Marca SóBahêa

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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Um histórico de alegrias e tropeços

Hoje é dia do Super Homem depenar o Gavião no próprio ninho, mas como sou das antigas, prefiro dizer que é a hora do Super Mouse mostrar ao Gambá quem manda no pedaço. Sei que o favoritismo é deles, mas com a volta do nossa dupla de aço, Régis e Alione, acho que podemos surpreender e mostrar um bom futebol, fazendo jogo duro como foi nos pampas contra o Grêmio, melhor time do certame até o momento.

 
Falar de Bahia X Corinthians sem lembrar da semifinal do Brasileirão de 1990 é impossível. Mas minha história com este clássico começou 10 anos antes, em 1980. Era um jogo válido pela primeira fase do Brasileiro, eles vinham com Sócrates, Vaguinho e Geraldão, nós com Osni, Beijoca, Baiaco e alguns remanescentes do time hepta campeão. Estava lá com meu pai ­– uma das primeiras vezes que fui à Fonte – e não tem como não lembrar de ver Sócrates, na época uma estrela em ascensão no futebol brasileiro, desfilar em campo e comandar o time deles até os 3x0. Mas para o Bahia daquela geração não tinha jogo perdido, e nos minutos finais O sni e Beijoca diminuíram o pl acar incendiando a velha Fonte. Como se diz, mais 5 minutos e o Bahia virava aquele jogo. Fomos derrotados, mas a lembrança de ver o time ressuscitar nos 5 minutos finais não se apaga.

Vou pular 1990 e vou direto para 1997, ano da nossa queda. Era um sábado à noite, o Bahia fazia uma campanha para lá de safada e eu tinha uma formatura para ir. Mesmo com um colega corintiano vindo do interior que me pentelhava querendo ir ao jogo, acabei não indo. O Bahia perdeu por 2 x 1 de virada, mas me arrependo muito de não ter ido, pois Lima Sergipano, o Canhão do Fazendão, fez um gol histórico (é sempre bom presenciar a história): uma porrada seca lá da intermediária! Mesmo se tivessem 3 Ronaldos no gol aquela bola entraria. Na formatura da irmã do corintiano, enquanto a água rolava, o papo era só sobre o gol de Lima.



Antes de voltar a 1990, vou para 2008, quando o Bahia de forma inesperada ganhou deles em pleno Pacaembu. Estava de férias em Vice da Conquista, na segunda começava o trampo em Brasília, e tinha de voltar no sábado. Lógico que programei toda minha viagem para chegar em Correntina próximo à hora do jogo, mas chegamos bem antes, umas 2:00 da tarde. Minha esposa queria prosseguir viagem para rodar menos no domingo, mas não tinha como perder aquele duelo, se jogo contra o CRB já é sagrado, imagine contra o Gambá lá. Falei que estava mal, meio tonto, e fui logo abrindo uma quando chegamos no hotel. Só lá pelas 16:00, quando começou o jogo, caiu a ficha da Federal. Ouvi um bocado, mas aí In& ecirc;s já era morta, e minha concentração estava toda na telinha. O fato era que a imagem falhava bastante, mas deu para ver o espírito de Neto baixar em Elias, e nosso 10 fez um gol da intermediária, encobrindo Felipe. Grude preso e uma esperança de boa campanha que não se concretizou.
  


Já estamos chegando em 1990, mas antes é preciso falar de 1988, um triunfo que foi a pimenta que faltava no acarajé do título nacional. Foi neste jogo que enfim Evaristo, ou melhor a torcida, colocou Charles no lugar de Renato, a derrota por 1x0 para o Botafogo, em plena Fonte, foi a gota d’água. O Anjo 45 sofreu a falta do primeiro gol, marcado por Pereira, e fez o segundo, num belo giro dentro da área. O que aconteceu a partir daí é história e todo tricolor conhece.



Agora sim, vamos falar de 1990. O Bahia tinha melhor campanha no campeonato, por isto mesmo jogava com vantagem na semifinal. Nosso time jogava novamente futebol de gente grande e se impunha sobre todos na Fonte. Lembro de Wagner Basílio – era do Gambá naquele jogo de 1980 –, Jorginho – tem vaga na minha seleção do Bahia de todos os tempos –, Paulo Rodrigues – jogando o fino da bola e armando o time de forma primorosa –, do trio Luís Henrique– craque que chegou na seleção e jogou no PSG –, Naldinho Maritaca– o baixinho que se agigantava e punha correria nas zagas adversárias –, e Charles – mais experiente e mais preciso do que em 88. Fomos para o Pacaembu para trazer um empate, mas logo no princípio do jogo saímos na frente com Wagner Basílio, cobrando falta na entrada da área. Mas eles tinham Neto, e naquele ano quem tinha o Gordinho tinha uma arma mortal, e foi assim que eles empataram e viraram. Escanteio pela esquerda, Neto bate de 3 dedos, a bola passa por cima da nossa zaga, um atleta deles cabeceia para dentro da pequena área e Paulo Rodrigues, logo nosso maior craque, faz contra. No segundo tempo, falta na entrada da área pela esquerda da defesa, Neto põe com as mãos no canto oposto, estava decretada a virada.
  


Veio o jogo da Fonte. A torcida lotou – 90.000 pessoas – mas o jogo foi chocho, broxante para dizer o mínimo, parecia que estávamos em São Paulo, só se ouvia o grito da Fiel, a Nação assistia o baba calada. Este jogo despertou meu interesse em observar os aspectos táticos da disputa, pois eles pararam o Bahia com um simples comando do treinador Nelsinho: “Paulo Sérgio (campeão do mundo em 1994), não deixe Paulo Rodrigues jogar”. Era impressionante, quando o Bahia recuperava a bola, lá estava PS colado em PR. A estratégia deu certo, o Esquadrão não soube sair daquela armadilha e perdeu a chance de dois títulos nacionais em 3 anos. Não tenho dúvida que o São Paulo, ainda formando o escrete que ganhou o mundo nos anos seguintes, não pararia o Bahia.
  

Pois bem, estas são as lembranças que sempre me veem à mente quando o Bahia enfrenta o time do Parque São Jorge. Espero que, a partir de sexta, tenha mais um triunfo para guardar na memória.

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