Marca SóBahêa

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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Nem Pollyanna, nem Murphy, somos Bahia

Antes de falar de futebol, vamos falar um pouco sobre literatura. Um dos clássicos da literatura mundial é o livro Pollyanna -esclareço logo que nunca li, mas vou tentar-, a personagem principal é uma garota de 11 anos, órfã e que vai morar como uma rigorosa tia, como forma de sobrevivência, Pollyanna procura sempre o lado positivo em tudo que acontece ao seu redor, otimismo ao extremo. Na direção contrária, temos Murphy, engenheiro aeroespacial, criador da famosa lei, "se algo pode dar errado, dará". Na década de 80 saiu um livro com frases inspiradas nele, algumas são clássicas até hoje, entre elas: "O pão sempre cai com o lado da manteiga para baixo", "A outra fila é sempre mais rápida", e "Você sempre encontra aquilo que não está procurando", pessimismo na veia. Este, eu comprei, li, reli e gargalhei muito.


Esta introdução toda foi só para falar sobre o comportamento da Nação Tricolor. Bastaram os triunfos contra Atlético/GO e Cruzeiro para nosso lado Pollyanna aflorar, em segundos, meu zap estava cheio de mensagens sobre a terceira estrela e sobre o triunfo contra o Real na final do mundial. Mas, bastaram as derrotas, algumas injustas, para os 4 primeiros colocados do campeonato, para o mundo desabar, logo veio o desespero e o medo do rebaixamento, da leitura de tudo fiz o seguinte resumo parafraseando Murphy "se o Bahia pode cair, cairá", simples assim. Nada mais presta ou salva do trabalho dos últimos 2 anos, oh Diretoria incompetente -ainda não chamaram de corrupta, mas não demora- bradaram os opositores.



No meu escasso tempo livre, fico imaginando um programa de debate sobre o tricolor, tendo como debatedores Pollyanna e Murphy, seguem algumas partes da minha viagem:

Entrevistador: Qual a opinião de vocês sobre o time do Bahia?

Pollyana - Nosso time titular está entre os 5 melhores da Série A, o trio de meias com Régis Alione e Zé Rafael joga em qualquer time do Brasil. É certo que temos algumas falhas no elenco, mas nada que comprometa nossa campanha rumo a Libertadores. Ah sim, Renê Júnior é monstro, nível Europa. Com certeza, Jorginho vai montar um esquema que nos deixará imbatível em casa.

Murphy - Nosso elenco é muito limitado, sem nenhuma peça de reposição que preste. Gustavo, PQP, só serve para espantar abelha em poste, e o doente do Maikon Leite, veio fazer o que no Bahia? O time titular é razoável, mas Jean não me passa a menor confiança, e Edigar Junio é muito ruim, não sabe fazer gol. Jorginho não é o treinador certo, tem muito a mostrar ainda, preferia um cara cascudo como Luxemburgo, veja como o Sport melhorou depois dele, ganhou do Santos lá.

Entrevistador: Qual a opinião de vocês sobre a direção do Bahia?

Murphy - Um bando de menino amarelo incompetente, só tem marketing, pagar em dia é obrigação, só não faz quem não quer. Esta história de saneamento das contas é pura balela, o clube está quebrado. Para que serve aquele merda do Avancine, cadê a associação em massa? A torcida quer, mas o clube não incentiva, ah se os caras fossem bons, já estava em 50.000 sócios, eu mesmo só me associo quando fizermos uma campanha digna na A. Ainda temos de enfrentar as dificuldades impostas pela Arena, e os amarelos não fazem nada para mudar. Nem falo nada sobre contratação, pois eles não entendem nada de futebol e só trazem porcaria, lembram de Tinga e João Paulo Penha? Não jogam no meu baba na Ribeira, e o Bahia comprou, muita burrice.

Pollyanna - A direção é perfeita, saneou o clube, paga em dia, contrata dentro das condições do clube, botou para f... na máfia da CBF e da Globo. Quem fala mal é porque está com saudade do jabá pago pelo Inominável da era das trevas. Nem quero saber o que vai acontecer no Brasileiro, meu voto é deles.

Não vou me alongar mais, também tenho meus momentos de otimismo e pessimismo, contudo peço mais equilíbrio e menos parcialidade e paixão na análise da situação do Bahia. Está claro e evidente que nem tudo são flores para o lado do Fazendão, a direção errou em contratações, demorou em outras, perdeu a mão do elenco em 2015, entre outros vacilos, porém teve méritos incontestáveis como recolocar o Bahia na A, pagar em dia, trazer jogadores como Régis e Thiago. Da mesma forma, em campo não somos o Barcelona que sonhamos, mas temos um time bom e um elenco razoável para nossas limitações orçamentárias, voltamos a ser um mandante de respeito, e temos jogadores que podem fazer a diferença num jogo.

Enfim, entendo que nosso papel, aquilo que nos faz diferente, é o que fizemos nos jogos finais da Lampions contra os Leões do NE. Naqueles momentos mostramos que nossa paixão pelo Bahia fala mais alto do que qualquer discordância com os profissionais que estão no clube, como foi bonito ver pela tv os jogadores descendo no meio da massa, a queima de sinalizadores, as luzes do celular, os gritos e cânticos de incentivo, isto sim me fez ser apaixonado por este clube e por esta torcida, isto sim que é ser Bahia. Por fim pergunto, neste momento de fraqueza, vamos abandonar o time, deixar a Fonte entregue às moscas, ou vamos mostrar nossa força e levantar o time, fazendo valer nossos lemas, somos a turma tricolor e ninguém nos vence em vibração? Fica a dúvida.

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