Marca SóBahêa

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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Aviso dado

Estou escrevendo mais de 18:00 após o término da partida, mas ainda estou muito puto com o que vi ontem. Pois, não tem esta de que este BaVice não valia nada, pelo contrário, vale e muito, imagine se esta pressão e insatisfação que estamos presenciando nas redes sociais estivessem do outro lado? Os próximos valerão vaga na final da Lampions, eles chegarão cheios de moral e nós repletos de dúvidas e questionando o pai, a mãe, a avó de diretoria, treinador, jogadores, roupeiro e cozinheira do Fazendão. Ou seja, a derrota de ontem, passou para nossa torcida que nada presta, tudo o que foi feito até agora tem de ser jogado fora, infelizmente, isto não é a verdade, mas é o que fica após uma derrota em clássico.

Falando sobre o jogo, Guto novamente entrou com seu esquema 4-2-3-1 ou 4-3-3 numa análise mais simplista. Não achei que Guto se equivocou na escalação dos jogadores, podemos até discutir se Zé Rafael deveria entrar no lugar de Edigar Junio ou Alione, mas não foi isto o determinante do jogo. Na minha opinião, o que determinou a apagada atuação do Bahia no primeiro tempo foi o posicionamento de Alione, pois o mesmo atuou muito aberto pelos lados, com isto pouco apareceu para armar as jogadas, sobrecarregando Régis e forçando Juninho a se apresentar mais. Nossos laterais também apareceram pouco para desafogar a saída de bola. Era evidente que nosso meio não conseguia por a bola no chão, pois sempre vinha dois ou três deles em cima de Régis, com isto vivemos de lançamentos dos zagueiros, o que é uma temeridade, mesmo com Éder acertando uns dois. Régis disse antes do jogo que clássico se decide nos detalhes (o segundo gol deles escancara isto), mas o que determina o ritmo do jogo é a disposição tática da equipe, e Guto mais uma vez insistiu na sua convicção do 4-2-3-1 com dois jogadores abertos, insisto que esta tática só funciona se o adversário der campo ao Bahia, quando isto não acontece, acabamos perdendo o meio e vivendo de jogadas isoladas, foi o que se viu ontem e vem se repetindo desde a chegada de PGF no Bahia.



No segundo tempo, por incrível que pareça, jogamos melhor mesmo com 10, aqui abro um parênteses, a expulsão não foi determinante para a derrota, mas claramente foi dado o recado que na dúvida a arbitragem é deles, fecho o parênteses. Com EJ caindo pela direita, Eduardo começou a aparecer mais e os dois voltaram a se entender bem, com isto algumas chances surgiram por este lado. Tudo bem que estávamos com 1 a menos e com dificuldade para controlar a bola, mas aquela tática de lançar todas as bolas paradas na área foi patética, beirando o ridículo, desespero total, se Argel não tivesse cometido a besteira de tirar Cleiton Xavier para por Paulinho, poderíamos ter passado por muito apuro. A tática fica mais ridícula quando sabemos que o forte da defesa deles é a bola aérea, quando conseguimos chegar com ela no chão, eles se atrapalhavam, inclusive marcando contra. Em suma, mostramos poder de reação e poderíamos ter empatado mesmo com 1 a menos, mas foi tudo na base da vontade e do bumba meu boi, tática zero. 

Coletivamente, destaco de positivo a vontade do time, não vi o time apático em nenhum momento, o problema foi a disposição tática da equipe, falha total de Gordiola. Não vi nenhuma supremacia do vencedor, vi mais falhas nossas do que qualidade neles, mas tem de se destacar que os "irmãos" Xavier fizeram o que se esperava de Régis e Alione, se aproximaram e fizeram a bola chegar com mais qualidade no ataque.

