Marca SóBahêa

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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Impossível esquecer

Domingo é dia de Bahia x Fluminense, não tem como não lembrar do lendário jogo da semifinal de 1988, quando tinha 115 mil pessoas abarrotadas na Fonte, milhares nas imediações e milhões em frente a tv. Só quem estava lá sabe o que foi aquele dia no estádio, experiência para se guardar por toda vida. Só mesmo os Orixás para evitarem uma tragédia, dezenas de torcedores assistiram ao jogo sobre a marquise da Fonte. O estádio já fervia com 60.000, com 90.000 já era um aperto só, 115.000 foi pura irresponsabilidade. Mas, se contarmos todos que se disseram presentes, temos uns 2,5 milhões.


Este jogo teve um caráter especial para mim, pois quando morava em Vice da Conquista, eu torcia pelo Fluminense e gostava do Bahia. Como já disse outras vezes, era impossível acompanhar os times de SSA morando no interior na década de 70, por isto esta quantidade infinita de torcedores dos times do eixo RJ e SP, em especial dos cariocas. Lembro que comecei a torcer pelo Fluminense ouvindo no rádio - estava com meu saudoso avô na casa de um amigo dele em Itapetinga - a máquina de Rivelino, Paulo César Caju e outras feras contratadas por Francisco Horta. Outro time que me lembro é o do final dos anos 70 e início dos 80, que tinha Edinho e Cláudio Adão, depois brilhou e me encantou com a camisa do Esquadrão.

Em 80, quando fui morar em SSA, passei a acompanhar o Bahia mais de perto, e as preferências se inverteram, passei a ser Bahia e gostava do Flu. Mas, não esqueço do escrete comandado por Romerito, e o casal 20, Assis e Washington, as seguidas pancadas sobre o Flamídia são inesquecíveis. Contudo, em 1985, com o tricolor da Boa Terra fazendo uma senhora campanha no nacional, a balança começou a pender para um lado só, vibrei muito com o gol de Marinho Apolônio sobre eles lá no Maracanã. Reparem no vídeo o passe de Leandro, joga fácil na minha seleção dos maiores do Bahia, mas vejo pouco reconhecimento por parte da torcida tricolor.



Enfim, chegou a semi de 88, não passava na minha cabeça a hipótese do Bahia ser eliminado, naquele momento vi que só era Bahia e nada mais restava pelo Flu. Depois do 0 X 0 na casa deles, enfrentei umas 6 horas de fila, troquei muito empurrão com cambista, mas consegui os ingressos. Antes do jogo, tive a infeliz ideia de ir tomar uma com os colegas no Café Teatro no Canela, ainda existe? Cheguei faltando uma hora para o jogo começar, estava com meu tio e primos, não conseguimos acessar as arquibancadas. Assisti ao jogo em pé sobre duas latas de cerveja na quarta ou quinta fileira na região dos camarotes, atrás do gol da ladeira, mal enxergava todo o campo, mas vi de perto a cabeçada de Bobô no gol de empate.

Logo no início, eles saíram na frente, gol de Washington, jogada pela esquerda nas costas de Tarantini. Mas, para aquele Bahia não tinha jogo perdido ou tempo ruim, empatamos ainda no primeiro tempo com Bobô de cabeça, jogada mortal desde 1986. No segundo tempo, viramos com Gil Sergipano de voleio, lembro que saí correndo na comemoração e nem consegui mais ver o jogo, perdi a vaga e as duas latinhas.



Sendo bem sincero, os gols são as únicas lembranças que tenho da bola rolando, a emoção e o nervosismo eram tamanhos que mal conseguia enxergar o jogo, quem já assistiu jogo comigo deve ter uma ideia do que estou falando. A única certeza que tenho é que repetiria tudo de novo para sentir aquela sensação de ver um Bahia invencível em casa e classificado para uma final do Brasileirão.

Para domingo, não tenho grandes expectativas, vamos pegar um time repleto de moleques, por isto mesmo muito veloz, em especial no ataque, mas vulnerável e inexperiente do meio para trás, se apertar a meninada geme e entrega, a Chape quase sai com o triunfo no último jogo. Me preocupo muito com Scarpa, temos de colar Matheus Sales nele, com Wellington Silva partindo para cima de Eduardo, e com Henrique Dourado, a bola está procurando o cara. Thiago terá trabalho duplo, fazer a cobertura de Eduardo e ajudar Lucas na marcação do Ceifador.

Na frente, imagino que Mendoza deva ser deslocado para o lado para suprir a ausência de Alione, espero que pelo lado o colombiano tenha melhor desempenho. Eu iria de João Paulo como 9, mas não sei o que se passa na cabeça de Jorginho. Mas, nossa força ofensiva terá de vir com a dupla Régis e Zé Rafael, se os dois jogarem bola, temos muita chance, mas se repetirem a última atuação, prevejo maus momentos para o Esquadrão. Por fim, temos de melhorar muito na nossa saída de bola, o que vimos contra o Vice foi um festival de chutão, intercalado com jogadas arriscadas na entrada da nossa área, já tomamos 2 gols assim neste campeonato (Botafogo, braga de Édson; Corinthians, mole de Feijão).


A torcida não vai comparecer em peso com em 1988 -na verdade fevereiro de 1989-, nem tem motivos para isto, mas espero que os presentes tenham a mesma fé e esperança dos malucos de 1988, e que o resultado se repita.

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