba, chegamos com EJ aos 12, num lance parecido com o do gol; Eduardo aos 14; e Misael aos 16, mas não marcamos. 

Régis sente câimbra, não entendo como Régis e Cajá ainda não conseguiram entrar em forma faltando apenas duas rodadas para acabar o campeonato, para a entrada de Cajá. Nosso antigo titular entrou com a velocidade e mobilidade de um peixe-boi fora d'água, que disposição desgraçada. Resultado, o Bahia caiu de produção e assistiu impassível, a Luverdense com 1 a menos equilibrar o jogo. Pior, aos 28, Eduardo e Muriel repetiram os mesmos erros da primeira etapa, e o Bahia toma o segundo, chamo atenção que o jogador da Luverdense que pegou o rebote estava livre e solto dentro da grande área tricolor, sem nenhum atleta nosso por perto. O Bahia partiu para o desespero, Guto tirou RJ e colocou Victor Rangel, mas ao invés de VR e jogar dentro da área com HB, veio fazer a esquerda e Misael foi armar o time, enquanto isto, Cajá era um espectador privilegiado, assistindo o jogo de dentro do campo. Quase tomamos o terceiro aos 34, e quase empatamos num voleio de VR aos 35.

O jogo se encaminhava para o fim, e o Bahia não conseguia criar nada, mas o Bahia é o Bahia, e nossa estrela não se apaga, ao contrário, insiste em brilhar, só isto explica o gol de EJ aos 48:24 da etapa final após cruzamento de Moisés. Destaco que no lance anterior, Muriel tinha ido para a área do Luverdense que saiu no contrataque, só que concluíram mal a jogada, dando chance ao Bahia de ter a última posse de bola, o que foi crucial para nosso empate.

Foi mais uma partida ruim do Bahia fora de casa, eu não esperava um jogo fácil, a Luverdense vinha de 7 triunfos em casa, porém quero destacar que Guto Ferreira rodada após rodada mostra ser um treinador limitado que não consegue fazer o Bahia jogar bem fora. A insistência de por VR para jogar pelos lados é sinal claro da cegueira de GF. Ainda bem que EJ estava numa noite inspirada e nos salvou da derrota, nos dando um pontinho que vai ser fundamental para o acesso.

Enfim, foi mais um teste cardiovascular para a galera tricolor, mais um gol nos acréscimos o que nos deixa muito próximo do acesso. Na próxima rodada, recebemos o Bragantino, o Náutico vai visitar o Tupy e o Londrina recebe o Avaí, rodada perfeita para o acesso tricolor com um simples triunfo perante à nossa apaixonada torcida, por sinal, a galera compareceu em bom número em Lucas do Rio Verde, não esperava tanto. Como diz o samba


Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando


...

Quero lá, lá, lá, ia, porque eu to voltando!

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