Marca SóBahêa

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terça-feira, 20 de outubro de 2020

Honrando a tradição da 9

Todo jogo Bahia x Galo me remete a 84, mas ainda ontem, quando começaram a falar dos tabus que cercavam o confronto, eu desembarquei de cabeça na década de 80. Para quem não sabe ou não se lembra, em 84, o Bahia repatriou Beijoca e o primeiro jogo da Taça de Ouro era contra os mineiros. Existia um tabu, o Bahia nunca tinha ganho do Galo no Brasileiro, e assim como ontem, o Galo era o favorito. Mas, Beijoca não quis saber e brocou logo 2, decretando o triunfo tricolor, como narrou o saudoso Fernando José, Saravá, Beijoca, Saravá.


Voltando ao presente, Mano entrou com um time excessivamente conservador na etapa inicial, 4 homens de contenção no meio, Fessin e Clayson na frente, sem um homem de referência no ataque. Pensei que Édson faria a direita com Ernando e Ramon a esquerda com Capixaba, liberando os homens de frente, mas não foi o que vimos, Fessin e Clayson passaram o tempo todo tentando marcar os laterais, e a primeira linha de marcação do Bahia ficou um buraco pelo meio, muito bem aproveitado por Réver, já que Elias saía chegava atrasado na marcação.

Em suma, o primeiro tempo foi um massacre, o Galo teve 70% de posse de bola e finalizou 11 vezes. Mas, vamos ser sinceros, apesar de todo este domínio, Douglas não teve nenhum trabalho, inclusive o gol deles foi em mais uma falha de nossa zaga em cobrança de escanteio. 

No fim do primeiro tempo, eu entendia que o Bahia tinha saído no lucro, mas que tinha se comportado com relação a evitar criação de chances de gol pelo adversário.

No segundo tempo, duas substituições mudaram o jogo, pelo lado deles, saiu Réver que vinha sendo muito útil na armação das jogadas ofensivas. Do nosso lado, entrou Gilberto que ficou mais preso na frente e espaçou o time do Galo, que tinha jogado compactado em nosso campo na etapa inicial, com isto os espaços começaram a aparecer e o Bahia começou a segurar um pouco mais a bola e respirar no jogo. Outra substituição fundamental para a mudança de rumos da partida foi a entrada de Daniel no lugar de Ramon que vinha sendo uma peça decorativa em campo.

Logo em um dos seus primeiros lances, Daniel laçou Elias no meio da zaga, lance que gerou a falta da onde saiu o primeiro gol. Ressalto que Elias jogou mal ontem, para mim a pior partida dele pelo Bahia, mas é o segundo gol tricolor que nasce das penetrações dele (lá ele) no meio da zaga adversária, o gol de Clayson contra o Vasco já tinha sido assim. Com o empate, o Galo precisou voltara a atacar e os espaços apareceram, na primeira chance, Gilberto escapou pela direita e colocou Marco Antônio na cara do gol, mas MA chutou em cima do goleiro.

Nosso segundo gol saiu de um vacilo de Guga, mas prefiro dar mérito a MA que apertou o lateral deles e a Gilberto que estava ligadaço no lance. O drible na linha de fundo lembrou Giovane Élber pela seleção sub-20 em 1991 e Ronaldo Fenômeno pela seleção principal em 96. Por sinal, fazer golaço no Galo é especialidade dos matadores tricolores, Nonato fez um antológico no início da década passada, quando chapelou o zagueiro e bateu antes da bola quicar no chão.

O segundo gol tricolor escancarou mais ainda as deficiências do badalado time de Sampaoli, saímos de um primeiro tempo que poderíamos ser goleados, para uma etapa final onde poderíamos ter goleado. Só Daniel perdeu dois, concluindo mal na primeira chance e chutando em cima da zaga na segunda. Ainda coube a Gilberto igualar Beijoca e marcar o terceiro tricolor em mais uma jogada que soubemos aproveitar os espaços dados por eles.

Enfim, poucas vezes sofri tanto como na etapa inicial de ontem, mas a vibração no final valeu por todo o sofrimento. Que este triunfo seja a tão esperada virada de chave do tricolor na competição.

Saravá, Gilberto, Saravá e porque não, Saravá, Daniel, Saravá.

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