Marca SóBahêa

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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Crônica de uma goleada anunciada

Um dos livros mais legais que já li foi "Crônica de uma Morte Anunciada", do colombiano Gabriel García Marquéz, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982 e autor de Cem Anos de Solidão - recomendo a leitura deste também. No livro, toda a população da vila sabe que o jovem Santiago Nasar vai ser assassinado, menos ele e seu irmão que passam a noite farreando. Vendo a goleada que o Bahia tomou ontem, foi impossível não lembrar deste envolvente romance, todos sabiam, parece que apenas o EC Bahia não, que a junção de um elenco limitado com um treinador inexperiente ia acabar num vexame, é o que chamamos em prospectiva de cenários de "Surpresa Inevitável", ou seja todos sabem que vai acontecer, só não conseguem precisar quando.

O time até começou bem, fez um primeiro tempo muito bom, um dos melhores do campeonato, mas bastou tomar a virada para mostrar toda sua fragilidade defensiva e incapacidade de criação. Eu que sou um fanático por futebol, me vi torcendo para o juiz acabar logo o jogo, pois a sensação que me passava era que a qualquer momento o Furacão varreria nossa zaga e volantes, chegando livre na cara de Jean.

Muito mais preocupante do que os 3 gols que entregamos - não vou crucificar Matheus Reis, já malhado em demasia pela torcida, vai ser difícil jogar domingo na Fonte; Éder e seu infeliz carrinho; e Juninho, em mais um dos seus erros de passe no meio -, foi o segundo gol, numa falha coletiva típica de quem não se preparou adequadamente para enfrentar o adversário. Explico, qualquer pessoa que acompanha minimamente futebol sabe que o Atlético explora as jogadas aéreas com Thiago Heleno o tempo todo, como é que pode o cara aparecer livre daquela forma. O incontestável Édson marca o cara atrás, e aparece dando um inútil e ridículo pulinho no momento do gol.





Também está na hora de se discutir seriamente a titularidade do nosso setor de criação. Pergunto, o que Régis fez nos últimos jogos? Ah, teve o gol e a assistência contra o São Paulo, muito pouco para quem é o principal jogador do time, e fica zangadinho quando é substituído ou senta no banco. Não me lembro de uma boa jogada de Régis desde que voltou da contusão. Zé Rafael está na mesma toada, cisca, cisca e nada de útil aparece. Sei que são os dois principais jogadores do elenco, mas precisam jogar mais do que estão apresentando. Hoje, sem dúvida Mendoza é nossa referência nesta área, como diz um amigo meu "a que ponto chegamos".

Outro aspecto que precisa ser repensado é o esquema tático, o 4-2-3-1 adotado pela maioria dos times no brasileiro vem se mostrando uma farsa, não por acaso em 70% dos jogos o time que fica com a posse de bola perde, pouco são os momentos que assistimo jogadas que envolvem a defesa adversária, a maioria dos gols saem em contrataque, bola parada ou falha defensiva. Considerando a já citada limitação do nosso elenco, entendo que o Bahia tem de jogar no 4-3-2-1, com Édson fazendo a frente da zaga e recuando para ser o terceiro zagueiro quando necessário, a facilidade que o Atlético teve para encaixar os contrataques ontem mostra toda a fragilidade da nossa contenção com apenas 2 homens de marcação no meio. Dois homens velozes na criação e para puxar contrataque, com uma referência na frente.

Como vimos em todo primeiro turno e no jogo de ontem, os desafios são vários para ajustar o Bahia para um final de campanha fora da zona de rebaixamento, aí surgem as dúvidas, Preto está pronto para ser nosso comandante? Preto tem conhecimento para alterar a forma do time jogar? A direção dará respaldo necessário ao treinador, seja ele quem for, para fazer as mudanças necessárias na equipe ou se renderá aos mimados do elenco?

Para terminar, entendo que a porrada que tomamos ontem não tem nada a ver com o churrasco de confraternização, mas como diz o ditado "À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta". Ou seja, para nosso elenco não basta está focado, tem de parecer focado, e não é com churrasco que vai passar esta mensagem.

2 comentários:

  1. Gabriel Garcia Marques, sem dúvida é uma ótima indicação de leitura. Acrescentaria as indicações um outro título: "o amor nos tempos do cólera " que é permeado de nostalgia. A qual senti ao ler sobre a história do Bahia e conheci jogadores como Carlos Domingos Viana, um dos maiores brocadores do BA-VI quando eu ainda nem era nascida. Rsrsrs, além do espetacular Bobô e seu belo balé em campo, dentre outros que nunca vi jogar.
    Penso que era fácil amar o Bahia, hoje, com um elenco limitado e um inexperiente treinador, vencemos as frustrações e provamos nossa paixão pelo esquadrão. Paixão que move os torcedores de aço, que seu fulgor não se apague! A torcida tem grande poder para inspirar o time, motivar para que deem tudo de si em campo. Cobrar da diretoria decisões mais relevantes ao momento atual do nosso amado Bahêa.
    Senhor Miguel, como sempre fez uma análise digna de um torcedor que ama seu time. O seu texto, tem ótimas observações sobre estratégias e jogadas.
    Parabéns pela excelente redação.

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  2. A afirmação do mestre Evaristo de Macedo é a mais pura verdade em relação ao elenco do Bahia: jogador pereba é melhor nem ter no elenco porque, quando menos esperar, vai precisar dele. Disputar uma série A
    com jogadores do naipe de Gustavo Ferrareis, Matheus Reis, Matheus Sales, Armero, o eterno contundido Maicon Leite, dentre outros, é falta de ambição. Aliado a isso, estamos entressafra sem fim na divisão de base. Não há jogadores da base que possam suprir as carências do elenco.

    A diretoria do Bahia especializou-se em não ser proativa, ou seja, não se antecipa ao começo de crise ou das limitações do elenco e da comissão técnica. Deixa o barco correr, achando que a engrenagem se azeitar por ele a mesma. Só toma atitudes quando a merda fede.

    O resultado do jogo de ontem não foi surpresa, haja vista que o Bahia quase sempre se dá mal quando joga no sul do país. O X da questão está na fraca qualidade do elenco e na demora de efetivar um treinador de redpeito. Isso sim que é preocupante por teremos que pontuar nos jogos em Salvador sempre. Será que os adversários já não conhecem nossas fragilidades e vão explorar isso na Fonte Nova também?

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