Marca SóBahêa

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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Eu tava lá

Hoje tem Bahia x Saci, impossível não lembrar de fevereiro de 1989, quando conquistamos nosso bi Brasileiro sobre o Colorado dos Pampas. Sei que as situações são bem distintas, os times então nem se fala, eles tinham Tafarel - melhor goleiro brasileiro que vi jogar - hoje tem Lomba; do nosso lado, o volante e craque do time era Paulo Rodrigues, hoje temos Gregore. Ou seja, não tem como comparar. Contudo, estamos vivendo um bom momento, jogando uma bola de gente grande, e eles são os segundos colocados do campeonato, se não me engano, venceram as duas últimas fora de casa.


Lembro que o jogo foi numa quarta à noite. Na terça, nem me lembrei dos meus compromissos na faculdade, o importante era enfrentar as gigantescas filas da Fonte, trocar sopapos com os cambistas, mas tinha de sair de lá com o passaporte para o show em mãos. Consegui, comprei o meu e de uma galera. Mas, nem precisava tanto sofrimento, pois a Globo anunciou que passaria o jogo para SSA, e mesmo com os 90 mil ingressos vendidos, a Fonte não tinha 70 mil pessoas.

Lembro que até aquela data, o Bahia nunca tinha derrotado o Internacional em brasileiros. Os caras chegaram com moral e pinta de favoritos, e logo no início, marcaram 1x0 aumentando o favoritismo. Mas, como já escrevi em outros textos sobre o time de 88, para aquele time não tinha tempo ruim, medo de cara feia, ou de adversário mais forte. Ainda no primeiro tempo, Zé Carlos, nosso 10, fez um cruzamento de manual - a curva que a bola fez foi impressionante, eu estava no meio campo, neste ângulo parecia que a bola tinha feito uma curva de 180 graus - na cabeça de Bobô, a estrela da companhia, que deu um chute com a cuca, vencendo o excelente Tafarel e decretando o empate.

No segundo tempo veio a virada. Osmar cruzou, depois de um debate infernal em cima da linha do gol, Bobô veio na corrida e estufou a rede deles. Acho que fiquei tão alucinado que nem me lembro de mais nada do jogo.

A volta era na casa deles, no famoso Beira Rio. Quando o Bahia chegou no vestiário se deparou com um despacho. Os caras só podiam estar de sacanagem, querer assustar e vencer os baianos neste terreno não dá para eles. Alemão, nosso massagista, não contou conversa, tirou o despacho de lá. Os jogadores do Inter pareciam que sabiam que não venceriam o Bahia na bola, partiram para as provocações baratas (Nilson, centroavante deles, provocava João Marcelo por questões salariais) e para a pancadaria, ainda no primeiro tempo partiram o supercílio de Paulo Róbson. Mas, neste terreno eles também não nos venceriam, João Marcelo aproveitou uma bola dividida no meio e levantou Nilson quase um metro do chão. Depois disto, os colorados tentaram jogar bola, mas nada conseguiram. O Bahia que ainda botou uma na trave. Ronaldo, nosso goleiro nota 10, pouco foi exigido e quando foi mostrou a segurança que teve em toda fase de mata-mata. Ronaldo só não foi bola de Ouro do campeonato porque disputou uma partida a menos do que o exigido no regulamento.

Assisti o jogo solitário no meu quarto. Quando acabou, fui para Barra. A ficha parecia não ter caído para a torcida, apenas caminhávamos de um lado para o outro, comendo água. Nem parecia que estávamos na Bahia.

Na terça, batemos os caras de novo, agora pela Libertadores. O time voltou na quarta, a festa foi do aeroporto até o centro, aí sim comemoramos como baianos, tricolores e vencedores do maior campeonato do país. Só sei que estava no aeroporto de manhã e nem sei que horas voltei para casa.

Voltando aos dias atuais, hoje é dia de nossa torcida fazer sua parte, qualquer público inferior a 30 mil é vexame. Os caras estão se esforçando é jogando no limite físico para honrar nosso manto, chegou a hora de jogarmos com eles e garantirmos os 3 pontos que nos afetarão definitivamente da Zona e nos colocará na briga pelo G10.

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