Marca SóBahêa

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Bahia: sem tempo para descanso

Depois de dois meses de intensas emoções, com o tricolor fazendo sua torcida sofrer até os últimos minutos para garantir os triunfos sobre os rebaixados Sampaio e Bragantino e o empate contra a Luverdense, além de ter de esperar 10 a 15 minutos após o fim do último jogo para poder desabafar o grito entalado por dois anos, resolvi passar um período sabático. Nada de escrever sobre o Bahia, nada de ficar comentando sobre especulações, ou ficar inventando fatos só para a galera acessar o blog, o negócio era dar um tempo no futebol, curtir intensamente a família nos momentos de folga do trabalho e voltar ao velho e bom baba, abandonado para acompanhar os jogos do Esquadrão no sábado pela tarde. Claro, sempre que possível, usando o manto tricolor para demonstrar todo o orgulho de ver meu time alcançar o principal objetivo do ano.


Porém, bastou ver o sub-20 em campo que despertou a vontade de voltar a escrever sobre o Bahia e confessar que este mesmo sem escrever e querendo férias de futebol, não passei um dia sequer sem olhar as notícias do tricolor da Boa Terra nos principais sites esportivos, sem dizer dos grupos de zap.  Cheguei a começar um texto na sexta, mas os compromissos profissionais e pessoais impediram a conclusão do mesmo. Enfim, já passou o momento de comemoração, agora é momento de avaliar o ano, identificar erros e acertos para programa 2017, ano bem mais difícil do que o atual, basta ver que ao invés de jogar contra o Tupy teremos Cruzeiro e Atlético, ao invés de Brasil, o Grêmio será o time a ser batido, ao invés do Braga, termos o Corinthians, e assim vai.

De um modo geral, entendo que acertamos mais do que erramos, e os resultados em campo mostraram isto. No primeiro semestre, chegamos na semi do NE em vantagem contra o Santa, depois de empatar na casa deles perdemos em casa num vacilo coletivo de nosso lado direito, injustamente colocado só nas costas de Róbson. No Baianinho, chegamos também com a vantagem na final, perdemos merecidamente o primeiro jogo, quando Doriva foi “engolido” por Mancini. Contudo, espertamente ou malandramente, para usar um termo da moda, Doriva alterou a escalação e a forma do time jogar, parou o Vice no último jogo, e só não saímos campeão da Fonte por causa do apito amigo rubro-negro. Fechando, foram duas boas campanhas, mas sem alcançar os títulos, o que acabou sendo positivo por um lado, pois mostrou que o time precisaria de reforços para chegar no topo da tabela da Série B. 

Encerramos o primeiro semestre caindo de forma injusta na Copa do Brasil, outra desclassificação que serviu para mostrar que muito precisava ser feito ainda. O maior erro do primeiro semestre foi o amistoso em Orlando, em princípio era acertado expor a marca nos EUA, mas quando não contamos com a boa vontade da dupla FBF e CBF em adiar nossos jogos, tínhamos de ter cancelado o amistoso, vacilamos em nao acertar as coisas com os russos antes de fecharmos com os americanos.
  
Com alguns reforços pontuais começamos bem a Série B, mas a partir da nona rodada, quando perdemos para o Criciúma num jogo que dominamos boa parte, o pirão desandou, na sequência perdemos em casa para o Londrina e demitimos o treinador, aqui abro um parênteses para dizer que Doriva foi injustamente demitido, pois como a sequência do campeonato mostrou, ele era apenas parte do problema, e sua saída nada mudou de imediato no time, fecho parênteses.

O fim do primeiro turno foi triste, para dizer o mínimo, era vexame atrás de vexame, perdemos para os poderosos Tupy e Brasil, e o time não mostrava nem um poder de reação, nossa campanha neste momento do campeonato era digna de cair para a Série C, mesmo com Guto Ferreira já no comando. Após mais um vexame, derrota para o Vila em casa, acumulando 4 em 5 jogos, a torcida perdeu a paciência e desta vez a direção agiu certo, fez uma faxina no elenco tricolor se livrando ou encostando jogadores como Lomba (rebaixado com o Inter), Danilo Pires (rebaixado com o Santa), Paulo Roberto (nitidamente de má vontade no Bahia) e Thiago Ribeiro (que decepção!!!); além de demitir Éder Ferrari.

