Marca SóBahêa

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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Orgulho de ser Bahia

Quando fui morar em SSA na década de 80, inocente, puro e besta, como diria Raul, existiam duas redes de mercado, o Paes Mendonça, uma espécie de gigante estadual, e a Unimar, uma espécie de Vice. Lembro do alvoroço quando o Paes Mendonça abriu o Hiper ao lado do Iguatemi, virou quase um ponto turístico da cidade. Também nessa década começou a nacionalização das redes estaduais, e o Pão de Açúcar, com o lema "orgulho de ser brasileiro", começava chegar no Nordeste. Por sua vez, a rede Bom Preço, se não me engano pernambucana, chegava em SSA, com o lema "orgulho de ser nordestino". Mas, que porra este lenga-lenga sobre mercados tem a ver com o jogo de ontem? Tem a ver com o resgaste do orgulho do torcedor tricolor. 


Na década de 80 ser Bahia era bom demais, nosso time era temido quando jogava na Fonte e era respeitado quando jogava fora. E cada vez mais, este cenário começa a se repetir. Podemos até perder, como foi o caso de ontem, mas quem joga contra o Bahia sabe que está enfrentando um time que se respeita e honra suas tradições dentro e fora dos seus domínios. A última partida ruim do Bahia foi a derrota para o Vasco, em 16/07, ou seja tem exatamente um mês que o torcedor do Esquadrão não sabe o que é jogar mal. Dominamos Chape, Flu e, em boa parte do jogo, o poderoso Palmeiras fora; em casa, dominamos todos que se atreveram a nos enfrentar. E melhor,evoluindo e com um futebol  mais consistente a cada jogo que passa.

O jogo de ontem foi mais uma prova desta evolução. Dominamos o Palmeiras no primeiro tempo, botamos bola na trave, perdemos gols, e atuamos como se estivéssemos na Fonte. O que mais me chama atenção no atual time do Bahia é a movimentação do quarteto ofensivo, e olhe que Zé Rafael vem dando sinais claros de estafa física. A zaga adversária nunca sabe quem vai cair por qual setor, a troca de posição é constante, ZR e EJ já alternam de lado naturalmente; tem horas que Gilberto cai pela ponta e Edigar entra na área. Ontem, por duas vezes, quem apareceu na área foi ZR, com Gilberto aberto uma vez pela esquerda, outra pela direita. Sem a bola, percebi que tem horas quem marcamos com Gilberto e EJ mais adiantados, e Vinícius pelo lado; em outros momentos, EJ abre e Vinícius marca por dentro. Sem dizer que Élton e Léo chegam sempre para apoiar. Isto só vem com o tempo e com treinamento, senão vira bagunça e o time não rende.

Defensivamente, como mostrei no post anterior, o time está compacto e solidário. Nossos volantes voltaram a proteger bem a zaga. Ontem, com exceção da jogada do gol, todos os lances perigosos do Palmeiras foram frutos de desatenção ou falha individual nossa, no mais, nosso time conseguiu anular tudo que eles tentaram.

Tivemos nossas chances, na melhor delas, os deuses do futebol estavam do lado deles, primeiro EJ botou a bola na trave, depois a bola bateu nas suas costas, tirando o gol de Gilberto.

Vejo dois sérios problemas na nossa atual fase. O primeiro é a lateral direita, Bruno não me passa confiança, em especial no aspecto físico, sempre parece que está com o freio de mão puxado e que vai chegar atrasado no lance; e Nino voa na parte física, mas se mostra limitado na parte técnica e totalmente disperso na parte defensiva. Não quero culpá-lo pela derrota, mas o vacilo no gol de Dudu foi foda. O outro problema que me preocupa é a queda de rendimento no segundo tempo. Já tinha sido assim contra o Fluminense, quando dominamos e criamos muito no primeiro tempo, e caímos de rendimento no segundo. E foi assim ontem, fomos bem demais na etapa inicial, já na segunda, aguardamos demais o Porco.

Para o primeiro problema, não vejo como resolver internamente, Flávio foi testado e não rendeu, e não vi futebol em Edmundo do sub-23 para ser a solução definitiva este ano. Sobre o segundo, entendo que Enderson precisa ser mais ousado e "apressado" nas substituições. Ontem, era evidente que nosso ataque e meia já não se movimentavam como no primeiro tempo, com isto os meias e laterais deles começaram a chegar mais, e foi justamente numa tabela com o lateral direito que saiu o gol. Enderson deveria ter colocado sangue novo na equipe para recuperar a movimentação e continuar incomodando e acuando o Porco.

Enfim, como diz o belo hino do carnaval, "vai conhecer que o Bahia é um time a mais de mil, que ele tem Deus no sei coração e  o Diabo no quadril". Assim iremos longe, semi da Da Sula e G10 do Brasileiro são realidades cada vez mais próximas, EU ACREDItO E TENHO ORGULHO DE SER BAHIA.

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