Marca SóBahêa

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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Amor que não se mede

Quando eu era criança, rezava todo dia antes de dormir, na minha inocência sempre pedia a Deus que meus avós nunca morressem. Na verdade, tenho de admitir que tinha muito de egoísmo também, pois eu queria que os dois ficassm sempre ao meu lado, pois era tanto amor, tanta energia positiva e cumplicidade que eu não me imaginava vivendo sem eles. Nesta época, eu amava minha avó e simplesmente venerava meu avô, tudo que eu desejava era ser igual a ele, respeitado profissionalmente, querido pelos amigos e amado pela famÍlia. O tempo foi passando, parei de rezar toda noite e passei a entender que meus avós não eram imortais. Compreendi também que meu avô era aquilo tudo porque tinha ao seu lado uma mulher companheira, guerreira e extremamente forte. Fui morar com eles em Salvador só ficamos mais próximos e amigos. Quando vim morar em BSB, meu avô ja estava doente e veio a falecer em 2005. De lá para cá, meu amor por minha avó só cresceu e o dela por mim se multiplicou.

Hoje, ela deixou a vida aqui na terra. Tenho plena consciência que dentro das minhas limitações fui o neto que ela sempre sonhou. Em julho, ela veio passar uns dias com minha família, pude retribuir a milionésima parte do carinho e cuidado que ela sempre me dedicou.

Desde domingo quando me avisaram que o quadro dela era irreversível, eu só tenho duas certezas, seja na vida eterna da igreja católica ou na reencarnação do kadercismo, eu vou reencontrar meus avós. A outra é que Deus atendeu meus pedidos, meus avós são eternos, as lições, os exemplos que eles deixaram e o amor e amizade que eles tiveram por todos nunca desaparecerão.

Só um arrependimento, eu não cantei para minha avó os seguintes versos:

Amor igual ao teu,
eu nunca mais terei,
amor que eu nunca vi igual
e nunca mais verei,
amor que não se mede,
amor que não se pede,
que não se repete.

Mãe, obrigado por tudo, por cada km que a senhora me carregou no colo, por cada peça de roupa que a senhora me vestiu, pela farofinha de lombo, por me guiar pelo caminho do bem. Sempre te amarei e honrarei.

3 comentários:

  1. Miguel,
    Não o conheço pessoalmente, mas sinto pelas suas manifestações que és daqueles que o mundo tanto carece e precisa! A vida tem dessas coisas, vida e morte são faces da mesma moeda, é um ir e vir, mergulho e retorno que fazem parte de nossas experiências e aprendizados. Posso imaginar a falta que deve fazer uma pessoa com esse carinho e amor que você a descreve. Mas o que nos consola é que possamos nos reencontrar "num novo nível de vínculo" como disse Caetano, o que eu também acredito.
    Que os portais da nova vida estejam sempre abertos para essas pessoas que por aqui passam, nos deixam e ainda assim continuam presentes.
    Meus sentimentos!
    Antonio Neves

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  2. Prezado Antônio,

    Obrigado pela suas palavras. De fato, não é fácil superar esta perda, mas estou apegando no que ela me ensinou para tocar a vida. Estou aproveitando para recarregar as baterias junto aos familiares.

    Abraços,

    Miguel

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  3. Caro Miguel, esse momento de amor que você dedica, com certeza será tocado, será percebido, em qualquer plano, aqui, ali ou lá, junto com as estrelas. O amor não tem limites ou barreiras. Vence a atmosfera. Vence o vento. Vence a vida e a morte. Minha solidariedade e meus votos que sua declaração de amor viaje. Abraços.

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