Marca SóBahêa

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

Do sofá de casa


É hoje o dia/
Da alegria/
E a tristeza/
Nem pode pensar em chegar/
Diga aí espelho meu....

Passamos por tempos complicados, em termos coletivos, os mais complicados que já presenciei, e já são mais de meio século de vida. Vivi na época do regime militar e da guerra fria, presenciei epidemias de sarampo, meningite, SARS e outras, mas nada se compara ao que estamos passando. Lembro de um filme com Denzel Washington, Nova York sitiada, hoje, sem nenhum exagero, podemos dizer que um vírus sitiou e colocou contra as cordas a humanidade e seu extravagante modo de vida.

É neste cenário de filme de catástrofe de Hollywood que o Bahia volta a campo, trazendo consigo parte da alegria que deixamos lá em março quando do último jogo e triunfo sobre o América/RN. Hoje, nem que seja por 90 minutos, milhões de tricolores sentarão em frente à tv – em casa, viu sacana!! – e esquecerão o COVID para torcer e vibrar pelo tricolor. E o que podemos esperar do Bahia no pós-quarentena?


Começando pelo lado negativo, os jogadores estão vindo de um tempo inédito de paralisação, muito superior aos 30 dias de férias protocolares, para compensar, também tiveram um tempo bem superior de preparação. Mas como dizem, jogo é jogo, treino é treino, por isto espero um Bahia mais travado hoje, sem o brilho que espero ver no restante da temporada. Nosso adversário vem cheio de desfalques, mas já jogou algumas partidas, isto é uma grande vantagem para eles. No jogo do Fortaleza contra o América/RN, a vantagem de já ter alguns jogos ficou bem evidente, o primeiro tempo foi bem equilibrado, mas no segundo, o América se arrastou em campo e só assistiu a virada do bom Leão do Pici, na minha opinião, o favorito para beliscar a CNE.

Ainda pelo lado negativo, entendo que o atual elenco do Bahia tem duas carências que classifico como graves. A primeira é em relação ao time titular, nos falta um jogador de área-a-área, como a imprensa gosta de chamar atualmente, um cara que marque, arme e chegue na área com a mesma desenvoltura. Entendo que Gregore e Flávio evoluíram neste sentido, mas ainda não o suficiente para preencher esta lacuna. Os mais antigos, os da minha geração, vão lembrar de Leandro, titular entre 84-87, marcava e chegava na frente com a mesma força e intensidade, chegando a fazer o gol do título em 86.

A outra carência é pelos lados do campo, entendo que estamos muito bem servidos com Clayson, Élber e Rossi, 3 bons jogadores que nos darão muita alegria. Mas, falta no banco um atacante de lado com capacidade de fechar na diagonal e marcar gols, de preferência com porte e força física que permitam mudar nosso estilo de jogo. O fato que isto é uma carência no futebol nacional, não por acaso, Bruno Henrique é tão valorizado. Tem uma meninada vindo da base, levo muita fé em Thiago e Saldanha.

Contudo, chega de ver os defeitos, vamos para as qualidades. Entendo que o Bahia tem um elenco que permite a Roger Carvalho aproveitar bem as 5 substituições que passaram a ser permitidas em tempo de pandemia, Rogério Ceni mostrou bem no jogo de ontem como fazer isto. Nas laterais, Nino e JP pela direita, Capixaba e Zeca pela esquerda, são bons laterais e com características bem distintas, bem usados, confundirão à zaga adversária e poderão mudar o panorama do jogo para o Bahia. Zeca e JP são jogadores mais técnicos e com boa capacidade para jogar mais por dentro e ajudar o time na armação. Nino é velocidade pura, pode ser bem útil na ultrapassagem e cruzamentos na área. Juninho é um intermediário entre eles, também possui a qualidade de fechar e sabe passar pelo lado, chegando na linha de fundo, mas não tem a vitalidade física de Nino. Meus titulares seriam JP e Capixaba.

No meio, enfim temos a cereja do bolo, Rodriguinho. Jogador diferenciado e com uma chegada muito forte na área. Sem querer comparar jogadores, entendo que Rodriguinho e Gilberto podem formar uma dupla de área muito forte, estilo Douglas e Beijoca, Bobô e Cláudio Adão, duplas nas quais os jogadores se completavam e se entendiam no olhar. Levo muita fé que Rodriguinho colocará o Bahia em outro nível no nacional. Infelizmente, os reservas imediatos, Daniel e Fernandão não manterão a mesma pegada, mas são atletas que podem contribuir bastante pois são bons jogadores. No caso de Daniel, gostaria muito de vê-lo jogar no lugar de Flávio, o Bahia perderia em intensidade, mas ganharia muito na qualidade do passe e na bola parada. Fernandão é aquele que já conhecemos, um monstro na bola área, com Claysson e Rossi pelos lados, as chances de Fernandão brilhar são significativas.




No gol e na zaga, estamos bem servidos, não temos nenhum Taffarel ou Pereira, mas o que temos está na média nacional e dará conta do recado. Por sinal, Douglas seria meu titular no gol, mas acho que Roger começará com Anderson.

Enfim, não espero muita coisa nos 4 jogos desta semana, mas sem dúvida o Bahia chegará muito forte nas semis da CNE e do Baianinho, se tudo correr bem, em breve teremos dois títulos para comemorar.

Encerrando, se for beber, não dirija, mas me chame. Melhor, fique em casa, mas se precisar sair, use máscara. Se cuide, pois o maior desfalque do Bahia nesta retomada será seu torcedor com sua incomparável vibração. Contudo, lá na frente, quando pudermos voltar ao estádio, faremos novamente a diferença e a estrela tricolor brilhará mais intensamente.

BBMP #juntosvenceremos

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