Individualmente, algumas peças foram mal, Armero se livrava da bola, parecia que era uma batata quente queimando na mão, perdi a conta da quantidade de chutão que ele deu quando podia por a bola no chão e avançar com tranquilidade, atitude inadmissível para um jogador com a rodagem dele; Juninho também mal, errou e perdeu diversas bolas no meio, tudo bem que estava com dupla função de ajudar Renê na marcação e Régis na armação, mas poderia ter caprichado mais em alguns lances; Alione não entrou em campo, se escondeu atrás dos laterais adversários e foi uma peça nula; Régis até tentou, mas estava muito bem marcado, apareceu um pouco mais no segundo tempo com a saída de José Wellisson do seu calcanhar; EJ não fez mais nem menos do que espero dele, o que mostra que ou Maikon Leite estreia ou contratamos urgente outros atacantes de lado; Hernane foi um capítulo a parte, tirou onda prometendo gol no BaVice e não cumpriu, entendo que o mesmo até tentou ajudar a equipe, mas está faltando uma melhor colocação na área, parece que perdeu o faro do gol, por algumas vezes a bola chegou e ele não se fez presente para concluir, mas a bola tem de chegar mais e com mais qualidade. Por fim, gosto muito do futebol de Éder, entendo ser um jogador promissor, mas não podia ser ele o marcador de Kanu, ali é briga de cachorro grande e experiente, Thiago que deveria ter feito esta função, por isto o segundo gol na mais manjada jogada do limitado time do Vice, ou seja, detalhe que decide jogo.

Hoje a festa é deles e a angústia é nossa, mas bola para frente, se Guto tiver um pouco mais de visão e deixar de lado suas convicções e teimosias, temos totais condições de vencer o rival, para isto temos de ganhar o meio, assim Marquinhos Santos nos deu o título em 2014 e Doriva só não conseguiu o tri em 2016 por causa da arbitragem. Ainda vou analisar um pouco mais, mas para o jogo do lixão eu colocaria o time com Renê e Édson na cabeça da área, completando o trio de marcação com Juninho que também teria a função de se aproximar mais de Régis, e deixava o ataque com dois jogadores.

Para finalizar, a festa em Brasília foi massa, a Embaixada fez um lindo evento. Em SSA, as duas torcidas fizeram sua parte e deram um show, infelizmente manchado pelos impunes marginais de sempre.

Um comentário:

  1. Miguel,

    Concordo inteiramente com seu comentário a respeito deste mantra que criaram de que perdemos um jogo que não valia nada. Isto é para minimizar a falta de competência do Bahia no clássico. Jogo contra o rival é um campeonato isolado. Além do triunfo, o resultado mexe com o moral de todos, joga a possibilidade de crise para o lado perdedor e ajuda a aumentar as estatísticas dos confrontos.

    O Bahia desaprendeu a jogar contra o vice, sendo que, na maioria das vezes, entra em campo já pilhado negativamente e, quando toma um gol, desestrutura por completo e dificilmente tem forças para reverter o resultado. O Bahia de hoje em campo é o vice de ontem. Já assisti diversos Ba x vices nas décadas de 70 e 80, nos quais o vice, com time mais forte, tremia diante da superioridade psicológica do Bahia em campo.

    Quanto ao jogo de domingo, ele serviu para mostrar que o manjado esquema de Guto Ferreira não será efetivo contra times mais qualificados, principalmente na série A. Ou ele muda as convicções dele caso se mantenha no cargo ou temo sermos o bônus da série A para os demais. Além disso, está claro que não há um equilíbrio mais uma vez na formação do elenco do Bahia. Já comentei que não tenho aversão a medalhão e jogador tarimbado desde que o profissionalismo esteja acima de qualquer dúvida. É necessário que haja experiência e qualidade técnica para servir de referência dentro de campo. Só para exemplificar, o nosso principal destaque da série B, Juninho, jamais jogou uma série A e talvez tenha disputado poucos clássicos na carreira.

    Só para finalizar, o clima de Ba x vice atualmente é o seguinte: festa e segurança dentro do estádio; tensão e insegurança fora do estádio gerado pelas provocações das torcidas organizadas. A polícia, de forma eficiente e rápida, prendeu uma porrada de integrantes de organizadas antes do jogo numa confusão no Dique do Tororó e, certamente, já devam estar soltos se preparando para a baderna no próximo clássico.

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