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sexta-feira, 24 de março de 2017

7 não é conta de metiroso

Antes de mais nada, confesso que tenho assistido muito pouco aos jogos da seleção, acho que nos últimos 2 anos, o de ontem foi o único que assisti integralmente, mesmo assim, vou me arriscar a fazer uma análise do time de Titi que conseguiu a expressiva marca de 7 triunfos seguidos nas eliminatórias da Copa.

Começando pela defesa, destaco a boa mescla da juventude de Marquinhos com a experiência de Miranda, ambos se completam, por enquanto a parceria vem rendendo bons frutos, com a zaga brasileira mostrando firmeza e segurança. A vida dos dois é bem facilitada pelo trio de meias, como veremos mais na frente.

Nas laterais temos os consagrados Daniel Alves e Marcelo, cada um com suas características, Daniel com um futebol mais cadenciado, mas com uma precisão absurda nos cruzamentos, ontem foram duas assistências; e Marcelo mais na base da explosão, velocidade e dribles, mas também com boa capacidade de finalização. Ambos possuem na parte defensiva suas maiores carências, marcam mal, deixam verdadeiras avenidas nas costas, e pouco auxiliam a zaga nas bolas aéreas, ontem quando o Uruguai apertou, as deficiências listadas ficaram evidentes. Outro ponto que atrapalha é o excesso de confiança, não é raro as vezes que inventam e complicam o time, o pênalti de ontem depois do recuo de peito de Marcelo é um exemplo. 

Sobre o goleiro, prefiro não opinar, não vejo Alisson como um grande goleiro, mas também não vejo nada muito melhor do que ele, gostaria de ver o Diego do Valência sendo testado.

Claro que Neymar é o craque, o cara que vai desequilibrar os jogos, como foi ontem, mas, na minha modesta opinião, o diferencial do time de Titi está no meio. Temos três meias com boa capacidade de marcação; com bom porte físico, o que facilita na bola aérea na nossa área, suprindo a deficiência dos nossos laterais; com bom toque na saída de bola; e que chegam bem no ataque.

Começando por Casimiro, ontem jogou praticamente de 3º zagueiro quando o Brasil era atacado, lembrando Edmilson na Copa de 2002, mas quando precisou deu a tranquilidade necessária para sairmos no toque de bola. Destaco que no Real tem chegado e feito alguns gols em arremates de fora da área. 

Renato Augusto e Paulinho possuem a mesma função, recompõem e formam a linha de 2 volantes quando estamos sem a bola; aparecem para começar as jogadas de ataque municiando os dois meias mais avançados, ou seria atacantes mais recuados, Neymar e Coutinho; e aparecem sempre na área adversária, quase sempre surpreendendo a zaga adversária e não raro marcando gols cono foi o caso com Paulinho ontem. Dois jogadores limitados tecnicamente, mas que se encaixam como uma luva no esquema de Titi.

Na sequência temos  os dois jogadores de criação e que jogam mais próximos ao ataque, Felipe Coutinho, roubou a vaga de William na bola, e o craque Neymar. Ontem, FC não se destacou, mas também não complicou, foi quem iniciou a jogada do segundo gol, fechando na diagonal da direita da esquerda, e no jogo contra a Argentina fez o gol inicial fechando da esquerda para o meio e dando uma bela conclusão, por sinal esta é sua jogada forte. Contudo é bom saber que temos William e Douglas Costa para lutar por esta vaga e poder substituir Coutinho quando este não estiver inspirado. Qualquer um dos 3 pode ser o parceiro de Neymar. 

Contra o Uruguai Neymar mostrou todo seu repertório e mostrou que hoje é quem joga o melhor futebol do planeta, desde a arrancada na diagonal da esquerda para a direita, no início da partida, até o golaço que decidiu a partida, Neymar foi o cara que desequilibrou o jogo. Destaco que antes do gol, Neymar já tinha dado duas arrancadas que acabaram inibindo o ímpeto ofensivo do Uruguai que se lançava todo no ataque. O lance do gol é reservado aos grandes do futebol, o bico de Miranda foi digno de ganhar o leitão, a bola subiu barbaridade, mas Neymar teve a categoria necessária para matar a bola com coxa, se livrar da porrada do zagueiro e deixar estático o goleiro uruguaio com o toque por cobertura. 



Na última linha temos Gabriel Jesus, ontem fomos de Firmino. GJ mostrou em pouco tempo de seleção e de Manchester City que é diferenciado, em breve estará na galeria dos maiores 9 do planeta, jogador inteligente e que tem tudo para formar com Neymar uma dupla de ataque para ficar na memória do torcedor. Firmino ainda precisa mostrar mais serviço, mas hoje é o que melhor substitui GJ.

Enfim, de geração maldita e sem craque, passamos a ser uma das seleções mais elogiadas e temidas no mundo do futebol. Ainda precisamos ser testados contra os grandes europeus, pois os sulamericanos já foram devidamente atropelados. Só uma ressalva, em 2005, 2009 e 2013 fizemos boas campanhas, o time de Parreira tinha o quarteto ou quinteto fantástico e humilhamos a Argentina na final da Copa das Confederações; em 2009, o time de Dunga se engasgava com espinha de pititinga, mas passava por cima os tubarões, batemos as principais seleções do mundo, e de quebre outro titulo da Copa das Confederações; em 2013, Felipão recuperou a auto estima com o chocolate na Espanha na final de mais uma Copa das Confederações. Porém, nos mundias de 2006, 2010 e 2014 fracassamos de forma retumbante, sendo 3 participações pífias e esquecíveis. Espero que a lição tenha sido aprendida e que em 2018 a história seja diferente.

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