Marca SóBahêa

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Triste futebol baiano

Dia 1º de fevereiro sempre foi um dia especial no período que morei em Salvador, normalmente era o primeiro dia do mês de carnaval e , principalmente, por ser a véspera do dia de Yemanjá, quando ocorria a festa de largo no Rio Vermelho. Para mim, a melhor das diversas que ocorrem entre 08/12 e o carnaval, passei bons momentos tomando uma cerva com a galera no beco do Extudo. 


Ontem, impossibilitado de ir a festa, tinha o jogo do Bahia para matar a saudade da terrinha e se sentir um pouco mais baiano aqui no cerrado. Para começar a complicação, o jogo não ia passar na tv, teria de assistir no computador naqueles velhos sites "genéricos", já estava imaginando o delay de 3 minutos vis-a-vis a transmissão ao vivo no zap, a galera já parou de comemorar e o gol ainda nem passou, mas estava preparado psicologicamente para isto. O desânimo começou a surgir quando apareceram as fotos do gramado, logo veio na cabeça um jogo insonso com os jogadores mais preocupados em não se machucar do que ganhar, mesmo assim liguei o computador e tentei acessar os velhos e úteis links, nada, nada e nada de imagem do jogo, entrei no tempo real do Globo.com e me deparei com a "agradável" surpresa que faltava energia no estádio, agora o pasto estava no breu. Pela foto dá para ver que o gramado da Esplanada dos Ministérios encontra-se em melhores condições para a prática do esporte bretão.



Resolvi desligar o computador e me concentrar no zap, 20 minutos passados, a galera avisa que o jogo começou nas rádios, mas não passava na tv, ainda acessei uma rádio para ouvir, mas o sinal instável e o péssimo jogo que era narrado me fizeram desistir de vez e ir dormir.

Pelos comentários que li no zap hoje pela manhã, o jogo foi de fato um baba de péssima qualidade, sem nenhuma emoção. Parte da galera criticava pesadamente a equipe tricolor e seu péssimo futebol. Enquanto a outra parte criticava o gramado e a Federação Baiana de Futebol. Nesta briga, vou me juntar ao segundo grupo, não tem como cobrar dos jogadores um bom futebol em um campo daquele, acho certíssimo que os mesmos se poupem e tentem apenas não se machucar. Uma torção de joelho ou tornozelo, pior um rompimento de um ligamento ou tendão, pode acabar com a temporada do cara, não tem como se arriscar em um jogo que pouco vale, pois todos já sabemos que a final será Bahia x Vice, a única dúvida é quem chegará com vantagem de dois empates e mando de campo, assim tem sido a décadas no falido campeonato baiano.

Por sinal, como não tenho a menor condições de falar do jogo, vou aproveitar para discorrer sobre um tema, a quem serve os campeonatos estaduais? Tenho certeza que para o Bahia disputar o baiano só vale pela tradição e pela chance de aumentar a distância no número de títulos, não serve nem como parâmetro para a Série B, imagine para a A. Não tenho dúvidas que o calendário brasileiro precisa urgentemente ser repensado, se querem manter os tais estaduais, que alterem a forma de disputa, com os principais times do estado, os que estão nas séries A e B, já classificados para a fase mata-mata que deveria ser disputada em algumas quartas nos intervalos do Brasileirão que começaria já em fevereiro.

É dureza pagar R$ 300 mil/mês a um jogador e disputar com equipes amadoras que não conseguem honrar um mísero salário mínimo como remuneração de um jogador, temos de ter ciência que a fase romântica do futebol acabou, agora o negócio é profissional e as cifras envolvidas são astronômicas. Sei que existe a questão social, vários atletas ficariam desempregados, mas não é tendo um ou dois jogos rentáveis por ano que se garante isto, seria mais negócio para todos, destinar parte da rendas da Série A para bancar os torneios deficitários entre os pequenos. A CBF e as federações estaduais são as maiores, ou melhor, as únicas beneficiadas com esta brincadeira de mau gosto que é o calendário brasileiro.

Para terminar, a Copa do NE está indo pelo mesmo caminho, cresceu o número de participantes, e pior, usa o estadual como classificatório. Na boa, times como Bahia, Vice, os 3 de Recife e os dois do Ceará não podem sob hipótese nenhuma ficar fora da competição, sem nenhum desmérito ao Uniclinic/CE, o que este time vai acrescentar em termos de renda e competitividade para a competição? Repito, futebol não é caridade, é profissional e assim tem de ser encarado e conduzido.

Enfim, esta ridícula situação de ontem a noite me fez lembrar do poema de gregório de Matos, Triste Bahia, o qual descrevo a primeira estrofe.

Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.

Um comentário:

  1. Miguel,

    Concordo contigo em gênero e grau sobre a falência dos campeonatoseus estaduais, especialmente o baiano. Não se pode expor um time profissional contra times semi-amadores, que na maioria das vezes entram pra jogar como se estivessem jogando um baba de fim de semana, ou seja, sem responsabilidade alguma e querendo ganhar na truculência.

    O problema está na forma como o Bahia deve conscientizar a torcida do seu desinteresse definitivo pelo campeonato baiano. Jogando com um time sub-23 todo o campeonato ou colocando os titulares apenas no ba X vices? Pela média de público da torcida tricolor nos últimos anos já se tem um idéia de que ela não aguenta mais assistir os jogos má bebês do Baiano. A diretoria tem fazer um trabalho junto à torcida para que ela mesmo dê o tiro de misericórdia na participação do Bahia. Inclusive, o esvaziamento nos Ba X vices do Baiano têm que ser incentivado até pelo fato da violência imbecil que as organizadas produzem em dia de clássico pela cidade. Deixar a presença nos clássicos para campeonatos mais rentáveis e com menos possibilidades de erros grosseiros de juízes em decisões ou de transferências internacionais transformadas em nacionais na tora.

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