Marca SóBahêa

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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Um dia para sempre

Ontem, um colega lançou uma pergunta no grupo da Embaixada em Brasília. 

Qual o jogo mais emocionante da vida de vocês? colocando como opções:

1. Semi-final 88: 2 x 1 Flu
2. Jogos finais de 88
3. Bavi do histórico gol de Raudinei
4. Bavi de 1979, final, com gol de Fito Neves à longa distância com frangaço de Gelson
5. Bahia X Fast em 2007
6. Bahia 5 x 0 Santa Cruz

Vendo esta lista, me sinto um torcedor privilegiado, pois só não estava na opção 4 - ainda não morava em SSA -, e na 5- já morava em Brasília-. Nos outros 4 jogos, eu estava na Fonte e tive a oportunidade de presenciar in loco a loucura que virou a Fonte e Salvador depois dos triunfos e títulos que estes jogos representam.

Hoje, eu quero lembrar do gol de Charles, o gol salvador contra o Fast ao apagar das luzes. Começando por 2005, o Bahia contratou Viola, Uéslei e Dill. Trouxe Jair Picerni, treinador que tinha brilhado no início do século com o São Caetano. Mas, nosso clube já estava podre por dentro, nada dava certo e o time alternava uma semana dentro do Z4 e outra fora. Perdemos o último jogo para o Paulista e caímos. Dia duplamente dolorido, pois também ocorreu o enterro do meu eterno ídolo, meu querido e saudoso avô. 

Em 2006, me lembro que o Bahia veio jogar com o Ceilândia no Abadião em Brasília, lá estava eu. O time do Bahia era melancólico, um misto de jogadores semi-profissionais com uma meninada subindo da base, entre eles Ávine, Danilo Rios, Rafael Bastos e Bruno César. Empatamos aqui em Brasília por 0x0 com direito a um pênalti perdido por Bruno César, se não me engano. E fomos desclassificados na Fonte. 

Na C, fomos bem nas duas primeiras fases, a Fonte assustava os fracos times que apareciam por lá, e o Bahia avançou bem. Mas, no octogonal final, o time mostrou sua fraqueza e nem a força da torcida na Fonte nos salvou do vexame. Chegamos a tomar de 7 do poderoso Ferrin do Ceará. 

Veio 2007, fundo do poço era pouco para o Bahia. Já estávamos lá, mas sempre dávamos um jeito de cavar e nos afundar mais. Apesar da luta da torcida que fazia o movimento Devolva meu Bahia e parava o centro de SSA com passeatas.

Naquela época não tinha esta de jogos de série C na tv. Internet ainda era discada. Banda larga era um sonho ou realidade para poucos. Jogos com vídeo na internet, então, nem pensar. Me lembro que coloquei internet em casa, o computador ficava na dependência de empregada e era lá que eu passava horas ouvindo os jogos, com um delay de mais ou menos uns 2 minutos. 

Me lembro que fomos bem na primeira fase, passamos com certa tranquilidade. Começamos bem a segunda, mas nos jogos de volta, perdemos para os poderosos ABC/RN e Rio Branco/AC. Assim, passamos a depender do resultado do confronto entre os dois, o Rio Branco, jogando em casa, não podia vencer. E o Bahia precisava ganhar em casa do Fast.

Sentei em frente ao desktop, notebook na época era luxo, sintonizei na Sociedade e fomos nós. Sei que o Rio Branco perdeu um pênalti e lá acabou 0x0. Só dependíamos das nossas próprias forças, mas aonde elas estavam? O tempo passava, o Bahia se abria, o Fast perdia gols e o juiz nos ajudava. Mas, a bola não entrava. Eu me lembro que esmurrava as paredes em cada passe errado, em cada cruzamento mal feito ou cada chute na lua. 

Aí, no apagar das luzes - esta expressão é a cara do Bahia - brilhou a estrela, num cruzamento de Carlos Alberto, Charles entra de carrinho e nos coloca no octogonal. Saí correndo e gritando como um louco pelo apartamento, batendo em tudo que era parede, minha esposa e minha irmã não entendiam nada, minha filha, com dois anos, só olhava assustada. Entre lágrimas e gritos eu comemorava a passagem para o octogonal.



O resto é história e hoje estamos aqui brigando para ficar entres os grandes, aonde é nosso lugar.

Voltando a enquete que citei lá no inicio do texto. Mesmo não estando presente, não tive como não votar no triunfo sobre o Fast. Pois, nos jogos que estive presente, eu participei e pude de alguma forma, mesmo que mínima, contribuir com o resultado, e dividia as alegrias e as tristezas com milhares que estavam ao meu lado. No do Fast não, estava eu e um computador num quartinho de fundo de um ap em BSB. Cada porra gritada ecoava na parede e voltava batendo no meu peito e mostrando que nada eu podia fazer a 1.500 km da Fonte. Não sei se rezei ou pedi a Deus, não costumo fazer isto por futebol, mas no fundo, ele ouviu minhas preces e fez a estrela brilhar. BBMP

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