Marca SóBahêa

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A Legião Tricolor precisa do seu próprio tempo

Acabou a pré-temporada do Bahia em Orlando, foram dois jogos, um empate de 0x0 e uma derrota por 1x0. Como visto, fomos incapazes de marcar um misero golzinho, pior, marcamos um golaço, mas foi contra. Olhando por este lado, parece que a passagem do Bahia pela terra do Tio Sam foi um fracasso total, adicionalmente lendo as manifestações da Nação Tricolor nas redes sociais a impressão que passa é que tomamos duas sonoras goleadas e que nosso rebaixamento na Série A já está sacramentado.  Porém, como diz a maior banda do rock nacional "ainda é cedo" para uma conclusão definitiva sobre o conjunto tricolor.


Como todos sabem, o Bahia atuou nas duas partidas com o time considerado titular na primeira etapa e com o time B na segunda etapa, entendo ser esta uma decisão acertada da comissão técnica, o elenco se reapresentou há pouco mais de uma semana, então é prudente e recomendável que os jogadores não atuem mais do que 45 minutos por partida. Professor Guto acertadamente entrou com o mesmo esquema utilizado no ano anterior, o 4-3-3 ou 4-2-3-1 como ele prefere dizer, o time se portou bem e fez dois jogos equilibrados, sem brilho, mas também sem sufoco. Como já disse várias vezes ano passado, entendo que este não é o melhor esquema para o Bahia nos jogos fora de casa, e vejo que pelas contratações efetuadas até o momento, em sua maioria volantes e meias, vejo que PGF vai testar novas formas de jogar.

Os resultados são o que menos interessa neste momento de início de preparação, a divulgação da marca e a oportunidade dos jogadores conviverem intensamente por estes 7-10 dias nos USA são mais importantes. Mas, alguns pontos precisam ser levantados para observações e alterações futuras, em primeiro lugar, ficou evidente que contra adversários mais qualificados jogar com apenas 3 jogadores no meio não permite ao Bahia criar jogadas de ataque, contamos nos dedos as oportunidades ou jogadas incisivas que apareceram nestes dois jogos, Régis apareceu bem no segundo jogo, mas pouco criou, ademais foi incapaz de arrematar de fora da área, mesmo quando as oportunidades surgiram. Assim, entendo que Guto precisa urgentemente testar novas opções de armação da equipe na parte ofensiva. 

Por outro lado, a parte defensiva da equipe foi bem, Renê Júnior e Juninho poucas vezes deixaram nossos zagueiros expostos ao ataque adversário, e nossos "pontas" ajudaram bem os laterais na marcação, tanto que depois de 90 minutos, Jeanzinho não foi testado, a única bola que foi no gol foi a bela e indefensável cabeçada de Tinga. Resumindo, a parte defensiva foi OK, a ofensiva ainda carece de maior ousadia e criatividade. Enfim, a passagem pelos USA "não foi tempo perdido".



Falando um pouco sobre os contratados, gostei de Armero, mas lembro que o mesmo estava em atividade na Europa, o que facilitou sua atuação no torneio, aparecendo na frente e sem deixar uma avenida nas costas. Zé Rafael foi bem elogiado por alguns torcedores na primeira partida, porém entendo que ele rende bem mais quando atua centralizado, sinceramente, não gostei do que vi, e arrisco a dizer que o rendimento dele não será o esperado se continuar atuando aberto como foi nos EUA, pelo que vi no Londrina ele não tem a velocidade necessária para atuar como atacante de beirada, apesar de ter boa qualidade técnica.

Sobre os que atuaram no segundo tempo das partidas, acho complicado fazer qualquer comentário mais conclusivo, pois além da questão física, os jogadores eram meros desconhecidos uns dos outros. De forma bem preliminar, gostei de Edson; achei Gustavo cheio de pernas, me lembrou Marcão, de triste passagem pelo tricolor; o lateral Matheus Reis me fez lembrar de Guilherme Santos, muita saúde e disposição, mas pouca inspiração; e Diego Rosa foi razoável no primeiro jogo e não existiu no segundo. Sobre a meninada, Mário, Kaynan e Júnior Ramos, praticamente não pegaram na bola, acho que sentiram a responsa e se esconderam.

Só tenho duas certezas sobre esta excursão tricolor, a primeira é que a Diretoria acertou em cheio ao aceitar o convite, muito melhor se expor jogando contra adversários mais qualificados e tendo a marca divulgada para vários países, do que ficar goleando Atlântico e outros a escondida no Fazendão. E a segunda é que Tinga precisa ser emprestado urgentemente, o gol contra que ele fez ontem não foi por falta de condição física ou de entrosamento com os colegas, foi pura falta de condição técnica, não pode um jogador que se diz profissional ser tão infantil, para dizer o mínimo, num lance tão bobo como aquele, se ele fica parado era muito fácil por a bola pela linha de fundo, mas aquele peixinho e a certeira cabeçada sacramentaram a sentença que faltava para ele ir respirar novos ares.

Encerrando, lembrando novamente a grande Legião, "não temos mais o tempo que passou, mas temos muito tempo," porém o negócio agora é seguir "sempre em frente, [pois] não tempo a perder" para acertar o time para disputar de forma digna a Série A. Que venha o Leão do Pici dia 26/01.



Um comentário:

  1. Miguel,

    Apesar de terem sido jogos-treinos e sem uma proposta mais audaciosa do que a de colocar a marca Bahia em exposição, não tive como deixar de assistir sem criar um excesso de expectativa com relação ao elenco que vem sendo formado.

    Eu não espero mais nada de Edgar Junio, Tinga, Hernane, Renê Junior, pois o que eles apresentaram ano passado foi suficiente para não me empolgar com eles. Porém, eu esperei uma estreia mais positiva, pelo menos na parte técnica, por parte dos contratados. Com exceção de Armero, eu não conhecia os demais que estrearam com profundidade. A demora no anúncio das contratações e o desejo de um planejamento mais refinado do departamento de futebol foram fatores que me fizeram assistir os jogos com mais atenção nos estreantes.

    Confesso que me decepcionei com a qualidade técnica de Diego Souza, Matheus Reis e Gustavo. O jargão do futebol que "jogador bom se conhece no arriar da malas" vale para qualquer situação, independente de forma física ou do momento em que é escalado. O domínio de certos fundamentos da posição em campo e de domínio de bola devem acompanhar qualquer jogador que se diz profissional. Eu vou dar um desconto a Zé Rafael porque o limitado Guto Ferreira insiste no previsível 4-3-3 e o colocou para jogar aberto, dificultando a parte técnica dele. Porém, não vi qualidade técnica nos citados acima para assumirem titularidade tão cedo e, provavelmente, não serão sombra para os titulares da posição.

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