Marca SóBahêa

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terça-feira, 22 de outubro de 2019

O Mayday tricolor


Num destes canais de tv a cabo passa um programa, Mayday, sobre desastre aéreo. Mayday é a palavra usada pelos pilotos em momento de emergência. Pois bem, ontem, me senti num desastre aéreo. Os resultados do final de semana decolaram a aeronave tricolor; mas quando o jogo começou, deu logo para reparar que o vôo teria algumas turbulências; com o gol de Arthur, alcançamos a velocidade de cruzeiro, e parecia que chegaríamos ao destino final, o G5, sem grandes problemas; contudo, quando se aproximava o final do jogo, nosso avião deu uma pane total e um vento vindo lá do alto do Nordeste derrubou o Bahia, deixando atônito os milhares de tricolores que estavam em Pituaço e os milhões que assistiam o jogo pela tv.

Assim, como num desastre aéreo, isto fica bem claro no programa, o desastre tricolor não teve uma única causa ou um único culpado, ocorreu uma sucessão de erros que nos levou ao chão. A diferença básica é que num desastre aéreo dificilmente os envolvidos saem com vida, já o Bahia saiu muito machucado do jogo de ontem, mas ainda está muito vivo na luta pela vaga na Libertadores. Vamos aos fatos:

Campanha da camisa – sou totalmente favorável às ações afirmativas do clube, defendo sempre que sou questionado sobre o assunto. Mas, a campanha da mancha de óleo tomou tal vulto que dividiu a atenção do clube, o que foi sim prejudicial. Explico, em véspera de jogo decisivo, a concentração tem de estar 100% no jogo, todos no clube precisam respirar e pensar no jogo o tempo todo. Como vimos, não foi o que aconteceu. Parte do clube teve de se dedicar à campanha, como exemplo cito GB que foi para a tv dar entrevista sobre a mesma. Este episódio me lembrou a derrota para o Santa na B de 2015, quando a direção do clube passou a semana focada na transferência do jogo contra o Boa para Sergipe e esqueceu que no meio do caminho tinha uma decisão contra o Santinha, como sabido, perdemos de 2x1, coincidentemente, de virada. Fechando, a princípio uma coisa não devia ter nada a ver com a outra, mas tem, o clube é um só e os personagens são os mesmos. Que fique a lição, e o Bahia continue sempre com suas campanhas, mas escolha o momento certo de lançar.

O fator Guerra – Acho que só eu e a comissão técnica do Bahia enxergam Guerra como titular do time. 99% ou mais da torcida e da imprensa entendem que ele não pode jogar. Roger foi muito macho ao escalar Guerra de início, e tem de ser assim, treinador precisa seguir suas convicções, não pode se guiar por pedido da torcida. Porém, o risco era alto, pois em qualquer vacilo do venezuelano, a torcida poderia se virar contra ele e afetar o time todo. Entendo que Guerra foi bem, sendo o jogador mais lúcido do setor ofensivo tricolor. Sei que a maioria apenas se lembra do cartão amarelo e da bicicleta sem pedal, mas ele criou 3 boas jogadas – um lançamento para Élber que cruzou para a furada de Gilberto; uma boa jogada de ultrapassagem com Giovani, a defesa cortou o cruzamento; e uma boa tabela com Arthur, culminando com uma conclusão fraca de Guerra -. Três jogadas apenas é muito pouco dirão os que escolheram Guerra para Cristo, pode até ser, mas ninguém criou mais do que ele no primeiro tempo. Por isto, entendo que Roger errou ao tirá-lo de campo.

