Marca SóBahêa

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terça-feira, 13 de março de 2018

Guto é treinador para o Bahia

Bastou a injusta derrota para o Náutico que voltaram os velhos mantras #foraGuto e "Guto não é treinador para o Bahia". A sequência de bons resultados, mesmo sem apresentar um grande futebol, tinha acalmado a torcida e o lenga-lenga sobre a saída do treinador sumiu. Mas, como já disse, a derrota no último sábado foi o estopim para a nova campanha de caça à baleia azul.

Discordo completamente da parte da torcida que pede a saída de Guto. Neste texto, vou explicar meus motivos.

1- temos sim um bom elenco, mas estamos longe, melhor muito longe, de ter um elenco incontestável. Começo pelas nossas principais estrelas, o trio de ferro, ZR, Régis e Alione, bons jogadores nada mais do que isto, basta ver a recente passagem de Alione pelo Palmeiras, nem inscrito para o Paulista foi.
No mais, o elenco passou por uma boa reformulação, mesmo mantendo a base. No time titular foram 6 a 7 alterações; jogadores importantes se contudiram; e Nilton, nosso principal reforço, ainda não estreou de fato.
Ou seja, não se pode colocar todo peso pelo mau desempenho em Guto.

2- o esquema tático. Neste aspecto, entendo que Guto evoluiu muito em relação à sua passagem anterior pelo Bahia. Na B de 2016, Guto só jogava no 4-2-3-1, mesmo utilizando os inconstante Victor Rangel, Wesley Natan ou Misael em um dos lados de campo. Ele poderia testar o time com Renê Júnior, Luís Antônio e Juninho no meio; poderia testar Régis e Cajá juntos, nas mesmas funções desenvolvidas atualmente por ZR e Vinícius. Mas, não, era só sofrimento com os três craque que citei anteriormente.
O mesmo esquema e a mesma teimosia permaneceram em 2017. Para nossa sorte, veio aquele Bavice no Barradão, e com a perda dos dois 9, achamos o time ideal com EJ fazendo o pivô no ataque.
Já em 2018, enxergo um treinador mais ousado, o Bahia vem mudando a forma de jogar e o esquema tático de acordo com o jogo, e dentro da mesma partida como foi no último sábado.
Isto para mim é evolução, ponto para Gordiola.

3- será mesmo que Kayke é o novo Renê Júnior? Guto o mantém como titular porque ele é homem de confiança? Sinceramente, respondo não para as duas perguntas. Vejo que Guto está preservando Brumado, que sem dúvidas é o titular da 9 hoje. Mas, Brumado só tem 18 anos, não é nenhum supercraque, assim oscilar vai ser normal, será que nosso paciente entenderá quando o moleque ficar duas partidas sem marcar? Pelo histórico da nossa aguerrida nação, o moleque vai ser comparado com Moré.
Este gordo teimoso não vai tirar Élber do time? Aqui eu pergunto, podemos tirar, o Bahia pode abrir mão da intensidade e velocidade de Élber? Sem dúvida é o jogador mais fraco tecnicamente do time titular, tem errado tudo que tenta. Mas, sábado, ficou clara sua importância para a dinâmica de jogo do tricolor, sua entrada no intervalo melhorou bastante nosso lado esquerdo no jogo.

3- quem seria o Salvador? Não vejo nenhum treinador brasileiro que seria garantia de bom futebol e conquistas para o Bahia. Alguns querem Marcelo Oliveira, aquele que tem 3 anos sem fazer um único bom trabalho. Outros querem Luxa, este então tem tempo que só faz causar polêmica, treinar que é bom, esqueceu ainda no início do século. Técnico para o Bahia é Levir, pelo que me lembro, em dois dos últimos 3 trabalhos, foi usado para limpar o elenco. Para não esquecer, fracassou nos 3. Podia citar mais uns 10, mas vou ficar por aqui.

4- por fim, o aspecto financeiro. A saída de Guto em 2017 nos rendeu grana, sua saída nos fará gastar uma baba, é isto mesmo que precisamos agora quando está chegando o momento de contratar reforços para a A? Entendo que não.

