Marca SóBahêa

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quinta-feira, 23 de março de 2017

Hora de agir

O grande compositor Renato Russo era gênio em mostrar os dilemas humanos em suas letras. Canções como eu Eu sei (tenho andado distraído, impaciente e indeciso....só que agora é diferente, estou tranquilo e tão contente), e Andréa Dória (Às vezes parecia que, de tanto acreditar em tudo que achávamos tão certo, teríamos o mundo inteiro ... Mas percebo agora que o teu sorriso em diferente, quase parecendo te ferir), é a situação que vivo quando analiso o Bahia atualmente.


Por um lado, estou satisfeito e contente com o time que não tomou gol na Copa do NE; que fez a melhor campanha da primeira fase da competição; imbatível em casa com mais de 10 triunfos seguidos; com um time que leva pouco sustos quando joga com um adversário inferior tecnicamente; que tem uma das melhores defesas do País; que tem um planejamento e gestão exemplares fora de campo;  que contratou jogadores promissores e renovou com suas principais peças. Ou seja, motivos para estar otimista não faltam, e tento me manter nesta linha.

Porém, olhando por um ângulo diferente, vemos um time que ainda perde muito gol; que ainda encontra sérias dificuldades para criar quando enfrenta uma zaga mais bem montada; que ainda empata muito fora de casa com adversários inferiores; que oscila muito dentro da mesma partida, tendo momentos de brilho intenso e outros de apagão; que ainda carece de jogadores mais experientes e casca grossa que liderem os demais dentro de campo; que perdeu de forma bisonha e inexplicável a classificação na Copa do Brasil contra um limitado Paraná; que ainda tem carências de jogadores em algumas posições, como a lateral esquerda e o ataque. Ou seja, também temos motivos de sobra para já ficar preocupados com o que teremos pela frente na Série A, começando a sobrar espaço para o pessimismo preponderar sobre o otimismo.

Para piorar a situação, dois dos nossos principais atletas, dois que foram contratados para servir de referência técnica e para liderar o grupo fora e dentro de campo, vêm dando mostras que tem algo de errado no Fazendão, algo que começa a cheirar mal e exalar para fora dos muros da nossa concentração. 

Começando com Hernane Brocador, titular desde quando chegou, só ficou de fora por contusão, suspensão ou no rodízio. Não tenho dúvidas que é o melhor centroavante que temos e tivemos no elenco nos últimos 2 anos, e merecedor de todas as glórias pela frieza e categoria no decisivo gol contra o Sampaio Correia na fase final da segundona. Por um lado, HB me parece ser um cara comprometido com os treinos; dentro de campo, mesmo quando atua mal, não falta disposição e vontade; incomoda muito a zaga adversária; e faz seus golzinhos de vez em quando. Por outro lado, HB se mostra um cara arrogante que não aceita e suporta críticas. Não é de hoje que tenho notado esta características, ano passado teve de ser contido por Juninho, se não me engano, na comemoração de um gol, pois esbravejava contra a torcida. Sendo esta uma postura que joga a torcida contra o time e pode causar problemas internos no grupo.

Não quero aqui crucificá-lo pelo pênalti perdido, afinal concordo com ele que arriscar e improvisar faz parte do ofício do atacante, mas me desculpe nosso matador, a cobrança foi bisonha, ele não olha para o goleiro em hora nenhuma, mostrando que não estava preparado para tamanha improvisação, por isto o goleiro pega a bola tão facilmente. Mas, pior do que perder o pênalti foram as declarações posteriores, aquele desabafo em uma rede social beira ao ridículo, até hoje me pergunto se foi apenas para o público externo ou para o interno também, até porque tem o que ele falou para Marcelo Santana quando questionado. HB tem de entender que pessoas públicas, seja político, cantor, ator ou jogador de futebol, estão sujeitas a aplausos e elogios quando acertam, o que fizemos e fazemos até hoje com o gol contra o Sampaio, e críticas severas quando erram, o que ocorreu no último domingo. Em suma, entendo que HB melhorou este em relação ao ano passado, mas tem de baixar a bola e jogar mais bola, assim será mais útil e importante para o Bahia. E que cumpra sua palavra brocando contra o Vice, o que não fez ano passado.

O Outro é cajá, a situação dele me lembra o antológico filme Tropa de Elite, várias frases ditas nesta fita ficarão para sempre no dia-a-dia do brasileiro. "Pede para sair 01 (ou 010)" e "quem quer rir tem de fazer rir"  são frases que ilustram perfeitamente a situação do nosso 10. Se não quer ficar e jogar mais pelo Bahia, pede para sair, abra mão do seu poupudo salário mensal e siga sua vida, vá jogar sua bola em outro lugar e seja feliz, vc já deu sua contribuição com os gols contra o Goiás e, principalmente, contra o Bragantino. Se quer ficar e quer rir, faça sua parte, lute pela titularidade como Régis fez, mostre dentro de campo e nos treinamentos que você é o cara capaz de conduzir nosso time aos triunfos, ou seja nos faça rir de felicidade para rir. Agora, ter atitudes como a de ontem, só te apequenam junto ao torcedor tricolor, se recusar a entrar em campo não é atitude de profissional, é apenas lamentável e mostra o quanto você está descrente no seu futebol. Como diz o Legião, "Aceite o desafio e provoque o desempate, desarme a armadilha e desmonte o disfarce, se afaste do abismo, faça do bom-senso [está faltando ao nosso 10] a nova ordem".

Enfim, as frases de Brocador e a atitude Cajá não podem ser tratadas como fatos isolados, a comissão técnica e a direção tricolor precisam avaliar friamente o que causou as mesmas e quais seus impactos no elenco, a omissão neste momento poderá nos causar sérios problemas lá na frente. Não descarto pesadas multas para os dois atletas, precisamos mostrar que o Bahia é muito maior do que qualquer um que vestiu, veste ou vestirá este manto. Como diz Renato Russo na incrível canção Daniel na cova dos leões


Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos

Ah, já ia me esquecendo, o Bahia jogou ontem, dominou o fraquíssimo time do Fortaleza e ganhou como quis, em suma, foi um treino de luxo com a presença da torcida. De uma forma geral, parafraseando o Legião, o jogo deixou minha vista cansada, mas nada demais, o importante é que vencemos e fomos os melhores da primeira fase da Lampions, conquistando a vantagem de decidir em casa, onde mandamos e esculhambamos. Para encerrar, curtam o melhor disco do Legião.



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