Marca SóBahêa

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quinta-feira, 30 de março de 2017

Por onde anda o torcedor tricolor?

Wish you were here (Gostaria que você estivesse aqui, em tradução livre) é um dos maiores clássicos da música pop mundial. Esta obra prima do Pink Floyd é uma bela e emocionante homenagem da banda a Syd Barret, o músico que moldou o estilo musical e visual do grupo, mas que engolido pelas drogas teve de abandonar a carreira. Quem me dera ter pelo menos uma milionésima parte da criatividade e da genialidade de Roger Waters e David Gilmour para poder fazer uma arte desta, mas como não tenho vou plagiar descaradamente para pedir a volta do velho, apaixonado e aguerrido torcedor tricolor.


Como eu gostaria de saber o porquê do torcedor tricolor ter trocado o otimismo pelo pessimismo, a esperança pelo desespero, a alegria pela tristeza, a comemoração pela reclamação, o elogio pela crítica, o prazer pela dor, o riso pela angústia, a coragem pela covardia. Em suma, parece que como Syd Barret fomos engolidos pela droga da melancolia e vivemos num mundo cercado de cinza por todo lado, nada das três cores que traduzem a alegria de ser Bahia. Perdemos o prazer de andar na brisa, para nos afundar no mormaço.

Syd trocou seus heróis por fantasmas, nós trocamos nossos ídolos por desafetos que vivem em eterna conspiração para enterrar e acabar de vez com o Bahia e sua torcida. Critiquei e continuarei criticando Guto e seus comandados várias vezes aqui no blog, mas ontem, eles fizeram o que se esperava deles, foram em Aracajivis e não tomaram conhecimento do Sergipe, mas quando abrir o zap e o Twitter pela manhã, a impressão que tive foi que tinha sonhado com os 4x2, podendo ser 6 ou 7, do tricolor, pelas postagens tive a impressão que o Bahia tinha ganho de 1x0, com gol roubado e tomando o maior sufoco do adversário. Pois o que mais li foi da frouxidão de Guto e dos jogadores.

Como li recentemente num excelente texto de Joca Neri, nosso torcedor não curte mais um triunfo, apenas se limita a ressaltar a fraqueza do adversário e destacar que o que vale é o próximo jogo, se ganharmos, o que valerá é o título baiano, se ganharmos o que valerá é o título da Lampions, se ganharmos o que valerá é uma campanha digna no brasileiro, se fizermos terá sempre aqueles que lembrarão que não fomos campeões como em 88 e os demais falarão que só fizemos nossa obrigação.

Mas se fracassarmos em qualquer dos desafios acima, os engenheiros de obra pronta, os cavaleiros do apocalipse, os profetas de fatos passados vão levantar a voz, vão afiar os dedos e espalhar nos quatros cantos a famosa ladainha "eu não disse que este time era uma merda", a já manjada "eu não falei que Guto era frouxo", ou a já estourada nas paradas de sucesso "eu não disse que o elenco era uma merda". Só fico imaginando o dia que Jeanzinho tomar um frango.

A última estrofe da canção começa com How I wish, how I wish you were here (Como eu queria, como eu queria que você estivesse aqui) é a mesma sensação que tenho. Como eu queria que estivesse aqui aquele torcedor que lotava a Fonte para ver Bahia x Botafogo de Dias D'Ávila, que vibrava e enchia a cidade de alegria após uma goleada no Redenção ou AABB, que trocava uma cerveja com os amigos ou até um motel com uma gatinha pra ir na Fonte ver Bahia x Leônico, ou que não dormia antes de ouvir os saudosos comentários do mestre Armando Oliveira após um Bahia x Catuense. Enfim, alguns colegas morrem de saudade do tricolor grande, do tricolor que não se apequenava (palavra da moda na galera tricolor) frente aos grandes do eixo sul, do tricolor que goleava todos dentro e fora de casa, dos jogadores que honravam o manto, etc, etc, etc. Eu também sinto falta disto, mas o que eu queria mesmo era ver minha Nação de volta com sua alegria, vibração e esperança.

Depois de anos sem tocar juntos, Waters e Gilmour se reuniram para um show e finalizaram cantando Wish you were here em homenagem a Syd Barret, coloco este vídeo para finalizar este post na esperança de ver novamente a Nação que me orgulhava e me moldou para sempre como torcedor apaixonado do Bahia, o maior do mundo sempre em meu coração e na minha mente. Encerro dizendo que o solo de violão desta música é um gol de placa, ouçam e tirem suas conclusões.




2 comentários:

  1. Excelente artigo Miguel, concordo plenamente, o torcedor do Bahia anda muito pessimista e racional, só se preocupa com o futebol de resultados, o imediatismo supera a paciência. Até eu que me considero um cara cauteloso e ponderado nas críticas me vejo as vezes contaminado por este espírito. Uma coisa são críticas pontuais e construtivas e, outra, é o oportunismo de campanha. Volto a afirmar que a Diretoria obteve muitos avanços na parte administrativa e financeira que resgataram a credibilidade da instituição Bahia, mas no produto futebol e suas relações interpessoais ainda peca pela inexperiência e imaturidade, mas que só será conseguido com o tempo. Mas, acima de tudo, o que importa nesta reta final das competições do primeiro semestre é o sentido de união de todos, torcida, jogadores, comissão técnica focados na disputa dos principais títulos do primeiro semestre. Por exemplo, no caso de GF, tenho minhas restrições quanto a ele, pois acho que ele sofre da síndrome do medo e teimosia, sendo muito previsível em suas substituições, mas torço para que ele conquiste os títulos que se espera dele, evolua com o time e queime minha língua. ACIMA DE TUDO, TORÇO PARA O BEM DO ESQUADRÃO. BBMP

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  2. Sou até suspeito para comentar, pois fui considerado como uma das fontes de inspiração. Que inspiração! Fantástico! Retratou fielmente tudo o quanto defendo. Não significa que devamos ficar inertes diante dos erros, óbvio que não. Mas não podemos esquecer das coisas que mais nos alegram, nos deixam felizes. Esse amor é incondicional, mas com direito a reparos. Não deixamos de brigar com nossos filhos quando estes erram, todavia com o respeito merecido e com o viés de melhora, não de escárnio.
    Creio que, ao longo do tempo, adquirimos do nosso maior rival uma terrível característica, a do pessimismo. A de valorizar os outros e desmoralizar o que é nosso. Lembro-me que há algum tempo atrás, na verdade, sentíamos pena deles, não ódio, ira. Sentimentos, aliás, que só promovem a violência avassaladora que chegou ao futebol. Desnecessário isso.
    Não precisamos ser a Poliana dos livros infanto-juvenis (não me envergonho de assumir já ter lido), mas não sejamos igualmente Murphy (o da famosa Lei de Murphy) para achar que não existe nada de tão ruim que não possas piorar...
    Sejamos, pois, felizes e cuidemos de quem amamos.
    Parabéns para ao autor da crônica (não é um texto qualquer) e digo que me senti muito honrado por ter sido citado como um das fontes de inspiração para o subscritor. Aliás, nem precisa, o autor já possui inspiração própria.

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