Marca SóBahêa

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sexta-feira, 10 de março de 2017

Guto: convicção ou teimosia

Estou muito à vontade para escrever este post, pois desde o ano passado reclamo aqui da forma como o Bahia de Guto atua fora de casa, sempre questionei aqui o fato do Bahia jogar com apenas um esquema tático seja dentro ou fora de casa, sempre mostrei que este esquema não funcionava fora de casa. Porém, não há como negar que há muito tempo o Bahia não conseguia o desempenho que tem como mandante, já não me lembro ao certo quando foi a última derrota e o último empate dentro de casa, acho que foi para o Vila Nova e Atlético/GO, respectivamente.


A derrota para o Paraná, e a consequente eliminação prematura na Copa do Brasil, torneio sempre de tristes lembranças para o Bahia, despertou a ira da torcida tricolor, o que mais li nas últimas 36 horas foi "fora Guto", memes pipocam na Internet com Gordiola nas mais diversas situações. Campanha igual só vi na época de Sérgio Soares, a qual me aliei aqui, nem Doriva foi alvo de tantos protestos da massa. 

A teimosia de Guto mostra que nosso treinador tem uma convicção muito grande que o esquema 4-2-3-1 é o mais apropriado para o tricolor, mas será mesmo? Desde o início da era GF, tento mostrar aqui que para nosso esquema funcionar se faz necessário que o adversário aceite que o Bahia comande as ações do jogo, o que é facilmente constatado quando enfrentamos um adversário tecnicamente inferior na Fonte, o time adversário recua, e o Bahia sobe com até 8 jogadores, dando muito volume de jogo, e tendo como consequência o aparecimento de diversas chances de gol, o que tem permitido nossos triunfos. Reparem na imagem abaixo contra o Goiás pela Série B, temos 8 jogadores nos últimos 30 metros do campo, sufocando o adversário. Claro que esta postura deixa o Bahia vulnerável a contrataques, o que é um risco quando enfrentamos times mais capacitados.



Fora de casa, esta situação só se repete quando o adversário é muito inferior ao Bahia, tipo o Altos/PI e os timecos do baianinho de Ednaldo, times com mais tradição tipo Paraná e Fortaleza, mesmo fracos tecnicamente, jamais vão assumir tal postura defensiva quando jogam em casa, assim o Bahia não consegue se impor, e nossas deficiências na armação de jogada se sobressaem. Entendo ser este o principal motivo do fracasso de Guto fora de casa, pois não consigo chamar de retranqueiro ou covarde um treinador que arma o time sempre no 4-3-3 (time de 2016) ou 4-4-2 (time de 2017), variações ofensivas do 4-2-3-1 a depender das características dos jogadores, na casa do adversário. Mas, posso sim chamar de teimoso e cego, pois os resultados e as atuações nos mais de 20 jogos comandados por PGF fora de casa já foram suficientes para mostrar a ineficiência deste esquema longe de SSA.

Em entrevista ao Papo Catiguria, vídeos abaixo, o Professor Guto explicou que o Bahia não tem uma liderança técnica em campo, e que este era o fator para o time oscilar tanto fora de casa, pois na Fonte a torcida supriria esta ausência. Pois bem, as contratações realizadas pelo tricolor, boas na minha opinião, não supriram esta deficiência apontada pelo treinador, assim, na minha opinião, seria mais um motivo para ele acordar e alterar o esquema fora de casa, mas não foi isto que aconteceu, continuamos no mesmo esquema dentro e longe de casa.



Para piorar a situação do gordinho, ele resolveu botar Juninho, o xodó da torcida e destaque em 2016, no banco de Édson e Renê Júnior, abrindo mão de algumas das principais armas do Bahia ano passado, os chutes longos e a cobrança de falta de Juninho. Entendo as razões de Guto, pensado como ele, Édson e RJ possuem boa saída lateral de bola e dão mais poder de marcação ao time no meio, liberando mais Régis e Zé Rafael, e permitindo as subidas dos laterais. Na teoria perfeito, contudo na prática não foi isto que vimos ainda, Édson e RJ tocam muito para o lado, não permitem um jogo mais vertical, Juninho já é mais ousado e faz o time avançar mais com seus passes longos e viradas de bola. Só tenho uma defesa para Guto neste caso, Juninho 2017 ainda está longe, muito longe da versão 2016, ainda não engrenou, pode ser esta a razão de Guto preferir os dois marcadores.

