Marca SóBahêa

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terça-feira, 17 de setembro de 2019

Saindo do lugar comum

Li muito nas últimas horas que o Bahia empatou com o Fortaleza porque não sabe propor o jogo contra times retrancados. Concordo apenas parcialmente com esta afirmação. O Bahia tem de fato dificuldade em propor o jogo, voltaremos a isto mais na frente. Mas, discordo que o Fortaleza tenha jogado fechado.



Entendo que especialmente no primeiro tempo, o Bahia foi surpreendido com a formação e postura do Fortaleza no jogo. Os caras vieram com 4 atacantes, Osvaldo mais centralizado, Romarinho e Felipe Pires mais pelos lados; e Wellington Paulista lá na frente. As substituições realizadas no segundo tempo mantiveram o mesmo padrão. Antes de abrir o placar, eles ja tinham chegado duas ou três vezes na área do Bahia; e no lance do gol, três deles estavam após a linha da bola, o que permitiu o rápido contrataque com os 4 atacantes que pegou a defesa do Bahia aberta.

Outra prova que o Fortaleza não jogou retrancado são os números da partida. Confiram uma comparação dos números do Bahia no triunfo contra o São Paulo no Morumbi; do Bahia no empate com o Grêmio em Porto Alegre pela Copa do Brasil; do CSA na derrota para o Bahia na Fonte; e do Fortaleza ontem.

Posse de bola:
Bahia 34,2%
Bahia 39,2%
CSA 35,8%
Fortaleza 47,9%

Passes certos:
Bahia 197 x 561
Bahia 270 x 489
CSA 205 x 461
Fortaleza 243 x 306

Finalizações :
Bahia 9 x 12
Bahia 9 x 18
CSA 8 x 14
Fortaleza 9 x 10

Como se pode verificar, o equilíbrio dos números é bem maior no jogo do Bahia x Fortaleza do que nos outros 3. O que mostra que a propagada retranca cearense não foi um fato.

Com relação à dificuldade de propor o jogo, isto é um fato do Bahia e da maioria dos times brasileiros. Vejo como exceção o Flamengo e o Grêmio, principalmente por dois motivos: em primeiro lugar a presença de dois volantes que sabem chegar na frente, armar a jogada e finalizar a gol. O Flamengo melhorou bastante neste aspecto quando passou a escalar Arão, segundo volante de origem, como primeiro, e Gerson, meia atacante na base, como segundo. A qualidade na saída de bola e a capacidade de chegar na área destes dois atletas estão propiciando que o Flamengo chegue bem na área adversária. O Grêmio por sua vez conta com Maike e Matheus Henrique não chegam na área como os do Flamengo, mas são mestres no toque de bola, inclusive com passes verticais.

O outro aspecto é a presença de jogadores que desequilibram na frente. Bruno Henrique e Cebolinha não estão na seleção por capricho de Tite, mas pelo que estão jogando. Apertou o jogo passa a bola para eles, foi assim que Flamengo e Grêmio passaram de fase na Libertadores. E contam com coadjuvantes que estão sendo decisivos, em especial Gabigol e Alisson.

Vale destacar também a qualidade dos meias Everton Ribeiro e Jean Pierre que dão volume e qualidade ao ataque.

Voltando ao Bahia, sou fã de Gregore e entendo que Flávio tem jogado bem nas últimas partidas. Mas, pergunto sem nenhuma perseguição aos dois, qual a contribuição de ambos à criação ofensiva do time? Muito pouca em minha opinião, ambos se limitam a tocar para o lado. Flávio ainda se aventura pelos lados, mas erra no cruzamento, Gregore nem isto. Entendo que Élton faz falta na criação ofensiva do time, por ter mais capacidade de entrar na área adversária.

Na frente, Gilberto tem sido decisivo e Arthur nossa válvula de escape. Mas, nossos coadjuvantes Lucca, já merece perder a titularidade para Élber, e Guerra ainda estão devendo, não estão dando volume, nem qualidade a nossa produção ofensiva. Guerra tem tentado, mas ainda carece de mais força e presença. Lucca, por sua vez, tem ficado muito estático no lado do campo e tem participado pouco do jogo, talvez precise se aproximar mais de Guerra e Gilberto para buscar a tabela.

Como visto, propor o jogo passa por envolvimento de todos o time, não passa apenas pelo meia ou atacantes. Nossos volantes e laterais precisam aparecer com mais qualidade e intensidade para ajudar o ataque nesta difícil missão, dos 4 só Nino vem ajudando o ataque de uma forma consistente. Entendo que ainda vamos passar alguns jogos até o Bahia engrenar uma boa produção ofensiva.

Encerrando, nem tudo foi negativo no jogo de ontem. A parte defensiva do time continua bem e começam a aparecer algumas jogadas ensaiadas que vão render bons frutos nos próximos jogos.

Por fim, estamos bem vivos na luta pelo G6, só dependemos de nosso próprio esforço. Sábado, vamos ganhar do Gambá lá em Itaquera e entrar no G6 para não sair mais.

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