Marca SóBahêa

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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Viva a democracia

Durante a segunda guerra, a Inglaterra tinha como Primeiro Ministro Winston Churchill que cunhou a seguinte frase "A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas". Há 4 anos atrás ocorreu a histórica assembleia que alterou o estatuto do Bahia, dando ao sócio o poder de votar. Em primeiro lugar, tenho de parabenizar a todos os envolvidos nesta batalha que levou novos ares ao amado Tricolor.
Como todos sabem, na primeira eleição democrática foi eleito Marcelo Santana, pelo que sei, um repórter da área esportiva, mas sem histórico dentro do Bahia. Vamos relembrar algumas das frases ditas pelo nosso comandante à época:


Ao ler as promessas do então candidato MS, a primeira frase que me vem na cabeça é "é mais fácil falar do que fazer". Como todos sabem, não sou de bater na Diretoria, mas também não sou de ficar passando a mão na cabeça quando acho que está errado, por isto fico muito a vontade para dizer que boa parte das promessas ficaram só na intenção. Por exemplo, o plano era termos 50.000 sócios, temos 15.784, menos de 1/3 do desejado. Reconheço um esforço da Diretoria para trazer mais sócios, porém os números falam por si.

Com relação à base, não sei dizer se a promessa de tornar o departamento mais profissional e com tratamento próximo ao do elenco principal foi cumprida. Mas, sei que o papel primordial da base é revelar jogadores para o time de cima, o que está longe de ser uma realidade no Bahia. Reconheço também um esforço da diretoria neste sentido, no primeiro ano de uma forma atabalhoada quis subir Jean na marra, resultado, por pouco não queimamos uma promessa que está se tornando realidade. Ano passado, em vários jogos utilizamos a meninada, inclusive contra o tradicional Santa Cruz. Este ano, no acertado rodízio, vários moleques tiveram suas chances. Mas, até o momento, temos Jean e Éder, o resto entra de forma esporádica e não deixa saudades. Domingo é a vez de Juninho Capixaba, sinceramente não vi nada no moleque nas vezes que atuou, mas as péssimas jornadas de Matheus Reis e Armero demandaram por um chance ao garoto, estaremos na torcida para ser um novo Ávine. Ah sim, o Bahia tem trazido alguns moleques de times menores para reforçar a base, vamos ver se algum vinga. Por enquanto, outra promessa não cumprida.

Enfim, o time profissional. Sou daqueles que acham que contratação é um risco, só para exemplificar Ibra, um dos maiores centroavantes da atualidade, fracassou no Barça; Kaká foi um fiasco no Real; e estamos vendo a situação vexatória das duas equipes que mais contrataram no Brasil em 2017. Enquanto isto o Grêmio que contratou o quase ex-jogador Léo Moura e o esquecido Cortês joga um futebol de gente grande. Por isto, não ponho na conta da diretoria os fracassos de Cajá e Thiago Ribeiro, foram tiros certeiros que deram n'água. E acho certa a contratação de jogadores desconhecidos como Tinga, Hayner e João Paulo Penha, três que fracassaram no Bahia, mas se um vinga, recuperamos a grana investida em todos, o que pode acontecer no final do ano com uma possível venda de Zé Rafael. 

Dentro da mesma linha Paulo Roberto e Róger tiveram passagens apagadas pelo Bahia, para dizer o mínio. O primeiro está prestes a renovar com o líder do Brasileiro, e o segundo é titular do Botafogo semifinalista da Copa do Brasil e nas quartas da libertadores. Esses pequenos exemplos só mostram que contratar não é uma ciência exata como afirma parte da torcida.

Isto não isenta a Diretoria de erros crassos que foram cometidos, não tem como justificar a contratação de jogadores como Régis Souza, Misael e Maikon Leite. Os motivos dos erros são distintos, mas em todos não foi cumprida a promessa da análise completa antes de assinar contrato. Em levantamento recente que vi na Internet, a gestão MS já contratou 66 jogadores, é muito para quem esperava fazer contratações pontuais e usar a base.

Procuro não me iludir ou criar metas ambiciosas demais para o Bahia, sei das nossas limitações financeiras neste rico e caro universo do futebol, é sim uma forma de auto proteção contra as derrotas. Por isto, apesar dos erros cometidos e de alguns vexames, entendo que dentro de campo a resposta está dentro de um padrão aceitável, vejamos: 3 finais do baiano com 1 título, o segundo não veio em 2016 porque fomos operados pela arbitragem da FBF; 1 título, 2 finais e 1 semi no Nordestão, a terceira estava na mão, mas vacilamos feio em casa e perdemos a vaga; 1 campanha ruim e 1 acesso na B; e 3 vexames na Copa do Brasil, nosso calo, só duas vezes chegamos nas quartas. Como diz Churchill "O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade". Estou e sou da segunda turma.

Como disse num grupo de zap tempos atrás, os 3 anos serão avaliados e julgados pela torcida nos próximos meses, permanência na A e vaga na Sulamericana, tudo bem, gestão aprovada; permanência na A como porteiro da zona, gestão em cheque; queda, fracasso total da gestão. Nem preciso dizer o que espero. Mas, a atual postura da DE sobre o treinador para o restante da temporada é completamente equivocada, e pode nos custar caro, muito caro no início de dezembro. É bom MS e sua trupe ficarem espertos, pois "A sorte não existe. Aquilo a que chamas sorte é o cuidado com os pormenores" (Winston Churchill).

2 comentários:

  1. Antonio Neves,
    Fico espantado com a incapacidade do departamento de futebol em detectar as carências do time, principalmente na defesa.Será que ainda não viram que precisamos de um técnico de respeito e pelo menos 1 zagueiro, laterais e meia? Compreendo as dificuldades financeiras do clube, porém o custo da negligência poderá ser muito caro! Inclusive perigo para a instituição com a proximidade das eleições, dando margem a salvadores da pátria, jabazeiros e aproveitadores.
    ST

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  2. Em primeiro lugar, é inegável que a libertação do clube foi um momento histórico e ímpar no futebol brasileiro. Eu conheço alguns dos que iniciaram esta batalha desde os tempos que não existia as redes sociais para difundir informações rápidas. Estes heróis fizeram um trabalho de formiguinha e deixaram a semente plantada para o momento do bote final. As duas goleadas humilhantes para o vice, a boca maldita de MGF em querer falar das andanças da primeira-dama do Estado, o momento político favorável aos opositores foram fatores finais e preponderantes para a intervenção. Espero que este triunfo do Bahia não tenha donos e que não sirva de palanque para nenhum grupo ou sócio que queiram se arvorar de pais da democracia.

    A eleição e o mandato de MS demonstram que temos que aperfeiçoar o processo eleitoral. Candidatos têm que possuir um currículo com serviços prestados ao clube que o capacite a ser o líder de um clube com a dimensão e os problemas do Bahia; os planos de gestão têm que ser sustentáveis financeiramente e terem metas factíveis; os cargos da atividade-meio e alguns da atividade-fim têm que ser preenchidos por meio de concurso entre sócios e não por indicação. São pontos que, na minha opinião, aprimorar o processo eleitoral e evitarão oportunistas e aberrações como candidatos.

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