Marca SóBahêa

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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

E aí, qual é a nossa?

A intenção deste post é bater um papo reto com o torcedor tricolor que perde parte do seu tempo lendo meus posts. Na boa, vamos ser realistas, a merda já está feita, as contratações, certas ou erradas, equivocadas ou conscientes, profissionais ou amadoras, já foram feitas, o elenco que temos até o final do ano é este aí. O máximo, repito o máximo, que a direção pode fazer é trocar o treinador (espero que faça urgentemente) e dispensar quem não está rendendo nada, contratar não dá mais. 

E aí, vamos ficar o tempo todo reclamando, lamentando e se queixando da incompetente, lenta, até corrupta li por aí, direção tricolor ou vamos abraçar o time e fazer a nossa parte? Vou mais além, vamos adiantar a eleição e saí pregando o fora Marcelo ou vamos lotar a Fonte para torcer e apoiar o time? Vamos vaiar os atletas ou vamos incentivar? Vamos continuar agourando para no final falar "eu avisei" ou vamos tentar convencer ao colega que o time precisa da nossa ajuda? Esta decisão só cabe a nós torcedores. Da minha parte, mesmo de longe, estarei emanando minha energia positiva, pois tenho plena consciência que o Bahia é muito maior e mais importante do que MS, PH, Rodrigão, Armero, Ferrareis e outros, eles passarão, o Bahia ficará.

Quando leio os posts da torcida do Bahia no zap, dificilmente leio os comentários no Facebook e nunca leio os da Internet (terra de ninguém, onde a baixaria, resguardada pelo anonimato, impera), sinto que parte expressiva da torcida do Bahia ainda não aprendeu que futebol não é uma ciência exata, 2 + 2 sempre será 4 na matemática, no futebol não, pode ser 5, 6, 3 ou zero. Nem sempre um craque que destruiu num time vai destruir no outro, imagine isto para o nível dos jogadores que podemos contratar, a insegurança, a ação do imponderável é muito mais presente e maior.

Para ajudar na explicação, vou recorrer novamente ao fado Os Argonautas cantado por Caetano Veloso, já usado em outro post, mas o contexto era outro. Por muito tempo, devido à minha limitação com nossa língua pátria, fiquei encafifado com o refrão "navegar é preciso, viver não é preciso". Na minha ignorância, sempre interpretava o preciso com o sentido de necessário, logo seria exatamente o contrário do que diz a música, viver é preciso, navegar não. Claro que o sentido do preciso na canção é de precisão, navegar com todas as tecnologias existentes tem uma certa precisão, enquanto viver não tem nenhuma, em questões de instantes - ou em 20 minutos como diz a Bandnews - tudo pode mudar.

Parafraseando o fado, entendo que gerir é preciso, contratar não. Explico, pagar os jogadores em dia, gastar menos do que arrecada, adquirir e manter o patrimônio, melhorar e inovar o programa Sócio Esquadrão, e  assinar e gerir o contrato com a Arena, dentre outras, são ações complexas, mas que dependem exclusivamente da capacidade dos nossos gestores. Nem vou entrar aqui no mérito se estão sendo bem feitas ou não, mas se não estão, é por pura incapacidade de quem está no Bahia.

Por outro lado, contratar um jogador de nome e com bom histórico no futebol não tem nenhuma garantia que o mesmo vai dar certo. Só para ficar em exemplos recentes, Róger fez um gol na Série B de 2015, saiu sem deixar lembranças, em 2016 brilhou na Ponte, em 2017 é peça fundamental no surpreendente Bota. Ele não desaprendeu a jogar bola no Bahia, mas o clima dentro do elenco impediu que ele e outros tivessem melhor rendimento. Em 2016, contratamos Thiago Ribeiro para ser a referência da companhia, não jogou nada, hoje está de volta ao Santos e sendo utilizado quase sempre no segundo tempo dos jogos. Pelas palavras do próprio jogador, teve um problema particular e entrou em depressão quando estava no Bahia. Por outro lado, Renê Júnior, o delegado Zé Rafael, e Thiago chegaram aqui completamente desacreditados e hoje são pilares da equipe.

Não quero com isto passar a mão na cabeça da diretoria, em vários posts critiquei a lentidão na recomposição do elenco e continuarei a criticar a efetivação de Preto. Mas, nem por isto, vou achar que só há incompetentes ou mal intencionados no Bahia, muito pelo contrário, vejo sim uma vontade grande de acertar sem arruinar as finanças do clube. Concordo que nosso setor de futebol: precisa evoluir na observação dos atletas a serem contratados, tem de ampliar o número de olheiros, observar mais os times menores, fazer contratos menos caracu e revelar jogadores na base, em suma, temos muito a evoluir.

Por outro lado, nós torcedores temos de ser menos imediatistas, nenhum dirigente tem varinha de condão ou tem o dom do toque de Midas, se algum prometer isto, fuja, pois é cilada Bino. Temos de entender que passamos um período muito ruim, 2002 - 2013, a zona imperava no Bahia, o clube praticamente faliu, não pagava nem funcionário que recebia 1 SM, imagine os jogadores. Isto pesa até hoje, o clube perdeu credibilidade junto aos bancos, empresários e atletas, virou um pária no mundo do futebol nacional. Reverter isto vai demandar um tempo.

Temos de compreender que o mundo mudou, e o futebol foi junto. Antigamente, um time da Europa só podia ter 2 estrangeiros, hoje são infinitos. Com isto, os bons jogadores estão lá, só sobrou resto aqui. Vamos parar com esta de comparar os jogadores de hoje com os dos anos 80. Cláudio Adão hoje seria titular da seleção e jogaria num grande da Europa, na época dele era apenas mais uma opção na seleção e permaneceu aqui por toda carreira, se não me engano. Com o advento do Youtube, qual a chance de surgir um Bobô ou um Luiz Henrique na Catuense? Muito perto de zero, qualquer moleque de Catu que fizer um golaço na escola já terá um empresário para levar para os times do S-SE.

No mais, o Bahia sempre foi um clube grande dentro do coração de seu apaixonado torcedor, não por acaso seu maior patrimônio. Mas, dentro, exceção à primeira metade dos anos 60 e à segunda metade da década de 80, e fora de campo sempre fomos um time médio. Nunca tivemos um estádio, nossa concentração sempre foi acanhada, nossos elencos sempre foram limitados, nossas campanhas no brasileiro sempre foram medianas, nosso orçamento sempre foi baixo, por isto pergunto, quando foi que existiu este Bahia gigante que vários insistem em sentir faltar? 

Sou Bahia e sempre serei Bahia, mas, tenho plena consciência do real tamanho e das limitações do meu amado clube. Isto não é uma resignação ou acomodação com a situação atual, é apenas cobrar de César o que César pode pagar. Enfim, é momento de se unir e passar energia positiva para o elenco, e é o que farei aqui no blog, mas sem perder o bom senso e cobrando sempre.

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