Marca SóBahêa

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segunda-feira, 7 de maio de 2018

O Yin Yang tricolor

O mundo é bipolar, na geografia temos o Polo Norte e o Polo Sul; na física, mais especificamente na eletricidade, temos o polo negativo e o polo positivo, basta dá uma olhada numa pilha, e lá estão os dois polos; na cultura oriental, mais especificamente na filosofia chinesa, temos o Yin Yang; na cultura ocidental, temos o bem e o mal; para fechar, no futebol temos o Bahia de Guto Ferreira. Em casa, o Bahia é corajoso, enérgico, ousado, criativo, sufoca o adversário, em suma, é temido e respeitado por todos. Fora, o Bahia é covarde, apático, acanhado, previsível, é sufocado, em suma, teme e repeita em excesso todos. 

Um colega me sugeriu que escrevesse a introdução e depois deixasse 50 linhas em branco, a ideia é boa, pois representaria fielmente o que foi o futebol do Bahia ontem, uma folha em branco, sem nada a acrescentar. 

Mesmo aprovando e gostando da ideia do colega, vou escrever algumas linhas sobre o que vi. Começando pela defesa. A torcida aprova Nino, sua energia e vivacidade na parte ofensiva são contagiantes e levam a torcida e o time juntos, mas defensivamente a apatia e passividade de Nino é doentia. Ontem, Marlone fez o que quis, estacionou na esquerda do ataque deles e dali municiou o time, inclusive no lance do gol. Nino tem de aprender - na verdade pelo tempo que está na vida, já deveria ter aprendido - que a principal função do lateral é impedir cruzamentos na área. Chegou no nosso lado direito, é certo que vem bola na área. Nino ao invés de avançar e diminuir o espaço do adversário, recua, sempre esperando o drible, e deixa cruzar. O de ontem foi o segundo gol que tomamos assim na A, qualquer semelhança com o gol do Inter não é mera coincidência.

Nossos volantes são o ponto de equilíbrio do time, mas ontem foram mal. Gregore abriu a caixa de ferramenta e só bateu, não sei como não tomou um amarelo. A maioria das faltas foi por chegar atrasado no lance, só restando a pancada no adversário para parar a jogada. Élton foi displicente e errou muito na saída de bola, não deu o volume de jogo que o time precisava. Em suma, os dois foram engulidos pelo meio do Sport.

Também fomos falhos na armação do jogo. Se nas partidas em casa contra Santos e Furacão, primamos pela boa criação, cansamos de perder gols, ontem nossa meia cancha, em especial ZR e Vinícius, foi nula em campo. O primeiro continua delegando, prendendo em demasia e tomando a decisão errada na conclusão da jogada. Sei que é difícil mudar a a característica do jogador mas ZR tem de aprender a soltar a bola com mais velocidade. O segundo está passando pela síndrome de todo meia armador do futebol brasileiro, o sumiço. Vinícius só apareceu em lance esporádicos do jogo e faltou clarividência ara executar a melhor jogada. Com isto nosso ataque foi nulo, pois a bola pouco chegou, e quando chegava EJ não dava continuidade à jogada, mas uma péssima jornada da nossa maior esperança de gols.

Teve lado positivo também. Everson fez mais uma partida segura, sacanagem ter sido dele a falha no gol dos caras. Ainda continuo achando que a tentativa de coice de Lucas Fonseca atrapalhou o moleque. Élber, mais uma vez, fez uma boa partida, correu, marcou, lutou e criou bons lances de ataque. Deixou ZR na cara do gol, quando o jogo ainda estava 0x0, e sofreu uma penalidade não marcada. O próprio ZR, nos 15 minutos que o Bahia jogou, me agradou bastante no apoio às subidas de Léo, várias vezes apareceu como opção para o 1-2 em cima do lateral adversário, depois voltou ao normal.

Com relação ao Professor Guto. Continuo defendendo a sua permanência, acho que não é momento para mexer na direção técnica da equipe, porém tem de ser estudado o porquê do Bahia jogar tão mal fora de casa sobre seu comando. Por muito tempo, em especial na B de 2016, eu entendia que a manutenção do esquema de jogo adotado em SSA era a principal causa, mas este ano Guto vem tentando esquemas diferentes. De fato, não sei o que acontece, talvez o time só saiba jogar sufocando o adversário, o que é possível na Fonte, onde todos nos respeitam, mas não fora, quando o adversário se propõe a jogar também. Só sei que a apatia que abateu o Bahia após os 15 minutos do primeiro tempo ontem, e nos 90 contra o Inter, não é novidade para a torcida tricolor, já vimos este "triste espetáculo" várias vezes, e temo que veremos mais algumas.

Quarta tem mais, vamos jogar em casa e espero que nosso lado forte e avassalador entre em campo, e que o Bahia atropele a Cruz de Malta. Para os cornetas da torcida, espero que não queimem prematuramente Everson e Ítalo -que estreia bisonha- e peço que ouçam mais Frejat

E com os que erram feio e bastante
Que você consiga ser tolerante

Quando você ficar triste que seja por um dia
E não o ano inteiro e que você descubra
Que rir (reclamar) é bom, mas que rir (reclamar) de tudo
É desespero
  

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