Marca SóBahêa

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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Hora de agir

Tenho como princípio de vida acreditar na boa índole das pessoas e nunca esperar sacanagens, reconheço que é certa ingenuidade, mas como sempre me cerquei de pessoas do bem, envelheci assim e vai ficar difícil mudar nesta altura da vida. Por isto mesmo, por tempos neguei as aparências e disfarcei as evidências (como diriam Chitãozinho e Chororó) sobre o conturbado relacionamento entre Jorginho e seus comandados.

Gostaria ainda de acreditar que a péssima partida de domingo tenha sido apenas mais um dia em que tudo deu errado; que os jogadores abaixando para amarrar o cadarço da chuteira ou arrumar o meião e a caneleira tenha sido só necessidade "estética" mesmo; que a lentidão na saída de bola tenha sido só por falta de opção de jogo; que assistir passivamente ao baile do adversário tenha sido apenas pela superioridade e bom dia deles; que os xingamentos do nosso principal jogador no momento da substituição tenha sido pela vontade de permanecer em campo e tentar mudar a dura realidade do jogo; e que o emoji de felicidade postado por um dos líderes do elenco após o anúncio da saída do treinador tenha sido mera coincidência, já que o mesmo estava feliz por mais um importante passo na sua recuperação.

Não quero aqui defender o treinador, pois como disse no último post, ele insistia com um esquema tático que não atende e não se enquadra nas características dos nossos principais jogadores. Não diria que o esquema é ruim ou bom, pois tem times que dão show valorizando a posse de bola e tendo paciência para definir as jogadas, um exemplo no atual campeonato é o Grêmio. Mas, nossos jogadores são de toques verticais, usando da velocidade para surpreender os adversários. O isolamento dos nossos laterais quando ultrapassam o meio e chegam ao ataque é outra evidência que o esquema não estava encaixando. Com isto, não quero dizer que Jorginho é um péssimo treinador - já mostrou em outros momentos capacidade de armar corretamente uma equipe - ou que ele não sirva para o Bahia, longe de mim afirmar isto, porém tecnicamente falando acho que foi certa a saída.

Mas, se o que vimos em campo domingo fez parte de um complô para derrubar o treinador, a tesoura tem de ser mais usada, o facão tem de decepar mais pernas, o bambu tem de gemer como diz Jotinha. Vimos o que aconteceu em 2015 e 2016. Em 2015, a simples troca de treinador não adiantou nada, tivemos uma melhora ilusória, mas depois pioramos e tivemos um péssimo fim na B. Em 2016, assim como Jorginho agora, Doriva foi escolhido como bode expiatório pela inconstante campanha na B, mas o time só engrenou mesmo depois de uma limpa no elenco e da chegada de novos jogadores. Sobre isto escrevi na época o post "Toda casa da mãe Joana precisa de um bode expiatório" (leia em: http://www.sobahea.net/2016/06/toda-casa-da-mae-joana-precisa-de-um.html).

Na minha opinião, passamos pela mesma situação agora, Jorginho foi apenas o bode expiatório da queda de produção do Bahia, em especial na Fonte, assim sua mera saída e a chegada de outro professor não resolverão o problema. Se faz novamente necessária uma pesada intervenção da diretoria no elenco, se não tiver condições financeiras de fazer troca de peças, o que parece ser nosso caso, que imponha respeito e enquadre os principais atletas do elenco com pesadas multas, já que o bolso é a área mais sensível do ser humano. 

O que não pode é o rabo balançar o cachorro, os jogadores não são donos do Bahia, os donos somos nós os torcedores que amam, vibram e sofrem por este clube. Marcelo Santana e sua trupe, nossos representantes dentro do clube, precisam saber o que a torcida quer neste momento e tomar o leme do navio, como fizeram nas finais do Nordeste, e nos levar por caminhos seguros nestas águas turvas rumo a permanência na A em 2018. A bola agora é sua presida, mate no peito e meta na rede, caso contrário, o caldo vai entornar.


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Sinceramente, não tenho a menor ideia do que o time será capaz hoje contra a Chapecoense, mas lembro que em 2012 e 2013 sempre que o treinador da época caía e Barroca assumia escalando os malas de sempre, o Bahia dava uma recuperada, vamos ver se acontece o mesmo com Preto hoje.


Um comentário:

  1. Bom dia, depois da declaração de Feijão em entrevista para o Bar FC sobre jogador fazer corpo mole já não mais surprende...E é por isso meu lema " No campo...jogador vira lenda, Na beira do campo nós mita! Forte abraço interessante a matéria. Alan (Blogger Gringo).

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