A formação ofensiva no segundo tempo – Marco Antônio entrou muito bem, fez as melhores, ou seriam as únicas, jogadas do ataque tricolor na segunda etapa. Na primeira arrancada deu um belo passe para Élber que cruzou para Arthur isolar a bola; na segunda, deixou AK na cara do gol; e cobrou a falta na cabeça de Arthur no gol tricolor. Porém, Roger ao substituir Élber por AK, deslocou MA do meio para o lado, com isto, o Bahia perdeu o cara que levava a bola da defesa até o ataque. AK como sempre jogou muito próximo do centroavante e acabou participando pouco do jogo porque a bola não chegava. Ademais, Flávio, tem sido um monstro nas últimas partidas, não conseguiu dar ao time o volume de jogo que vinha dando. Com isto, a bola não chegava nos jogadores da frente, e o time não criava, mesmo com o Ceará dando muito espaço. Bom ressaltar, o Ceará esteve muito longe de ser um time covarde, jogou de igual para igual, sem esta de ficar lá atrás retrancado.



A postura da equipe – O Bahia sentiu o jogo, o time entrou apático e sem o brio que nos acostumamos a ver. Infelizmente, esta não é a primeira vez que isto acontece nos últimos anos, lembro de pelo menos uns 5 jogos que isto aconteceu – derrota para o Ceará na final do NE; semi do NE contra o Santa; final do NE contra o Sampaio; empate com o Fortaleza neste ano na A; e os BaVices do início deste ano. Apesar de termos jogadores experientes, parece que falta uma liderança em campo nos momentos que o time fraqueja, um cara que solte um sonoro “acorda cambada de FDP”. Vejo poucas cobranças entre os jogadores quando o time está jogando mal. LF, por ser o capitão, e Gilberto, por ser a referência técnica da equipe, precisam de impor mais dentro de campo, cobrar mais dos demais jogadores.

Nos últimos 5 minutos de jogo quando se esperava que o Bahia partiria para o gol de Raudinei, o que vimos foi um time acuado em sua própria área, sem nenhuma força ou alternativa para chegar no ataque. Ninguém cede aquela quantidade de escanteios, mesmo que o último, o do gol, tenha sido um erro do juiz, impunemente.

Nossos 9 – No início do campeonato, os torcedores do Bahia tinham uma certeza, não teremos problemas com centroavante neste campeonato, Gilberto e Fernandão vão se revezar lá na frente e vão brocar. Gilberto vinha fazendo gols e jogando bem, mas já tem um tempo que rende muito pouco. Não sou de cobrar um centroavante apenas por fazer gol, quero um cara que participe do jogo e esteja atento a toda jogada. Para mim, a partida contra o Brisa Varanaense foi a melhor partida de Gilberto, apesar do caminhão de gols perdidos, desde os 3x0 no Flamídia. Ontem, foi mais uma atuação lastimável do nosso artilheiro, totalmente disperso, deixando passar bolas fáceis, produção muito próxima a zero. Acho que o treinador tem de bater um papo com Gibagol para entender o que está se passando. Não preciso comentar sobre Fernandão, todos estão enxergando o que está acontecendo. Sem esta que o time tem de ficar cruzando bola aérea o tempo todo depois que ele entra, Fernandão pode e precisa fazer mais do que esperar um cruzamento.

Não foi uma única causa para o desastre tricolor, várias coisas se somaram e abateram nosso avião em pleno ar. Voltando ao programa Mayday, os investigadores não se preocupam em encontrar um culpado pelo acidente, mas sim encontrar as causas para aprimorar as aeronaves e evitar novos acidentes. Esta tem de ser a postura agora do clube, entender o que aconteceu ontem, quais falhas foram cometidas, para não voltar a cometê-las dentro e fora de campo.

Encerrando, entendo que a zaga falhou no primeiro gol e Douglas no segundo, mas os caras estão com muito crédito, e falhar faz parte. De bom ontem, fica o renascimento de Marco Antônio, parece que vai voltar a ser aquele jogador destemido e confiante que era antes da contusão, está rendendo mais do que eu esperava neste retorno, tem de ser titular no sábado. E o show da torcida, mais uma vez a Nação fez a sua parte, a imagem dos celulares depois do nosso gol foi de arrepiar. Nosso torcedor não pode abaixar a guarda, ainda estamos na luta, e com nosso apoio fica mais factível do Bahia abocanhar a sonhada vaga.

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