Para repor as saídas, contratamos mais um monte de jogadores, alguns vieram e resolveram, outros mostraram que contratar no desespero é fria. O time continuou oscilando entre ruins e péssimos momentos. Entendo que a coisa virou a nosso favor com o triunfo sobre o Avaí, 3x0 na Ressacada, na sequência ganhamos do Paraná em casa e a torcida começou a entrar para valer na brincadeira, sendo este o fator preponderante para nosso acesso, pois nos tornamos invencíveis em casa, conquistando 27 pontos seguidos em casa, aproveitamento de 100%. 

O resto da história todos sabemos, éramos fortes em casa, mas um timezinho medíocre fora, e foi assim até o último apito da Série B. Entendo que Professor Guto tem boa parte dos méritos no nosso acesso, pois chegou com um discurso para cima e o manteve mesmo nos piores momentos, porém se deixou embebedar com o esquema tático que era infalível em casa, mas ineficaz fora.



Falando das contratações, entendo que a Diretoria acertou ao mesclar jogadores mais experientes e caros com apostas em jogadores mais baratos. Infelizmente, alguns jogadores que foram contratados para liderar a equipe em campo fracassaram, em especial Thiago Ribeiro, Cajá e Jackson também deixaram muito a desejar. O grande erro do Bahia foi trazer Lomba de volta, o cara voltou totalmente desmotivado e foi uma lástima na Série B. Por outro lado, alguns jogadores que vieram de graça deram conta do recado, em especial Juninho que foi o jogador mais regular do Bahia na temporada. Mesmo sem grande brilho, destaco que Moisés, Thiago e Edigar Junio também fizeram sua parte. Enfim, usamos a política correta, contudo erramos nas escolhas de alguns jogadores e posições, destaco que começamos e terminamos o ano sem reserva para Hernane. Uma decepção foi a base, não conseguiu emplacar nenhum jogador no time titular na Série B, apesar de ter dado conta do recado quando acionada na primeira metade do ano.

Encerrando, vejo muita ansiedade na torcida para ver quem fica e quem chega, acho importante se manter uma base, e temos vários jogadores que possuem contrato pelo menos até o final de 2017. Contudo, como já disse Série A é outra história, vamos ter de qualificar muito o elenco para o segundo semestre, nas minas contas, temos de trazer pelo menos uns 13 a 15 jogadores para passarmos pela Série A sem grande sustos, minha meta é modesta, espero que o Bahia tenha um desempenho de 50% na Série A, mas para isto precisaremos continuar fortes em casa, o apoio da Nação será imprescindível e como sempre digo, com a torcida jogando junto, o Bahia broca e brocará qualquer um na Arena.

4 comentários:

  1. Boa reflexão. Sei que vamos disputar um torneio no qual iremos sem uma breve pré temporada adequada!

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  2. Ótimo comentário e com boa análise. Claro que, como tudo na vida, sempre teremos algumas discordâncias (principalmente em futebol).
    Ao contrário de você, penso que o Bahêa demorou demais em substituir Doriva. Creio que sequer deveria ter iniciado a Série B, considerando o que não fez no campeonato baiano, no nordeste e na Copa Brasil.
    Ali, bastou.
    Claro que não era somente ele. Mas...
    Seria excelente que tivéssemos um desempenho superior a 50% na Série A. E podemos!
    Enfim, obrigado pelos bons comentários em 2016. Desejo continuar essa leitura em 2017.

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  3. Parabéns Miguel, como sempre ótimos comentários! Discordo de vc só na questão de Tiago, pra mim um zagueirão(deu segurança e estabilidade a defesa), o Bahia precisa fazer de tudo pra que continue;ao lado de Eduardo e Juninho foram os grandes destaques. Precisa de goleiro (Muriel não passa confiança),mais 2 laterais,volante pegador, pelo menos 1 zagueiro, 3 atacantes (inclusive centroavante) e 2 meias. A maioria dos que vencem contrato em 2016, manda embora.
    Subimos mas, muitos jogos sofríveis. Vejo com muita preocupação a mídia, a torcida e principalmente a direção do Bahia tratar esse time como se fosse qualificado,enfim, vamos aguardar!
    ST

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  4. Comentário anterior:
    Antonio Neves

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