Marca SóBahêa

Marca SóBahêa

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Caça ao bode


Em junho de 2016, escrevi o post “Toda casa da mãe Joana precisa de um bode expiatório” (http://www.sobahea.net/2016/06/toda-casa-da-mae-joana-precisa-de-um.html), no qual eu analisava a situação do Bahia a partir das duas expressões populares. Hoje, estamos muito longe do que se costuma chamar Casa de Mãe Joana, contudo, no seio da nossa torcida está cada vez mais forte a necessidade de se eleger um bode expiatório.


Relembrando o conceito, de acordo com o site significados.com.br:

A expressão "bode expiatório" teve sua origem no dia da expiação, como relata a Bíblia, no livro de Levítico. O dia da expiação, era um ritual para purificação de toda nação de Israel. Para a cerimônia, eram levados dois bodes, onde um deles era sacrificado e o outro, o bode expiatório, era tocado na cabeça, pelo sacerdote, que confessava todos os pecados dos israelitas e, os enviava para o deserto, onde todos os pecados eram aniquilados.

Pois é, para cada insucesso, seja derrota ou empate, mesmo que fora de casa, continuamos elegendo um culpado, ou no máximo dois, esquecendo que futebol é um esporte coletivo, no qual começam 11 de cada lado. Em 2016, quando escrevi o texto original, os técnicos eram sempre os culpados pelos vexames tricolores, agora, são os jogadores.

Élber e Nino, atualmente ídolos da torcida, já tiveram seus dias de vilão. A cada passe errado, cruzamento equivocado lá vinham as velhas ladainhas “Nino [Élber] não tem a menor condição de jogar no Bahia”; “Enquanto estes jogadores estiverem no Bahia, não chegaremos a lugar nenhum”; “Eu não aguento mais estas disgraças com a camisa do Bahia”; e por aí vai.

No primeiro semestre, o culpado por todos nossos insucessos era Ramires. De fato, o moleque deixou a desejar, jogou muito abaixo de 2018 e do que esperávamos dele. Como justificativa tem o fato dele não ter tido pré-temporada, mas não é motivo suficiente para ele ter tanta falha técnica. Mas, sejamos sinceros, as críticas e a marcação da torcida foi muito além do que ele merecia. O moleque de esperança, passou para desalento, num piscar de olhos.

Ramires se picou, foi para longe. Mas, a torcida não tardou a escolher os novos bodes, agora temos uma dupla, Moisés e Guerra. Não tem jeito, qualquer insucesso, os dois são os principais culpados.

O bode Moisés: não interessa como saiu o gol adversário, se Moisés estiver por perto, ele que falhou, se estiver longe, era para estar perto, em suma, Moisés é culpado mesmo que prove o contrário. Não tiro toda a razão da torcida, Moisés tem sim falhado em momentos cruciais, tem se mostrado disperso ou excessivamente confiante em outros, perdendo bolas bestas que comprometem e expõem o time. Mas, acho que na média, ele tem feito um bom campeonato. Passei os olhos nos números do Footstats Premium e o desempenho de Moisés é superior ao de Léo Pelé. Não quero aqui defender o jogador, não tenho mandato para isto, também reconheço que ele pode melhorar, mas ele está longe ser o inútil e vacilão que parte da torcida o classificou.





O bode Guerra: no Brasil, primeiro no Palmeiras e agora no Bahia, Guerra está longe de ser aquele meia que junto com Borja, outro que ainda não deslanchou, levou o Atlético Nacional a dominar o futebol sulamericano em 2016, com o título da Libertadores e final da Sulamericana – não foi disputada por causa do acidente com a Chape-. Ademais, parte da torcida do Bahia dorme e acorda com uma ideia de meia na cabeça, por mais que o esquema não cobre um meia, a torcida não para de falar que a direção precisa contratar meias. Para muitos, o último que tivemos foi Robert, no longínquo 2004; para outros, o último foi Moraes, em 2010. Entendo que o esquema de jogo de transição em velocidade adotado pelo Bahia prejudica a atuação do meia, mas ao contrário da maioria, entendo que Guerra, mesmo não sendo o que eu esperava, vem desempenhando um bom papel. Explico, ele tem buscado se aproximar dos jogadores da frente para facilitar a troca de passes, em especial com Élber que tem encontrado em Guerra um bom coadjuvante e apoio, inclusive na marcação pela esquerda. Ademais, nas duas últimas partidas em casa, as duas com Guerra como titular, o Bahia fez partidas ofensivamente muito boas, criando bastante e dando muito trabalho à defesa adversária. Mesmo sem brilhar, Guerra ajudou bem nesta criação ofensiva, principalmente aparecendo para a troca de passes.

Para finalizar, uma historinha, quando estava na Série A, o Brasiliense contratou Vampeta. Fui em vários jogos e sempre ouvia a torcida reclamando de Vampeta, chamando de cachaceiro e outros atributos mais. Na primeira partida que ele estava fora, o que mais ouvi antes do início do jogo foi “Graças a Deus aquele cachaceiro não joga. Hoje o time anda”. Com 15 minutos, a torcida começou a reclamar que o time não tinha saída de bola e que Vampeta estava fazendo falta. Em resumo, a torcida queria o Vampeta do Corinthians, aquele que jogava ao lado de Ríncon e Marcelinho e que chegou à seleção. Isto, ele não podia mais oferecer, primeiro porque não tinha as mesmas companhias e segundo porque já era um jogador mais velho. Mas, mesmo não sendo mais o mesmo, ele ainda era muito importante no frágil time do Brasiliense e sua ausência destruía a saída de bola do time.

Contei esta historinha só para pedir paciência à torcida do Bahia com nossos bodes, esqueçam um ideal de jogador e verão que Moisés e Guerra não são os inúteis que muitos falam.

Uma paletinha sobre o jogo de hoje. Como é bom receber o São Paulo e saber que somos favoritos, isto mostra como subimos nosso sarrafo. Por fim, entendo que Róger vai de Lucca no lugar de Guerra para manter o mesmo esquema ofensivo das últimas partidas em casa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prezados leitores, todos os comentários são bem vindos e enriquecerão as discussões. Entretanto, solicito moderação, evitando termos agressivos e acusações sobre jogadores, comissão técnica e direção do Esquadrão.
Solicito também respeito aos demais leitores, não sendo permitido postar xingamentos.
Os comentários que não atenderem as recomendações acima não serão aprovados.