Sei que sou minoria, sei que a maioria que está lendo este texto discorda da minha posição, mas quem lê o Sobahea sempre vai se deparar com a minha mais sincera opinão, sem medo de discordância ou necessidade de agradar. Fica Guto e BBMP

Um comentário:

  1. Concordo com alguns pontos: de fato, dentre as opções existentes no mercado, Guto é a menos pior, inclusive pelo fato de já conhecer o elenco e por saber trabalhar bem a posse de bola e as triangulações na armação de jogadas (coisa que o tetracampeão Jorginho, por exemplo, não soube fazer). Mas em diversos momentos Guto nos lembra Cristóvão Borges: mantemos o controle do jogo, mas não finalizamos com precisão, e a defesa está sempre exposta em demasia.

    Achei interessante e inovador Guto testar um 4-3-3 com Edigard e Élber (questionável) pelos lados, um centroavante típico, e Vinicius e Zé Rafael como meias-volantes (quando um sobe, o outro fica). Talvez seja inclusive a posição (de 2º homem) em que Vinicius melhor rendeu. Mas daria certo contra times mais fortes da Série A?

    Acho incontestável hoje que, apesar da assertividade de Léo (ex-Pelé), Mena é um lateral mais completo (está no DM?), e que Nino é disparado o titular pela direita. Sendo assim, há de se pensar como fechar a trinca de volantes-meias, pra que Gregore possa ter a mesma liberdade que Renê tinha (mesmo sendo o 1º homem), Vinicius continuar qualificando o passe saindo de trás (ele rende melhor que quando joga mais adiantado, assim como Juninho ano passado), e quem será o 3º de meio (Zé Rafael aguenta jogar mais recuado numa série A?).

    No trio da frente, visualizo Allione jogando mais à frente, talvez como reserva de Edigard, pelas beiradas. Régis é indiscutível o "camisa 10", o "1" de Zagallo no 4-3-1-2 (Marco Antonio tem cacife pra ser o reserva? ou melhor trazer Zé Rafael de volta pra posição de ponta de lança?). Assim, Élber seria uma espécie de 3º reserva na ordem de Edigard e depois Allione, pra ser o atacante de beirada, que cai pros dois lados. E somente consolidadas as 5 posições de criação é que podemos falar em Kayke ou Brumado, já que a organização dos garçons influencia diretamente no desempenho do 9.

    A minha preocupação hoje é essa: esse esquema mais ofensivo, com passe mais qualificado, resiste a um confronto contra times mais fortes? Não precisamos nem pensar em Palmeiras e Corinthians, mas nos times da Lampions mesmo, e no próprio Fuga das Galinhas (vulgo "Vice") no Baianão.

    Assim, reconheço o bom trabalho de Guto, mas acho que cabe à Diretoria exigir dele mais solidez na retomada de bola no meio campo, e mais atenção na defesa, especialmente para não tomar gols bobos por vulnerabilidades a contra-ataques. Lembremos que, nas campanhas de 2000 e 2001, as últimas competitivas do Bahia, era a solidez do sistema defensivo que levou aquele time de Evaristo ao mata-mata do Brasileirão. A ideia com Jorginho era um treinador mais sólido, jogando num 4-4-2 inglês bem protegido na linha de meio. Mas ele mostrou ter uma personalidade polêmica e uma inaptidão para obter dos jogadores o melhor de cada um.

    Porém, se o Bahia continuar essa braga constante da meiuca pra trás, Guto não chega em junho. Anote.

    Hoje meu Bahia seria Anderson; Nino, Thiago, Lucas e Mena; Nilton, Gregore e Vinicius (com esses dois jogando em linha com o 1º volante, e Zé Rafael substituindo ambos); Régis (Marco Antonio); Edigard (Allione, agora como ponta pelos lados) e Kayke (Brumado - concordo com a ideia de poupar o garoto, e ir lançando ele aos poucos).

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