Marca SóBahêa

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quarta-feira, 21 de março de 2018

Os cegos não tocam corneta

Semana passada, ocorreu a trágica morte da vereadora Marielle Franco. Na minha ingenuidade, eu achei que o País estava diante de uma causa que uniria a todos. Ledo engano, bastou uma zapeada pelo Facebook e zap-zap para constatar que o fato só acirrou mais os ânimos. Todos os lados já identificaram, julgaram e condenaram os culpados que estão logicamente do outro lado, só falta prender. Até a vítima é culpada para uma parcela da população. Enfim, não interessa quem a polícia venha a prender, pois sempre haverá uma teoria conspiratória para mostrar que ela está corrompida e prendeu a pessoa errada.

Este fato nada tem a ver com o jogo em si, mas tem tudo com o comportamento da nossa torcida. Agora, além dos já conhecidos e barulhentos Cornetas, temos os Cegos. Enquanto o primeiro grupo escolhe um bode expiatório para culpar por tudo; o segundo, mais reativo, defende o bode sem pestanejar.

Lembro que na era MS, o Presidente era culpado por tudo. Bastava uma derrota e vinha a velha ladainha do "estagiário frouxo que não se impõe" sobre o elenco e treinador. O outro lado defendia MS lembrando das maravilhas da sua administração. Agora, o bode é Guto, não interessa ganhar ou perder, a galera do #VAZAGUTO sempre tem um motivo para pedir a cabeça da baleia. Do outro lado, a turma do "deixa o gordo trabalhar" apresenta também seus argumentos. É 8 ou 80, tem a turma do copo meio vazio e a do copo meio cheio. O jogo de ontem foi o ápice dessa inútil e destrutiva batalha, voltarei ao tema no final.

Não vi o primeiro tempo, estava voltando de uma viagem de trabalho, só cheguei em casa no início do segundo. Mas, pelo que li, o Bahia voltou a apresentar um futebol burocrático e sem criatividade, só dando trabalho ao goleiro adversário no final da etapa. Vi apenas dois elogios, um torcedor que disse que o Bahia estava bem e que o gol era questão de tempo, foi quase trucidado, e uma torcedora que via o time com mais vontade. Mas, vou com a maioria, pela narração e comentários que li na internet, foi mais um primeiro tempo para se esquecer, melhor para se estudar e aprender com os erros. 

Detalhe tático, me parece que Guto, depois de testar o 4-1-4-1 e o 4-2-3-1, optou pelo último. Acho que está certo, não podemos nos dar ao luxo de jogar com um só volante deixando nossa lenta zaga exposta. Ademais, Gregore pode subir e compor a linha de 4 quando necessário. Neste esquema o que não gosto é o deslocamento de Zé Rafael para o lado, pois entendo que ele e Vinícius se completam bem no meio, Zé carregando mais a bola e Vinícius fazendo o time girar e dando passes mais longos. Em qualquer dos dois esquemas, teremos de contratar o 1 da frente.

Assisti o segundo tempo, e me parece que foi outro jogo. O Bahia criou inúmeras chances, antes mesmo de abrir o marcador, já tinha tido 3. Thiago fez 1x0, em mais um gol de escanteio na temporada. Kayke -talvez a única concordância entre Cornetas e Cegos- perdeu de forma displicente o segundo. Aí, veio o castigo dos deuses do futebol só para confirmar a máxima "quem não faz toma", o Altos empatou. Não acho que Douglas falhou, mas fica sempre aquela impressão que dava para salvar, fato que o chute foi colocado, mas foi fraco.

Mas, desta vez, o gol adversário não abalou o Bahia que continuou em cima, as oportunidades foram surgindo e sendo desperdiçadas, em uma delas, Zé Rafael, que já tinha isolado uma no início da etapa final, isolou outra da linha da pequena área, na sequência, como diz Murici, a bola castigou, gol dos caras. Destaco que Élton falhou feio no lance, pois veio acompanhando, na verdade protegendo, o meia do Altos, até ele cruzar e Thiago, mais uma falha no ano, marcar contra. Mais uma vez, ficou aquela sensação que Douglas poderia ter cortado o cruzamento.