É muito fácil falar depois do acontecido, o famoso engenheiro de obra pronta, mas as substituições de Guto estão sendo desastrosas nos últimos jogos, a entrada de Feijão contra o Conquista e a saída de Régis contra o Paraná foram de uma cegueira ímpar, por mais que pense sobre o assunto, não consigo achar explicação lógica para elas.

Com base no escrito acima, fica difícil defender a permanência de Guto à frente do Tricolor, mas minha maior dúvida é quem trazer, será que Marcelo Oliveira, , Luxa, Levi ou Micale, 4 disponíveis no mercado, fariam este elenco jogar o fino da bola? Tenho sérias dúvidas, por isto ainda não tomei um lado sobre a permanência ou não de Guto.

Enfim, acho que a direção tricolor tem de ficar atenta aos bastidores, se perceber que o técnico vem perdendo o controle sobre o elenco, o que é comum quando os resultados não aparecem e a pressão externa aumenta, é hora de dar um foi bom, valeu, adeus para o treinador. Caso o elenco esteja fechado com o treinador, é hora de ter uma conversa mais séria com ele sobre a postura do time fora de casa, não estou falando aqui em intervir e armar a equipe, nada disto, estou falando em mostrar ao treinador que suas convicções estão sendo postas no chão pelos resultados e pelo futebol demonstrado longe de SSA.

Para encerrar, independentemente da saída ou permanência de Guto, já está evidente que vamos precisar de reforços para a Série A, já disse e reitero que temos uma boa base, mas reforços pontuais precisam vir antes de maio. Por exemplo, nossa dupla de zaga titular é muito boa, mas não consigo confiar em Lucas Fonseca; Armero, defendi a contratação aqui e no zap, já mostrou que precisa de alguém para revezar com ele na esquerda, por enquanto tem se mostrado mais atabalhoado do que útil; e nosso ataque precisa urgentemente ser reforçado, mesmo com a chegada de Maikon Leite, não acho que Edigar Junio, Diego Rosa e a meninada vão dar conta na A; por fim, o centroavante, será que Hernani é o matador ideal para a A? Ao contrário de boa parte da torcida, tenho achado as atuações de HB boas, mas ainda são insuficientes para amedrontar a zaga adversária, ele não impõe o respeito necessário para isto. Quanto ao famoso 10, o meia-de-criação, o cérebro tão cobrado pela equipe, acho que já temos 4 opções, o que precisamos é armar o time para que eles apareçam, contratar mais um está longe de ser uma prioridade na minha opinião.

Já ia encerrando sem tocar num ponto fundamental, o Bahia vem caindo muito de rendimento físico no segundo tempo, contra o Conquista me passou a sensação que recuou, pois os jogadores não aguentavam mais ir e voltar, tudo bem que o gramado era alto; e contra o Paraná me pareceu que faltou pernas para pressionar o adversário. Para um time que vem fazendo rodízio cair o rendimento físico não é aceitável, muito pelo contrário.

Um comentário:

  1. Li um comentário em um fórum que participo sobre a receita que sempre deu certo no Bahia: time mediano com técnico experiente. Para um clube que não tem grandes recursos para fazer contratações de peso, acho que um técnico de respeito fora de campo faz a diferença nos jogadores.

    Nunca gostei de treinador que não foi boleiro de verdade. Não que um craque venha a ser um excelente técnico, mas fica muito mais fácil ser entendido e respeitado quando se esteve dentro das quatro linhas.

    Quanto ao elenco, para uma série A sem sustos temos que repensar a política de contratações. Não acho que contratar só jogadores apostas seja suficiente. A liderança dentro de campo que Guto afirmou em entrevista tem que existir para equilibrar o time em momentos difíceis. E isso só acontece com referências positivas de jogadores que tenham experiência, principalmente de jogar série A. Além disso, temos que ter um elenco qualificado, no qual titulares e reservas tenham qualidade para manter o ritmo e esquema de jogo.

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