Marca SóBahêa

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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Um gênio que se foi

Enquanto estávamos concentrados na sequência de 4 BaVices em duas semanas, morreu Belchior, um grande compositor da música brasileira, foram poucas canções, mas as letras fortes e o ritmo característico marcaram época. Como sabido, Belchior abandonou a carreira e foi curtir sua vida de forma mais reclusa. Está sendo interessante ler as reportagens com os depoimentos de quem conviveu com ele neste período e ouvir novamente suas canções que ganham novos contornos e interpretações após tudo que aconteceu.


Paralelamente, a esta revisita ao repertório de Belchior, continuo interagindo e lendo parte das centenas de mensagens diárias da torcida tricolor, ficando evidente que a maior parte da Nação tem uma imensa dificuldade de perceber que "No presente a mente, o corpo é diferente. E o passado é uma roupa que não nos serve mais", como cantou Belchior em Velha Roupa Colorida. Parte da torcida tricolor insiste em analisar futebol e tudo que o cerca como se ainda estivéssemos no século passado, é impressionante com ainda tem pessoas que priorizam a montagem de um time forte em detrimento ao fortalecimento do clube fora das 4 linhas. Não tenho dúvidas que garantir o saneamento financeiro do clube e dotar o clube de uma infraestrutura é muito mais importante no momento do que contratar jogadores caros e de sucesso incerto no campo. Me desculpem os críticos, mas a torcida não paga mais nenhum jogador como fizemos na década de 80 apenas com renda de jogo, precisamos mais e muito mais para garantir um Bahia forte, e parte disto é ter uma gestão financeira responsável.



Belchior ficou imortalizado com a canção Como Nossos Pais, na voz de Elis Regina. Uma frase marcante desta canção é "Viver é melhor que sonhar". Claro que é melhor ter um time forte e invencível do que ficar sonhando com isto ou relembrando o passado. Porém, para que isto aconteça temos de entrar na nova era do futebol que requer uma torcida mais participativa no dia-a-dia do clube, infelizmente o passado de ser apenas os vibrantes torcedores de arquibancada já não produz resultados duradouros, pode se ganhar uma batalha, como foi o caso da semi do NE, mas para ganhar a guerra precisamos estar cientes que uma nova postura como torcida precisa ser adotada, e ser sócio é uma obrigação hoje para quem quer resultados melhores, como diz o autor "É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem". O novo no futebol está posto, torcida participativa, direção responsável e profissionais comprometidos, sem isto é viver um passado que não volta mais, é vivermos como na época de nossos pais.



Por outro lado, concordo com parte das críticas da torcida em relação à postura da diretoria tricolor. Em muito momentos MS, PH e sua trupe agem como se vivessem em um mundo a parte, aonde os resultados em campo passam apenas a ser um detalhe, não é por aí, o futebol é o carro chave do clube, o insucesso neste quesito pode e vai por a perder o que foi feito fora de campo. Não podem apenas se assustar e negar as críticas da torcida e da imprensa, precisam estar cientes que enfrentar o frágil e abatido remendo de time do Vice foi apenas uma amostra grátis, um brincadeira café com leite, quando comparada à realidade que vamos enfrentar no Brasileirão, como diz Belchior em Apenas um Rapaz Latino-americano

"Mas não se preocupe meu amigo
Com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente
Quer dizer
Ao vivo é muito pior"



A Turma tricolor (torcida, direção e jogadores) precisa ter consciência que o Bahia é " apenas um [time] Latino-Americano, Sem dinheiro no banco, Sem parentes importantes E vindo do interior". Por isto, precisamos nos unir, entrar na Fonte na mesma sintonia e carregar os jogadores nos momentos de dificuldades, esquecer por enquanto nossas diferenças e apoiar o time e direção nesta dura e longa jornada da Série A.

Em Divina Comédia Humana, Belchior canta "Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol", é mais ou menos como me sinto quando vejo os desafios que teremos a partir de domingo, já vi que roerei muita unha e soltarei muito VTNC, VSF e VTNC, mas como diz o mestre

Eu vos direi no entanto
Enquanto houver espaço, corpo e tempo e algum modo de dizer não
Eu canto [torço].


Vou terminar por aqui, mas recomendo a todos que revisitem a obra de Belchior e se deleitem com frases como:

Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel, o que é paixão (paralelas)

Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho
Deixem que eu decido a minha vida
Não preciso que me digam, de que lado nasce o sol
Porque bate lá o meu coração (Comentários a Respeito de John)

2 comentários:

  1. Antonio Cordeiro Neves,
    Comentário irretocável!!! Parabéns.
    Votei em Marcelo Santana e provavelmente votarei de novo agora que o conheço melhor. Sempre sonhei com a instituição forte, mesmo na época das grandes conquistas. Tenho a mesma opinião acerca de que os frutos só virão no futuro, ponto. Agora, não precisa ser desta forma, sem ter a mínima capacidade de montar um time sem ser caro mas competitivo, é preciso ter gente com essa visão de buscar os reforços pontuais necessários para compor o elenco: goleiro, zagueiro,laterais, meia, atacante e centroavante. A diretoria a meu ver está distante da torcida, ensimesmada. Jeanzinho, Lucas Fonseca, Armero, não são jogadores ´pra serem titulares do Bahia numa serie A (espero que a diretoria esteja deixando terminar a C. do Nordeste pra não prejudicar o rendimento e a motivação dos que estão aí). Finalmente, o meu maior temor é quanto a sucessão no ano que vem, se o time não for bem e os abutres aparecerem.
    BBMP

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  2. Miguel,

    Seu comentário leva a refletir sobre o velho dilema: quem nasceu primeiro foi o ovo ou a galinha?

    Um choque ortodoxo de gestão foi necessário no início da nova diretoria em virtude do estado de caos administrativo/financeiro no clube. Prorizou-Se a arrumação da casa com a mão de ferro suficiente para estancar a sangria. Neste ponto a diretoria agiu de acordo com os manuais de boas práticas de gestão.

    Porém, o que faz a diferença na excelência de uma administração é o uso da criatividade e ousadia, principalmente nos momentos de baixa. Um planejamento de investimento é imprescindível para buscar alternativas para sair da crise ou inércia. Uma decisão de investimento tem um custo, mas deve-se analisar a taxa de retorno para saber em qual ponto o investimento cobrirá os custos e aumentará o lucro.

    E acredito que está falta de ousadia da diretoria tricolor contribui para a falta de resultados consistentes em campo. Como aumentar receitas com patricinadores, exposição da marca e associação em massa se o time não ganha títulos e não tem jogadores que chamem a atenção?

    Não gostaria que fossem trazidos medalhões tipo os que têm passado por aqui. Eu quero ver um elenco mesclado que me ofereça a oportunidade de alcançar alguns objetivos inimagináveis diante da postura atual da diretoria.

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