Marca SóBahêa

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quinta-feira, 13 de abril de 2017

É possível jogar diferente

Acho que todos já estão careca de saber e eu já estou de saco cheio de escrever sobre a teimosia de Guto com o mesmo esquema tático desde sua chegada no Bahia. Em praticamente todos os jogos fora de casa comentei sobre isto e inclusive tratei do assunto em um post exclusivo (http://www.sobahea.net/2017/03/guto-conviccao-ou-teimosia.html). Contudo, é impossível não voltar ao tema, só que desta vez não farei apenas o tranquilo trabalho dos engenheiros de obra pronta ou dos profetas dos fatos passados, tentarei mostrar que com o elenco atual teríamos totais condições de assumir outras posturas táticas durante os jogos.
De uma forma geral, o Bahia atua no 4-2-3-1, com dois meias (formação 2017) ou dois atacantes (formação 2016) abertos pela ponta, Régis centralizado e Hernane fazendo o papel de pivô. Nos jogos dentro de casa, como já exaustivamente tratado aqui no blog, os laterais e volantes avançam, com isto ficamos com 8 jogadores no campo adversário e sufocamos o adversário, assim, mesmo com toda a dificuldade na criação das jogadas, os gols acabam saindo. O maior problema que vejo neste esquema na parte ofensiva é a distância entre Régis e os jogadores que atuam pelos lados, quando se aproximam as jogadas saem mais naturalmente, no BaVice isto praticamente não ocorreu. Defensivamente atuamos como mostra a figura.


No primeiro gol do último clássico, Thiago saiu para o bote e a defesa ficou aberta pelo seu lado, Éder veio na cobertura e praticamente ficamos sem zagueiro na área, como mostra a imagem.


Vamos explorar uma das variações que são possíveis com o atual elenco. Não sei se todos lembram da seleção de 2002, Felipão armou o time num falso 3-5-2, falso porque Edmilson só se posicionava como 3º zagueiro quando não tínhamos a bola, se tornando um volante quando a bola era nossa.  Na sua frente, na primeira fase fomos de Gilberto Silva e Juninho, quando a coisa apertou Klebérson entrou no lugar do último. Na frente os 3 R, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e o Fenômeno. Repare que não tínhamos nenhum atacante de lado, o que era suprido pelas subidas constantes dos laterais Cafú e Roberto Carlos. O segredo estava em ganhar o meio e daí controlar o jogo, o que é praticamente impossível no esquema atual do Bahia com dois homens abertos.

Por favor, não pensem que estou comparando jogador, mania da zorra de um colega da Embaixada, mas este esquema poderia ser utilizado pelo Bahia, com Édson fazendo o papel de Edmílson, Juninho e Matheus Sales (tem mais mobilidade do que Renê Júnior) os de Gilberto Silva e Klebérson. Atualmente, temos 2 laterais baixos, o recuo de Édson fortaleceria nosso time nas bolas aéreas. Não descartaria também entrar com Éder e sacar um dos volantes avançando Édson, em especial nos jogos mais complicados fora de casa. Vejamos como ficaria 


Com a recuperação da posse, Édson avançaria para a frente dos zagueiros, os volantes avançariam e teriam a dupla de função de ajudar na armação e na triangulação com os laterais, e Régis jogaria mais centralizado com HB e EJ fazendo a frente. Os laterais teriam a liberdade para passar. Assim teríamos o clássico 3-5-2, como mostra a figura. Nos jogos mais tranquilos em casa, se é que existe isto na Série A, seria possível sacar um dos volantes e colocar Zé Rafael ou Alione para ajudar na armação vindo de trás e tabelando com Régis.


Este foi só um exemplo que podemos pelo menos testar outras formas de atuar. Sei que muitos torcedores se arrepiam quando falamos em 3 volantes, pois lembram logo dos trios Fahel, Hélder e Diones (Rafael Miranda), ou Fahel, Wellington e Léo Gago, de tristes lembranças. Mas, não vejo como encarar a série A sem reforçar e muito nossa meia cancha, se jogarmos abertos como atualmente, pressinto maus momentos.

De qualquer forma, entendo que precisamos nos reforçar do meio para frente, em especial no ataque, temos de ter pelo menos um atacante que una força, velocidade e se possível um pouco de habilidade, pois vamos jogar muito no contrataque no segundo semestre, e não vejo no atual elenco, já que Maikon Leite ainda não estreou, alguém capaz de puxar o contragolpe com qualidade, exemplo do que estou falando é Marcelo Cirino. A lateral esquerda também é outro problema, Armero precisa gostar da bola, se livrar dela como vem fazendo, mata qualquer chance de uma saída qualificada de trás para frente.

Lembro que no campeonato de 2014, o Vice era amplo favorito, mas nas finais, Marquinhos Santos colocou Talisca e Lincoln revesando como falso centroavante, matamos os dois jogos e conquistamos tranquilamente o título. É um pouco desta ousadia e variação tática que falta a Gordiola. Sem inovar nada vai ser flórida ganhar os próximos Bavices e fazer uma campanha digna no Brasileirão. Para encerrar uma frase que reflete bem o que penso neste momento sobre nosso treinador:

Errar é humano, persistir no erro é burrice, mas persistir na burrice, é pedir pra ser vice.

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