Guto tirou Kayke e colocou Marco Antônio, deslocando EJ para o meio. Novamente, o Bahia não se deixou abalar pelo gol adversário, ponto alto do time ontem, e continuou martelando. Sendo sincero, o jogo me dava tranquilidade que o triunfo viria, mas aquela bola de Vinícius que bateu na trave, e o rebote foi isolado por Marco Antônio, me fez temer pelo pior. Mas, a persistência e insistência do Bahia deram resultado. Em mais um escanteio -olha a bola parada funcionando-, o Bahia empatou com EJ. No embalo, ZR roubou a bola, tabelou com Vinícius -importância dos dois estarem próximos- e deixou EJ na cara do gol para virar.



O jogo continuava muito louco, ao mesmo tempo que empolgava a torcida por se manter no campo de ataque, o Bahia preocupava pois a defesa estava exposta. Mas, num contrataque, EJ serviu e Vinícius garantiu o triunfo. Ainda teve um golaço de ZR para fechar o caixão.

Olhando pelo lado meio cheio do copo, temos de louvar a tranquilidade do time que manteve o foco mesmo sob vaia da torcida, além da capacidade de criação de chance de gols. Olhando pelo lado meio vazio, é inadmissível tomar virada do Altos em plena Fonte, ademais, o time não pode variar tanto dentro de um próprio jogo, não se pode ter dois tempos tão distintos. Contra um adversário mais qualificado, a vaca teria ido para o brejo cedo. Não é toda hora que vamos acertar como foi contra o Furacão na primeira partida da A 2017, quando viramos o jogo para 5x2 na primeira etapa.

Os dois gols de EJ deixam Guto com uma boa dor de cabeça. Para domingo pode manter o time da segunda etapa, ZR e Marco Antônio -apesar dos gols perdidos, entrou bem, dando opção de jogada pela esquerda- pelos lados, com EJ pelo meio; retira Marco Antônio e põe Régis; ou volta ao esquema com EJ pelos lados e Brumado pelo meio. A única certeza que tenho é que Kayke não entra de primeira domingo. Sobre o esquema tático, sem dúvidas, eu manteria o 4-2-3-1, mas pensaria em dar uma chance a Nilton,mesmo que seja no percorrer do jogo.

Voltando à torcida, porque me preocupo com esta batalha Cornetas x Cegos. Esta guerra que hoje é travada no mundo virtual, poderá migrar para o real, e o Bahia precisa de sua torcida unida para vencer as batalhas que virão pela frente contra exércitos mais qualificados. Na Fonte, o clima da torcida tem de ser o da semi do ano passado, o da final contra o Sport, se ficarmos nesta de pedir a queda do técnico mesmo com o time ganhando, não passaremos para o nosso limitado time a força extra que ele precisa para vencer.

Um comentário:

  1. Eliene dias da Silva21 de março de 2018 16:58

    Sim Miguel, de fato o Bahia precisa de sua torcida unida! Eu não sou muito fã de Guto, mas reconheço que o esquema tático de ontem melhorou de alguma forma no segundo tempo. Apesar de ter perdido algumas oportunidades de gols no primeiro tempo, eu notei que o time estava mais agressivo e motivado a fazer algo. No segundo tempo, também teve algumas finalizações não finalizadas , faço uso de liberdade poética para expressar que o placar seria na minha conta 8x2. Fiquei satisfeita com a força de vontade do elenco em fazer valer o que o torcedor do Bahia espera: o bom e velho Futebol, arrisco ainda dizer que o placar não é tão importante quando o jogo empolga e dá expectativas a torcida. Por duas vezes senti arrepiar os pelinhos do braço,rsrsrs. Gostei do segundo tempo, gostei do resultado. Mas ainda não participo da campanha eleitoral de Gordiola a precidebcia da república. Kkkkkkkk, não sei se por prudência ou por sentir que o copo esta meio cheio, prefiro analisar o campeonato de forma integral. E claro que estou na torcida para que Guto conduza o time da melhor forma. Não gosto de cornetar. Mas gosto de frisar que futebol é jogo, e o jogo de ontem foi favorável. Uma injeção de ânimo após alguns jogo frustrantes. Mas o que esperar da próxima partida? Não sei responder,rsrsrs. BORA BAHÊA MINHA PORRA!
    Eliene DS (21/03/2018)

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