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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Que porra é circunstancial?


Dia histórico, 31 anos da conquista do título brasileiro de 1988. Para quem acompanhou esta saga, parece que foi ontem, lembramos de cada gol, de cada chute, das roubadas de bola de Paulo Rodrigues, das arrancadas de Marquinhos, das defesas nota 10 de Ronaldo, da festa nas arquibancadas, do amor à camisa e da entrega de cada jogador em todas as partidas, enfim as lembranças são muitas e são eternas.


Voltando ao presente, semana passada, assisti a excelente entrevista de Bellintani na ESPN, deu show o sacana, fala bem demais. Numa certa altura, ele soltou que o título de 88 tinha sido circunstancial, não sei bem o que ele considera circunstancial, ou mesmo qual o sentido estrito da palavra, mas como interpreto o termo, ele errou. É fato que o futebol brasileiro passava por um momento de mudanças, os grandes jogadores começavam a sair aos montes para a Europa, só para os novos terem um ideia, na seleção de 82 somente Falcão jogava fora; na de 90, a maioria já jogava fora. Isto fez com que os times médios diminuíssem a diferença dos grandes, não por acaso tivemos uma final entre Coritiba x Bangu, em 85, com o Brasil de Pelotas em uma das semis.

Outra circunstância da época, os estaduais ainda eram campeonatos fortes, e o Baiano passava por um momento especial com Antônio Pithon como presidente da FBF. Livres de despesas pagas pelo patrocínio obtido pela FBF, os times do interior montavam equipes fortes e sobretudo revelavam jogadores capazes de vestir com desenvoltura a camisa tricolor. Só do time campeão de 88 destaco Tarantini, Edinho, Sales, Claudir, Bobô e Sandro.



Outro ponto que pode ser considerado uma circunstância da época, a base do Bahia revelava muita gente boa. Naquela época, a meninada disputava BaVi na preliminar do principal, nada de se esconder em Pituaço ou Barradão dia de semana de tarde. A molecada já subia com o couro grosso, foi por isto que João Marcelo, Dico, Marcelino, e os excepcionais Ronaldo, Charles e, nosso eterno 10, Zé Carlos subiram e não sentiram o peso do manto, deram conta do recado com muito louvor e bom futebol.

Não tenho dúvidas que a organização administrativa do Bahia era outra se comparada a de hoje, mas convenhamos, em 88, isto não tinha a mesma importância que tinha hoje. Para não deixar passar, o Fazendão era uma concentração top para os padrões da época. Talvez tenha sido este o principal argumento de Bellintani para classificar nossa conquista em 88 como circunstancial. 

Contudo, não posso considerar que o título foi circunstancial quando me lembro que o Bahia foi o melhor time da fase classificatória do Brasileiro de 85; quando sei que o time da alegria formado por Zanata, Bobô e Cláudio Adão ficou 9 rodadas invictas e liderou a primeira fase do Brasileiro por muito tempo; que o Bahia foi o único time fora do eixo Sul e Sudeste a integrar o clube dos 13; e que o time de Luiz Henrique, Naldinho e Charles chegou como favorito numa semi de Brasileiro contra o Gambá em 90. Em suma, aproveitamos sim as circunstancias da época e chegamos ao topo.

Mas, vamos deixar o passado ao lado e falar um pouco do presente. Hoje, as circunstâncias são totalmente favorável ao tricolor. Mesmo com alguns times despontando e se tornando quase inalcançáveis, vemos que a maioria dos chamados times grandes patina na sua frágil organização e administrativa, o que tem reflexo direto no desempenho em campo. O Bahia pós democracia rema em sentido contrário, estamos cada vez mais organizados, pela primeira vez em muito tempo, nem na década de 80 fizemos isto, tiramos titulares do Fluminense, Corinthians, Vasco e Cruzeiro, e temos bala na agulha para mais. Vamos torcer para que o Bahia se aproveite das circunstâncias e volte a brilhar dentro de campo como na segunda metade da década de 80. 

Seja bem vindo Rodriguinho e BBMP sempre.

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