Marca SóBahêa

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terça-feira, 25 de abril de 2017

Chegou a hora

Faltam menos de 36 horas para o começo do primeiro BaVice dos 4 programados para as próximas duas semanas. Sem dúvida, será uma ultramaratona, 360 minutos, 6 horas de futebol sem considerar os acréscimos. Se imaginarmos que na média cada jogador corre 5 Km/jogo, serão 400 Km percorridos, a distância de Feira de Santana a Conquista, quase 10 maratonas, ou seja é muita coisa e regada com muita tensão e emoção.


Este ano já tivemos um duelo, vencido pelo Vice por 2x1, ficou evidente neste jogo que o esquema tático de Guto com dois homens abertos deixou o meio do Bahia fragilizado, não chegamos a ser dominados, mas não fomos capazes de criar nada na primeira etapa, melhoramos quando jogamos com 1 a menos e com apenas 2 no ataque. Pelo seu lado, o rival, em especial, no primeiro tempo, fez uma marcação implacável sobre Régis, e teve em Gabriel Xavier o principal articulador de suas jogadas. Destaco também que no segundo tempo Patrick apareceu livre várias vezes, e não só pela direita, se tornando um importante fator surpresa no ataque deles. Por nosso lado, Eduardo e Edigar Junio deram uma canseira no fraco lateral esquerdo deles.

Este breve relato já mostra a complexidade que é montar o time para o clássico, pois ao mesmo tempo que precisamos fortalecer nosso meio, aumentando nossa capacidade de marcação e principalmente de criação, precisamos encorpar nossos lados para evitar os avanços de Patrick e explorar a fragilidade de Gefferson. Ano passado, Doriva tinha impasse semelhante após o primeiro jogo da final, e resolveu de forma surpreendente, escalando João Paulo Gomes, em sua única boa apresentação pelo Bahia, pelo meio, com isto reforçamos a marcação sobre Marinho, o principal jogador deles, e ganhamos velocidade na saída de bola, quem viu o jogo sabe que dominamos completamente e ganhamos com certa facilidade.

Infelizmente, acho muito difícil Guto abrir mão de suas convicções, o máximo que espero dele é a volta de Zé Rafael ao time no lugar de Alione, mas nem isto acredito que será feito, para PG, ZR é o reserva de Régis e ponto final. Como escrevi dias atrás, escalaria um meio com três volantes, mas com Matheus Sales se tornando apenas a quinta opção para esta posição fica difícil defender minha tese, pois para funcionar o que eu estava pensando precisaríamos de pelo menos um volante veloz e com capacidade de carregar a bola, o que definitivamente não é a característica de Édson, Renê Júnior, Juninho e Feijão.

Para complicar, Eduardo não joga a primeira partida, com isto Éder deve vir para o jogo, ficando a dúvida entre Lucas Fonseca e Jackson para montar a zaga ao lado de Thiago. Esta mudança é positiva para o lado defensivo do time, Eduardo marca mal e é baixo, Éder já é mais forte na marcação e pode ajudar muito o time na bola aérea defensiva, apesar de ter falhado ao acompanhar Kanu no segundo gol deles no último jogo. Porém, perdemos ofensivamente, Eduardo é sem dúvida mais rápido e incisivo, mas destaco que Éder costuma chegar algumas vezes e cruzar bem. Na outra lateral vamos de Armero, espero que desta vez o dublê de dançarino colombiano trate a bola com mais carinho, não se limitando a se livrar dela como no primeiro BaVice.

A propósito, não me surpreenderia o Vice entrar com Kieza e André Lima, pois como sabemos o primeiro também sabe cair pelos lados, em especial pelo esquerdo, com isto a entrada de Éder no time é positiva, pois podemos colocar 3 zagueiros mantendo uma sobra, mesmo eles com dois centroavantes, acho que esta pode ser a única novidade no time de Cana Brava.

Voltando ao time tricolor, entendo que Alione, não por acaso camisa 8, a do craque Bobô, decisivo em diversos clássicos, é o fator chave do sucesso. Caso repita a péssima atuação da primeira partida do ano, quando se escondeu atrás dos laterais do Vice, teremos novamente sérios problemas, mas se fechar mais, se aproximando mais de Régis, deixando o meio deles sem sobra, pode ser o cara decisivo da partida, fazendo a bola chegar mais fácil para a conclusão de HB e EJ. Ele já mostrou que tem qualidade para isto, só falta agora Guto deixar que ele faça.



A dupla de volantes é outra questão a ser pensada, sei que vou tomar muita porrada pelo que vou escrever, mas vamos lá, em hipótese alguma eu sacaria Renê Júnior deste BaVice, explico Édson volta de duas semanas de inatividade, não sei se terá pique para aguentar 90 minutos acompanhando Gabriel Xavier; Juninho mostrou nos últimos jogos que a fase em 2017 não é a mesma de 2016, se destacou mais pelos passes errados em uma zona perigosa do campo, do que pelos chutes. Assim, minha dúvida ficaria entre Édson e Juninho, se entrarmos com o primeiro ganhamos em marcação, se entrarmos com o segundo, mantemos acesa a esperança do jogo ser decidido numa cobrança de falta ou num chute de longa distância, dúvida cruel para PGF resolver.

Por fim o ataque, com Alione fechando mais, EJ vai ter de se desdobrar, uma hora pela direita e outra pela esquerda, além de ser nosso responsável por levar o time com velocidade para frente. Eu deixaria EJ mais pela direita explorando a fragilidade do lado esquerdo deles, e mandaria Alione e Juninho ajudarem Armero na marcação do lado direito do Rival. Hernane é outro que tem papel fundamental, não sou daqueles que acham que ele tem saído muito da área, é o esquema, como temos apenas uma meia de criação, ele sai para fazer o pivô e dar a opção de tabela para Régis, nem acho também que ele tem feito corpo mole. Meu problema com ele é mais a marra e falta de humildade de aceitar críticas quando erra, mas isto é problema meu e não dele. Voltar a fazer gols nos dois jogos da semi contra o Touro foi muito positivo, pois foram dois belos gols que mostraram toda a tranquilidade dele na conclusão das jogadas, assim as cobranças da torcida diminuíram e nosso 9 entra mais focado, tranquilo e principalmente com mais confiança para o jogo.

Enfim, esquema tático é apenas um detalhe para ganhar clássico, normalmente jogos tensos, truncados e de muita marcação, vale muito o sangue no olho, a raça, a velha vontade de vencer e a luta pela bola como se fosse o último prato de comida. Não acho que faltou esta vontade no último jogo contra eles, mas nitidamente estamos sentindo demais quando tomamos um gol, nosso time fica cabisbaixo e quase sempre se entrega no jogo, tomando o segundo gol neste momento de abatimento, aí fica difícil correr atrás do prejuízo. Acho que para esta ultramaratona, tão importante quanto o trabalho tático do professor Guto é a Direção chegar junto aos jogadores para levantar a moral da tropa, e cabe a nós torcedores deixarmos o pessimismo de lado e irmos a campo ou ver pela tv, o que é meu caso, emanando energia positiva e otimismo para nosso elenco, se ficarmos nesta ladainha pessimista que leio e ouço nas redes sociais não iremos a lugar algum e ainda vamos baixar o astral do time. Andar com fé eu vou rumo ao Tri do NE e a mais um título baiano.

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