Marca SóBahêa

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segunda-feira, 27 de maio de 2019

Não pode ser só futebol

Peço licença para sair das quatro linhas e abordar um assunto que normalmente não trato aqui, mas pelas proporções que tem tomado, merece uma reflexão. 

Toda vez que o Bahia lança uma campanha afirmativa, chovem manifestações favoráveis e contrárias nos grupos de zap, Twitter e Facebook. Vou dizer uma coisa para vcs, tenho plena consciência que estas ações do Bahia são encaradas pela maioria como mais uma disputa direita x esquerda ou progressista x conservador, ou qualquer outra classificação que se dê a esta disputa estúpida que divide o país. 

Não sou índio, negro, gay ou mulher, e quem me conhece sabe que estou longe de ser um cara politicamente correto, não perco a oportunidade para sacanear qualquer um ou fazer uma piada. Porém, eu tenho um filho autista e sei o que é preconceito e rejeição por uma pessoa. Pois, passo isto na pele quase que diariamente.

Já fui embora de aniversário chorando porque o aniversariante não permitia que meu filho brincasse com os amigos dele; já tive de segurar meu filho numa cadeira de restaurante porque um cara olhava enviesado para ele; na escola dele, católica e que se diz inclusiva, apesar de todo carinho, amor, cuidado e respeito que percebo nos colegas dele e funcionários, já passei por situações constrangedoras como os colegas virarem de costas e deixarem ele sozinho olhando para o nada, ou pior, a coordenadora me devolvê -lo na hora de iniciar uma apresentação, frustrando toda uma expectativa que criamos por este momento.

Reitero, não sou negro, gay, índio ou mulher, mas imagino a importância que tem para estes grupos estas ações do Bahia. Só para vcs terem uma ideia, eu me emocionei bastante quando o Bahia colocou o símbolo do autismo na camisa da final do Baiano. Sabe o que isto mudou em minha vida? Nada, mas me deu a certeza que outros compraram a mesma briga que tenho dia a dia pelo meu filho. Só fico imaginando como se sentiram os pais daquele cadeirante que entrou com Lucas Fonseca no jogo contra o Fluminense. 

Em suma, não quero com este texto convencer ninguém que o Bahia está certo ou que as pessoas passem a apoiar as causas ditas progressistas. Apenas, peço que se coloquem um pouco do outro lado e percebam como se sentiria sendo lembrado e apoiado por seu time de coração, apenas uma vez abandonem esta visão simplista e burra que teima em dividir o país. BBMP

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